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Não encontrei amor em Paris, mas sim nos detalhes dos sabores

Descubra como a esperança de romance se transformou em um achado gastronômico

Rafael Ferraz|Rafa FerrazOpens in new window

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Risoto de queijos, com creme, parmesão, queijo de cabra, gruyère e gorgonzola Arquivo pessoal

Paris é uma das cidades mais incríveis do mundo. Pelo menos é assim que ela é descrita há séculos, por milhões de pessoas. Fundada há mais de dois mil anos, ela atravessa o tempo sem perder a capacidade de surpreender.

Finalmente, depois de muito planejamento, consegui chegar à cidade que me prometeram desde a infância. Pisei no aeroporto e senti algo difícil de explicar, uma mistura de realização com gratidão.

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De lá, segui de trem em direção ao Rio Sena, onde me hospedei. Um bairro de prédios baixos, com no máximo seis andares, construções que parecem resistir ao tempo e contar histórias silenciosas. Paris me impressionou pela infraestrutura, pela beleza e pela originalidade de suas construções.

Ao contrário do que muitos dizem, não encontrei ratos pelas ruas. A cidade, muitas vezes satirizada por isso, me mostrou o oposto. O lixo é bem organizado, o metrô e os trens são limpos e há uma diversidade enorme de linhas que conectam tudo com eficiência.

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Mas Paris não me entregou aquilo que eu mais esperava. O amor entre as pessoas não se mostrou com facilidade. Era raro ver casais de mãos dadas, gestos simples de carinho, homens sendo gentis, flores sendo compradas e distribuídas aos montes.

Nos restaurantes, quase não havia contato físico. E não falo de demonstrações intensas, mas dos pequenos gestos. Uma mão na cintura, um toque leve, a proximidade natural de quem caminha junto.

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Nos bistrôs, com mesas pequenas e redondas espalhadas pelas calçadas, o cigarro parecia ser o protagonista. Os diálogos soavam frios, quase sempre sem um sorriso espontâneo.

Se Paris ainda carrega o título de cidade do amor, talvez esse sentimento esteja guardado entre quatro paredes. Do lado de fora, a gente não encontra com tanta facilidade. Talvez a vaga de cidade mais romântica do mundo esteja aberta para um novo destino.

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Escrevo esta crônica de um lugar onde, enfim, encontrei acolhimento. Um restaurante próximo à Torre Eiffel, chamado La Gourmandise, na Rue Augereau. Pedi um risoto de queijos, com creme, parmesão, queijo de cabra, gruyère e gorgonzola. Também experimentei uma lasanha à bolonhesa. Os dois pratos, juntos, custaram 28 euros para duas pessoas.

Lasanha à bolonhesa servida no "La Gourmandise" Arquivo pessoal

Saí de lá com um sabor marcante e uma sensação diferente. Um lugar simples, mas que consegue expressar algo que procurei pela cidade inteira. Ali, o amor não estava nas pessoas, mas nos detalhes, nos sabores e no cuidado com cada prato servido.

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