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Dois dedos de prosa com Machado de Assis

Até onde sei|Octavio Tostes

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Reencontrei Machado de Assis no Facebook. E da melhor forma possível: lendo sua prosa na página “O Rio de Machado de Assis”. A página faz parte do projeto de mesmo nome do Museu de Arte do Rio (MAR), dedicado a desvendar as ligações entre a cidade e a obra do autor. Nos posts um Machado redivivo conta a história de ruas e logradouros do Rio de Janeiro da virada do século XIX para o XX entremeada com lembranças de seus personagens.

Fotos e pinturas ilustram os textos, cartas breves em tom de crônica. A conversa - arguta sob a máscara das amenidades - alcança o presente. Como nesta menção aos aplicativos do projeto para celulares: ”agora aquilo que escrevi vai estar mais vivo, com as pessoas podendo revisitar a minha obra e dando ‘check-in’ (tive uma certa dificuldade para entender o que é isso) quando chegarem à Praia da Glória, tão importante para Dom Casmurro e sua Capitu, ou à Tijuca de ‘Iaiá Garcia’ ".


Certa manhã ele postou que os comentários dos amigos do “mundinho azul” - como se refere ao Facebook - o estavam envaidecendo; e que olhando-o de soslaio sua amada Carolina o reepreendera por deixar-se picar pela mosca azul.

Comentei:


“Prezado Joaquim Maria,

permita-me tratá-lo pelo nome com que assina seus posts.


Faço-o inspirado em Nelson Rodrigues que dizia ser todo leitor um desconhecido íntimo.

O Antonio Prata escreveu dia destes uma crônica sobre isto. Contou que depois de conviver à distância com Rubem Braga por vinte anos, imaginou-se frente a frente com o Urso na lendária cobertura de Ipanema. Mas não se deu bem com a casmurrice do ‘velho Braga’. Felizmente, logo encontrou Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro — tão seus desconhecidos íntimos quanto Rubem — e se esbaldaram em conversa mais que loquaz no Antonio’s com Vinícius de Moraes e Millôr Fernandes.


Perdoe o volteio. É que você, mestre, traz à lembrança outros grandes cronistas que desdobraram este gênero onde também pontificou (sua estatura justifica a palavra). Tudo para agradecer-lhe a alegria que me tem proporcionado quando, após o café da manhã, trago a cigarrilha e passeio por suas memórias narradas em prosa magistral.

Dona Carolina que me perdoe também, e com todo respeito, mas você bem pode se dar ao luxo destes contidos acessos de vaidade.

Meu abraço agradecido e admirador,

Octavio”

Qual não foi minha surpresa quando, à noite, entrei no Facebook na redação em que trabalho e li:

O Rio de Machado de Assis:

Caríssimo, Octavio Tostes, lágrimas de emoção derramam-se pela homenagem. O senhor conseguiu uma grande proeza: deixar-me sem palavras. Mas permita-me deixar-lhe um abraço carinhoso. Do seu Joaquim Maria.”

Sem palavras, saí da página. De fininho... menino desconfiado de que fez arte.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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