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Eu sinto

Até onde sei|Antonio Guerreiro

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Saudade não é só aquela palavra que dizem existir apenas na língua portuguesa. Escrevo dizem porque não sei ao certo. Cada vez menos sei e cada vez menos acerto.

O fato é que a saudade existe, está aqui e não tenho mais como lutar contra esta espécie de infecção benéfica (isso existe?) que começou no coração e que por não poucas vezes atingiu meu fígado e estômago com a mesma intensidade, tal como se deveria fazer um bom título de história.


Nas semanas mais recentes, venho procurando as tais clínicas dos filmes de ficção científica (o uso de tal termo denuncia minha idade?) para apagar de mim não as lembranças, mas este sentimento lírico e portanto pérfido de minhas memórias. Em vão. Não as encontro. As clínicas. Porque as lembranças estão todas aqui a me consumir.

Foi-se o tempo em que era necessário um dos cinco sentidos para que tudo transbordasse naquele jorro que só expele quem sente falta, sabe? Hoje qualquer pensamento ou impacto me desperta para ela. Para esta saudade diferente das dos poetas que bradam sentir falta do que não viveram.


Eu vivi. E vivo. A saudade é de viver novamente.

Meu consolo é saber que não estou só. Que do outro lado desta pequena linha torta que mostrou-se o menor caminho entre estes dois pontos tão díspares e iguais o que chamo de saudade também só não é menor que o amor.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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