Periferia em Chamas ajuda a revelar outra geografia do rock de Belo Horizonte
Evento reúne death metal, punk e speed/thrash metal neste sábado, no Barreiro
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Neste sábado (12), três bandas de gêneros que raramente ocupam o centro do grande mercado de entretenimento se encontram no Barreiro, na região Oeste de Belo Horizonte.
Drowned, de death metal, Projeto MK Ultra, de punk, e Violencity, de speed/thrash metal, tocam no festival Periferia em Chamas, na Garage do Neidson, no bairro Milionários. Os ingressos custam R$ 20 antecipadamente e R$ 30 na porta.
O endereço ajuda a contar a história. O Barreiro está na borda de Belo Horizonte, próximo a Contagem e Ibirité, mas também está longe de ser uma periferia cultural. É uma região com uma história própria de produção e circulação de música.
A Garage do Neidson vem ocupando esse espaço com uma programação que passa longe do circuito tradicional de pubs e casas voltadas ao público universitário de rock — aquele em que a experiência muitas vezes é construída em torno de bandas cover.
Ali, a lógica é outra. Tem fliperama liberado, cerveja artesanal, comida e uma programação formada por bandas autorais e vertentes extremas do rock. O espaço já recebeu eventos como Barreiro Metal Fest, Evil Slaughter Fest VI e Punk-Se A Gosto.
É uma pequena infraestrutura para uma cena que não precisa de uma grande infraestrutura para existir. E talvez seja justamente aí que esteja uma questão interessante sobre o rock produzido hoje em Belo Horizonte.
O rock que não precisa parecer grande
Existe uma diferença entre o rock como produto de entretenimento e o rock como cena cultural.
No primeiro caso, é preciso uma estrutura capaz de transformar música em experiência: palco, publicidade, área gastronômica, brinquedos, influenciadores, ativações de marca, cenografia.
No segundo, às vezes basta uma banda, um bar e gente interessada em ouvir.
Não é uma crítica ao primeiro modelo. É apenas outra forma de medir o que uma cena musical representa.
Por isso, a Garage do Neidson interessa mais do que sua capacidade física. Ela funciona como um ponto de encontro para uma parcela do rock belo-horizontino que não necessariamente aparece nos grandes eventos.
E é possível que seja justamente essa parcela que ajude a explicar por que o rock ainda existe.
Melhor que o Rock in Rio?
Eu não gosto de dizer que o Rock in Rio é ruim.
O festival já cumpriu uma função histórica importante na música brasileira. Eu mesmo estive em três edições. Em algum momento, quando gente mais velha dizia que “o rock morreu”, o Rock in Rio também era uma forma de responder que não.
Mas o tempo passou.
Hoje, quando olho para determinadas curadorias de grandes festivais, vejo um evento que já não precisa necessariamente representar aquilo que um dia representou. Pode ser pop. Pode ser publicidade. Pode ser influenciador. Pode ser roda-gigante, tirolesa, experiência de marca.
Pode ser o que quiser. Só não precisa me convencer de que isso é a mesma coisa que uma cena de rock.
Porque eu não quero necessariamente uma experiência.
Quero ouvir a banda.
Não quero uma cerveja ruim, quente e cara. Quero uma cerveja gelada por um preço que faça sentido.
Não quero necessariamente uma roda-gigante. Talvez eu queira uma sinuca.
Não preciso de uma ativação de marca. Um fliperama já resolve.
E não quero que a música seja apenas uma das atrações de uma cadeia de consumo construída em torno dela.
Quero a música.
É por isso que existe alguma coisa de melhor que o Rock in Rio no Periferia em Chamas — não porque três bandas de metal e punk sejam maiores que Maroon 5 ou Demi Lovato.
Mas, para quem procura o rock como cena, talvez seja mais interessante estar diante de um palco pequeno, com uma banda underground, uma cerveja gelada e um fliperama funcionando.
No meio da periferia.
Longe do mainstream.
E, principalmente, perto da música.
📍 Garage do Neidson — Rua Salvador Píri, 23, Milionários, Barreiro📅 Sábado (12)🎸 Periferia em Chamas💰 R$ 20 antecipado | R$ 30 na hora. Casa abre 18h. Shows a partir das 20h
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