Tédio, ócio e frustração: como sobreviver às temidas férias de julho?
Aprender que nem sempre as coisas acontecem como desejamos é uma das competências emocionais mais valiosas da infância
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Férias de julho: tem família que conta os dias para elas chegarem e tem família que conta os dias para elas terminarem. E tem família — como a minha — que faz as duas coisas ao mesmo tempo.
Preencher o tempo das crianças durante o recesso escolar de meio de ano, em que muitas famílias não viajam ou não podem recorrer a programas de férias, é um desafio para os pais.
Porque o problema não é apenas preencher o tempo, mas lidar com três convidados inevitáveis que aparecem quando a rotina escolar desaparece: ócio, tédio e frustração. E as crianças precisam saber lidar com esses três sentimentos.
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O papel de cada um
Uma criança que tem segurança e afeto pode se beneficiar muito ao ter períodos sem programação rígida. Viver o ócio nos ensina sobre autonomia, iniciativa, capacidade de entretenimento próprio e tolerância ao silêncio e à espera.
Vivemos em um tempo em que qualquer minuto vazio parece precisar ser ocupado por uma atividade, uma tela ou um compromisso. Mas o tédio é um sentimento importante, pois ele cria um espaço para a criança desenvolver a imaginação e a criatividade.
Muitas vezes criamos uma expectativa quase cinematográfica sobre as férias: passeios incríveis, diversão constante e crianças felizes o tempo todo. E é aqui que entra a frustração.
Aprender que nem sempre as coisas acontecem como desejamos é uma das competências emocionais mais valiosas da infância.
Como sobreviver sem enlouquecer?
Em vez de tentar entreter as crianças o tempo inteiro, experimente buscar equilíbrio. Ofereça possibilidades sem ter uma programação fechada.
Aqui deixo quatro dicas que podem guiar esses dias mais livres:
- Mantenha uma estrutura mínima: ter horários aproximados para dormir e acordar, fazer refeições em horários previsíveis e manter alguns combinados sobre telas, por exemplo, podem trazer segurança emocional para a rotina da criança;
- Ofereça possibilidades, não programação constante: você não precisa montar uma programação com mil atividades. Deixe livros, materiais de arte, jogos e blocos de montar ao livre acesso das crianças e deixe que elas escolham e criem suas próprias atividades. Levar as crianças para áreas ao ar livre é uma ótima opção para deixá-las brincar de forma espontânea;
- Não tenha medo de ouvir “estou entediado”: se a criança verbalizar que está entediada, acolha o sentimento e devolva com uma pergunta: “O que você acha que poderia inventar para fazer agora?” Isso ajuda a criar autonomia e faz a criança elaborar suas próprias soluções;
- Reserve momentos de conexão: não é a quantidade de atividades que importa. Muitas vezes uma sessão de jogos de tabuleiro, uma receita feita juntos para o lanche da tarde ou uma caminhada com conversa boa já criam memórias afetivas duradouras.
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