Quinze mil horas
Até onde sei|Antonio Guerreiro

Foi só no fim que ele se deu conta de que "para sempre" não é uma medida de tempo concreta.
Diziam a ele que o sempre é (sempre?) algo etéreo, abstrato, feito da linguagem dos sonhos. Não percebia. Provavelmente porque eles eram feitos do mesmo material.
Encontrou comigo por acaso na tarde de hoje. Cabisbaixo, nada sereno, mas resignado. A realidade era por demais real para a intensidade do que sentiu. Fizera as contas. Foram 15 mil horas juntos. Quinze mil.
Uma vida se fora. Vivera em um curto período o que os donos do tempo não vivem em toda uma existência.
De olhos fechados vivia de imagens. Sim, mais de imagens que de lembranças. Pouco se importava se o que falava (ou escrevia) seria compreendido por todos ou apenas por ela. E tampouco tinha a certeza de que ela o ouviria.
Ela. Um sonho que durou para sempre. E que tempo algum poderá apagar.
Ela. Que para sempre será apenas seu sonho.
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