A memória é a morada da alma
Até onde sei|Gabriel Kwak

A memória é o barro de que fomos feitos, isso ninguém nos tira.
Cata-se papel velho. Eis a obsessão do pesquisador que não tem medo de comer poeira: livros, revistas, jornais, periódicos, reclames publicitários, teses universitárias, diários, cartas, cartões postais, discursos, folhetos, prospectos, panfletos, boletins, cartazes, leis, decretos, circulares, autos judiciais, fotos de época, gravações, notas taquigráficas e outras transcrições, depoimentos, entrevistas, receitas culinárias, anais legislativos, letras de música, envelopes, bulas de remédio, rótulos, receitas médicas, mapas, ex-libris, marginálias de livros, objetos, ilustrações, gravuras, discos etc. Toda essa maçaroca é a matéria prima do historiador, seu instrumento de trabalho. Documentação e fontes primárias e secundárias que fazem a delícia do historiador, do arquivista, do bibliófilo, do escafandrista do passado, um acumulador por natureza. Que seria deles sem estas velharias adoráveis?
