O trânsito e seus bichos
Até onde sei|Marcio Zebini

E o trânsito alcançou níveis mexicanos. A coisa ficou feia e parece que é perene.
O tempo em ponto morto serve para reparar nos bichos motoristas. Pena que não podemos ver o interior dos veículos na maioria das vezes. O culpado é o insulfilm.
Me lembrei de uma aula na faculdade, quando um professor fez uma pausa shakesperiana, olhou para o infinito e disse: “Estamos vivendo a era da troca das janelas pelos espelhos”.
Mas deixemos de lado meu flashback de reflexão filosófica, voltemos a analisar os pilotos.
Tem os Speed Racers, que ficam naquela de “tranquinhos-ininterruptos-frita-embreagem”, colando nos carros da frente até que... até que precisam mudar de faixa. Aí ficam buzinando pro carro da frente, que ta mais espremido e tenso que o fecho do sutiã da Pamela Anderson, tentando desviar do motoman que sinaliza com a mão frenética, reclamando suas sete faixas exclusivas.
Tem o Tio-do-Corolla, que fez MBA em perder farol aberto. Tem o DJ Pamperô Driver, que desfila sua seleção musical “da hora” com seu subwoofer que elimina o porta-malas do Gol.
O que nos resta é seguir em frente e, pelo menos, lembrar de tempos bons da nossa Sampa. A gente usava mais o pedal da direita do que o do meio. Tempo bom. Uma cidade sem radares.
E os carros sem vidros escuros. Sim, a gente podia ver quem estava lá dentro. As vezes, quando o trânsito dava uma paradinha.
