Como a Transmídia pode resgatar a humanidade
Transmídia não é uma simples estratégia de marketing. É muito mais fascinante.
Até onde sei|Carmen Farão

O PROGRAMA DE TELEVISÃO – EDUSP – São Paulo – Tradução e Adaptação: Luiz Antonio Simões de Carvalho
Storytellers! Este livro do século passado, da década das mudanças sociais, da invenção da nova televisão pode ensinar muitos profissionais da área de comunicação sobre transmídia e novas formas de criar histórias e situações. Percebe? Precisamos ampliar a visão, cada vez mais. E mais. E sempre.
Sob a lona-nuvem-estática e estatística bradamos: Transmídia está entre nós. Veio para ficar, deliciosamente, é o Grande Circo tecnológico que toma conta da comunicação, enquanto o Místico ainda nos faz parte de nós.
Pegue um diagrama. São círculos, Circos. Mítico-realistas. Hashtag tudo junto e misturado num único propósito: você.
O que um circo tem a ver com o outro? Na sua viagem, quando a agulha de diamante tocava o vinil, onde você estava? Que circo você via? Gal cantando "A História de Lilly Braun" nas suas caixas de so? Prepare-se, pois graças à Transmídia e seus storytellers malucos, mais cedo do que pensa, Marias Gadús tocarão acionadas pelo botão que a manicure implantará na sua unha se assim você o desejar, para ouvir pelos seus brincos a sua nova canção. Um ensaiozinho raso, bem rasinho e pretensioso sobre esse fenômeno que está cada vez inserido dentro de nós. E fora. Entre.
Transmídia é isso: várias formas - ou plataformas - de comunicação. É o futuro aqui e agora. É você não tendo mais escusas para deixar de ser informado, tocado. Streaming. O que é streaming? Uma das formas de transmitir a informação que, em outras palavras permite a transmissão ao vivo via internet, além, claro de outros recursos e facilidades ainda um pouco raros. Ainda. Em pouquíssimo tempo estaremos assistindo televisão - que em pouquíssimo tempo deverá deixar de se chamar "televisão" para acoplar-se à transmídia (se bem que nome é como marca, você pode fazer a barba com 5 lâminas afiadas pelo último raio laser da tasmânia, vai ser gilette mesmo), para assistir ao mesmo tempo no seu celular, tablet, computador, relógio, aparelho auricular, óculos escuros, lentes de contato... Parece ficção, mas não é. Será assim. Adoro os privilégios que a vida me deu de presente. Pousaram no meu colo como a pena de Forrest Gump enquanto contava suas histórias.
Contar histórias. Storytelling. Storyteller. Este é o segredo do sucesso transmidiático. É o que mais me fascina. Diante de tanta tecnologia e facilidades científicas, precisamos de um contador de histórias para criar novas formas de usar tudo o que essa mesma tecnologia nos oferece. Alcançar todos os recursos.
E criar situações novas para novas situações. Capicce? Deliciosamente desafiador.
Precisamos ser humanos para aproveitar essas facilidades, e alcançar objetivos propostos.
Quando o homem pisou na lua pela primeira vez, estive pertinho da primeira imagem gerada aqui no Brasil. Um feito. Todos os parentes reunidos na sala para ver o homem sem rosto pisar em solo inalcançável, sem acreditar. Criança, dei de ombros. Criança, não esqueci as expressões dos adultos.
E na conquista do Tri? Fechamos a Rebouças. Fuscas, Chevetes e Corcéis pararam buzinando com todos os condôminos de todos os raríssimos edifícios da avenida.
E quando Hebe virou loira, Osmar Santos narrou um jogo como ninguém, além de estar ao seu lado no comício das Diretas, Já! na Praça da Sé, liderando multidões por um ideal.
Porque tínhamos ideais, é um privilégio ter sido analógica num mundo hoje digital. Esse parâmetro é para poucos. Apenas para essa geração.
Adoro tecnologia, adoro história, adoro a junção desses dois. E isso eu vivo, vivi e ninguém tira de mim.
A questão no entanto, para alívio dos que amam o passado e que não vêem que o novo sempre vem, é que o conteúdo será gerado por nós, humanos. Storytellers.
A criatividade nunca foi tão necessária, o conhecimento nunca tão fundamental. É preciso alimentar esse bichinho, Transmídia. É preciso conter, conter, conter, conteúdo.
Nunca será tão importante estudar, conhecer, saber, aprender, ler. LER, seja em qualquer plataforma.
Entusiasta que sou, estou otimista. A oportunidade criativa que a transmídia me oferece é inebriante. Estimulante. Me sinto escrevendo roteiro de série em TCC na FAAP.
Estudem, saibam, conheçam, corram atrás. Este é o futuro das comunicações, conferências, reuniões, julgamentos.
Converse à vontade, troque ideias, aprecie, não modere, crie. E Transmi(dia)ta-as. Tudo está dentro de uma plataforma só agora.
Temos que criar linguagens diferentes para falar a mesma coisa, para plataformas não iguais. Não é demais?! Um hurray! para os criativos!
Não basta saber apertar o botão certo, tem que saber para onde ele vai levá-lo. Conteúdo é e sempre será tudo, mesmo que um dia nem seja necessário proferir palavras para se comunicar, insisto, se assim o desejar. Opção. O que não pode é não termos a opção de não querer, simplesmente, não querer. Ou querer muito.
