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Michael Jackson no túnel do tempo

Até onde sei|Eugenio Goussinsky

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Michael Jackson
Michael Jackson Divulgação

No primeiro acorde de Human Nature mergulhei direto na adolescência. Esta música é uma ponte entre o passado e o presente. O ritmo suave e acolhedor simboliza uma dança no tempo, um desenho em forma de som daquilo que já passou. Vejo, como se fosse hoje, crianças brincarem no pátio da minha escola ou se encontrarem na doceira ao lado na hora da saída. Ouço o alarido, acompanho a correria, relembro as esperanças, acho graça da timidez paralisante. É uma canção eterna, mescla nostalgia e uma interação de um mundo interno com as cenas da cidade.

A letra, entremeada pelo inesquecível sussurro metálico Why, Why, fala sobre a vida urbana, solidão e sensualidade na metrópole que não para de pulsar. Cresci com essas vivências, com essas indagação, contemplando a paisagem urbana, intrigado com a feição de cada esquina, com a dança da luz dos prédios, tentando perceber cada ruído de pneu distante, cada uivo ecoando solitário, cada gesto escondido no breu, cada silêncio revelador de sonhos, ou de dramas.

Na época eu pensava que o futuro era infinito. Hoje vejo o contrário: infinito é o passado, o acúmulo de vivências. Elas podem ser transformadas, nunca apagadas. Não tenho resposta para o why (por quê) que se refere à natureza humana. Michael Jackson também não está mais aqui para reinterpretar sua pergunta, movida por uma voz sensível e um sentimento que embalaram gerações. Não sei. Apenas revivo. Não sei como é possível trinta e tantos anos se passarem tão rápido.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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