Berilo, que só via o seu selim, nunca conheceu uma lente de aumento
Até onde sei|Gabriel Kwak
Berilo achava que a grande cruzada a se travar no mundo eram...as ciclovias. Não havia outras bandeiras, outras causas, teses, outras urgências. Ciclovia, ciclovia.
Era seu realejo, sua comunhão diária, seu samba de uma nota só. Berilo só conhecia a pobreza pela leitura de Vidas Secas. Mais ciclovias sempre vêm a calhar.
Quem em sã consciência pensaria o contrário? Nem este narrador seria louco...
O prefeito da cidade de Berilo, o município de Gérbera, achava que governava Amsterdã, Noviorque. Mas no posto municipal dipirona era relíquia. Mas Berilo não queria conversa: prefeito tão hipster e descolado estava acima do bem e do mal.
Senão, veja-se: em defesa do governante, o implacável Berilinho enxotou até a namorada, Marcinha, residente no bairro vizinho, filha do despachante, aquela de convexidades exuberantes a perturbar alguns dos vizinhos onanistas pós-adolescentes que se riam: “Esta queremos ver pelas costas.”Embora, Marcinha, a promissora, tivesse perfil aquilino, nariz de águia.
