Garagem R7 Com 'mesma cara', Citroën C4 Cactus surpreende por potência do motor, mas só no topo de linha

Com 'mesma cara', Citroën C4 Cactus surpreende por potência do motor, mas só no topo de linha

Risco de repaginação e preço perto de R$ 150 mil na versão turbo são questões que o comprador precisa avaliar na hora do negócio

  • Garagem R7 | Do R7

Resumindo a Notícia

  • Citroën C4 Cactus desembarcou no Brasil em 2018 e, desde então, não sofreu repaginação
  • Principal apelo do SUV compacto francês é a potência do motor turbo THP no topo de linha
  • C4 faz de 0 a 100km/h em menos de 8 segundos; painel é recheado de detalhes em plástico
  • Preços, porém, devem ser levados em conta; melhor versão custa quase R$ 150 mil
Citroën C4 Cactus desembarcou há quatro anos no Brasil e ainda não passou por redesign

Citroën C4 Cactus desembarcou há quatro anos no Brasil e ainda não passou por redesign

Raphael Hakime/R7

Já faz quatro anos que o Citroën C4 Cactus desembarcou no Brasil. Desde então, com exceção das séries especiais, a montadora francesa não mudou praticamente nada, seja no design arrojado do lado de fora, seja no interior conservador, com painel repleto de itens em plástico injetado. Em time que está ganhando não se mexe?

Mesmo com preços a partir dos R$ 106 mil e a tendência de sofrer uma repaginação (não há notícias sobre isso), o Citroën C4 Cactus já caiu nas graças do consumidor brasileiro (e das locadoras de veículos). Os números provam isso, já que a média mensal é de 1.600 unidades vendidas em 2022 — de janeiro a julho, 11.416 C4 Cactus foram para as garagens do país.

O grande diferencial do C4 Cactus é o desempenho e a potência do motor 1.6 THP turbo de 173 cavalos — versão ainda equipada com o pacote Shine Pack que a reportagem acelerou. Antes de mais nada, conforme tabela de junho de 2022, essa configuração sai a partir de R$ 142.990 e pode chegar aos R$ 145,7 mil, a depender dos opcionais.

Rodas de liga leve são detalhe que ajudam no visual esportivo do C4 Cactus

Rodas de liga leve são detalhe que ajudam no visual esportivo do C4 Cactus

Raphael Hakime/R7

A fabricante promete partir do repouso e atingir 100 km/h em menos de oito segundos. E isso realmente acontece, especialmente porque o C4 Cactus tem esse motor parrudo e pesa pouco mais de 1.200 kg.

No exterior, os clientes mais desconfiados torcem o nariz para o design arrojado da frente, com lanternas incrustadas no para-choque, embora o estilo esteja presente em modelos de outras montadoras, como a Fiat Toro.

Na traseira, as lanternas seguem um padrão mais conservador, elevadas em relação ao nível das rodas. Com parte acoplada ao porta-malas, o design traz uma simplicidade em harmonia para quem não gosta de fugir a padrões. As rodas de liga leve conferem um visual esportivo ao SUV francês.

Interior do C4 Cactus

Conjunto do volante da direção elétrica com central multimídia do Citroën C4 Cactus

Conjunto do volante da direção elétrica com central multimídia do Citroën C4 Cactus

Raphael Hakime/R7

Do lado de dentro, o motorista encontra um painel com acabamento com bastante plástico — há algumas tiras de tecido nas portas e acima do porta-luvas, mas nada de muita sofisticação.

A central multimídia de 7 polegadas é intuitiva e tem botões simplificados, o que facilita o manuseio. Porém, o sistema merece alguns "cartões amarelos". A começar pela conexão com os sistemas iOS (CarPlay) e Android (Android Auto), restrita ao uso de cabo USB — portanto, nada de bluetooth aqui. Além disso, o carregador de celular por indução também seria um mimo a mais. Mas o C4 Cactus também não vem com esse recurso.

Para completar, o ajuste do ar-condicionado passa pela central multimídia. Então, se o motorista estiver com o carro em movimento, a atenção precisa ser redobrada para não se embananar com os botões digitais.

No quesito segurança, o Citroën C4 Cactus oferece uma gama de recursos para evitar colisões. A começar pelos seis airbags, sejam os frontais ou sob a forma de cortina, o carro também conta com freio a disco nas quatro rodas, auxílio para permanência na faixa de rolagem, aviso de cansaço e o alerta de frenagem quando encontra um outro veículo ou um obstáculo à frente — tudo isso na versão Shine Pack, que é a topo de linha.

A dirigibilidade do compacto francês também merece destaque. A potência do motor casa bem com o câmbio automático de seis velocidades de trocas muito suaves. Aqui, uma ressalva: as marchas se alongam demais, o que pode ser um problema quando você precisar de um empurrão extra — como numa ultrapassagem. Nesse caso, é preciso reduzir para não passar aperto.

A direção elétrica é um destaque positivo, que permite fazer balizas sem grandes dificuldades. Ainda de olho em estacionar, o C4 Cactus, muito associado ao ambiente urbano, também conta com comprimento compatível com as vagas apertadas dos condomínios das grandes cidades. A suspensão é muito bem equilibrada e, com a distância de 22,5 cm do chão, ajuda a escapar de lombadas, valetas, buracos e outros obstáculos das metrópoles.

Quanto ao consumo, a reportagem acelerou com gasolina. Na cidade, fez uma média de 11,5 km/litro e, na estrada, alcançou 14 km/litro.

Diante disso, o futuro do C4 Cactus no Brasil deixa questões na cabeça do comprador. Após quatro anos, vai passar por uma repaginação? O motor potente, combinado ao pouco peso, confere o arrojo ao dirigir que nenhum outro veículo da categoria possui? O SUV francês entrega o suficiente para investir R$ 145 mil na versão turbo?

Apesar das dúvidas, os números de emplacamento (pouco mais de 11 mil) mostram que o C4 Cactus ainda tem competitividade. Mas está longe dos líderes da categoria, que são, na ordem, VW T-Cross, Jeep Compass, Hyundai Cretan e Chevrolet Tracker — todos com vendas acumuladas acima das 30 mil unidades. Talvez seja a hora de mexer no time. De qualquer forma, a Citroën deixou a mudança para o fim do segundo tempo.

Veja as melhores imagens do Citrën C4 Cactus:

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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