Nós ficamos no passado
Até onde sei|Ligia Braslauskas
Eu te odeio.
Por quê?
Porque você ajudou a eleger a Dilma, essa comunista!
Oi?
Sim, seu partido não vale nada.
E você que votou no Aécio, coxinha!
Eu não votei apenas no Aécio, eu votei na mudança.
E eu votei para que a mudança se fortaleça.
Você já foi melhor, nos tempos de infância.
Sim, até fomos para a Disney juntos. Hoje não iria com você a lugar nenhum, não quero manchar minha imagem com alguém que não pensa como eu.
Nem eu iria com você a nenhuma parte. Aliás, teria vergonha de ser visto com alguém que vota vermelho.
Sou padrinho do seu filho, mas espero, sinceramente, que ele não siga teus passos, vai se perder.
Você ERA padrinho. Não é mais nada. Você não passa de um comunista vendido.
Sabia que você se transformou num reaça sem futuro, sem noção do que é a vida?
E você, acha mesmo que os pobres serão salvos?
Olha, na boa, pra mim deu. Não quero mais esse tipo de papo, muito menos nossa amizade de 20 anos, aliás, 20 anos jogados no lixo.
Também acho. Quem dera em vez de um nome, meu pai tivesse me dado um partido, assim eu jamais teria te cruzado na vida.
Concordo plenamente.
Vá para o inferno, seu vermelho sem caráter.
Vá você também, seu coxinha, vá para Miami.
Eu quero que você morra.
Eu também.
A Dilma venceu a eleição.
Aécio será o próximo presidente.
Estranho, amigo, eles foram, e nós ficamos no passado.
