Reflexão bomba na web: 'O que você faria se o racismo acabasse?'
Sociólogo e curador de conhecimento explica como respostas consideradas cotidianas refletem a profundidade da desigualdade racial no país
Viva a Vida|Nayara Fernandes, do R7

Entrar no shopping de chinelo, abrir a bolsa no meio de uma loja sem se preocupar ou até mesmo correr na rua. Essas foram as respostas que jovens negros deram para a pergunta “o que você faria se o racismo acabasse?”, lançada no Twitter pelo jornalista e sociólogo Gilberto Porcidonio. Com 56 mil curtidas, a thread rapidamente viralizou nas redes sociais e revelou sintomas profundos da desigualdade racial. Quando dados apontam que pessoas negras sofrem com mais violações de direitos humanosno país, não é difícil imaginar que o racismo vai muito além de ser chamado de 'macaco'.
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Segundo Tulio Custódio, sociólogo e sócio curador de conhecimento da Inesplorato, as experiências relatadas podem ser consideradas violentas justamente pela dificuldade em reconhecê-las. “É uma situação em que a pessoa que percebe não necessariamente vai ser acreditada. Quem não vive aquilo, de fato, não vai reconhecer. Se trata de uma situação em que a vivência é muito importante para expressar".
Para o especialista, a discriminação racial parte de uma natureza que considera material – como o fato de negros constituírem a maior força de trabalho do país e, ainda assim, a mais empurrada para a informalidade – e de outra que chama de simbólica, de maneira que até imaginar um mundo livre de racismo passa por situações extremamente cotidianas, como entrar em estabelecimentos comerciais sem serem classificados ‘suspeitos’.
“A experiência de racismo concretamente obstrui, manipula e fecha o repertorio de experiências subjetivas”, explica o sociólogo. “A vivência delas é marcada por uma delimitação entre quem é aceitável ou não, bem-vindo ou não. As pessoas não projetam uma nova possibilidade, mas uma resposta dessa violência que é não serem aceitas em espaços públicos ou até mesmo vistos como consumidores.”
Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, a população negra chega a movimentar, em renda própria, R$ 1,7 trilhão por ano.




