“Os Beijos de Lênin” expõe a política chinesa com sátira
A exemplo da inesquecível obra de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, o livro contempla moradores deficientes - cegos, surdos e aleijados
Ligia Braslauskas Literatura|Do R7 e Ligia Braslauskas

Ambientado no final da década de 1990 no vilarejo de Avivada, Os Beijos de Lênin, de Yan Lianke, é uma obra engraçada, divertida e que precisa ser lida. Por trás de um escudo de humor, o autor expõe a política chinesa com uma fábula audaciosa.
A exemplo da inesquecível obra de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, o livro contempla moradores deficientes - cegos, surdos e aleijados. O chefe da aldeia, Liu Yingque, promete dinheiro aos habitantes locais se eles “colaborarem” com seu plano de construir um mausoléu para Lênin, com a desculpa de atrair turistas (e dinheiro) para o local. Mas, claro, como quase todos os líderes que envergam falsas intenções, a de Liu também é egoísta, e o mausoléu, na verdade, servirá para outros fins - quiçá seu próprio leito de morte?
O dinheiro para o mausoléu deve ser arrecadado com as exibições que os deficientes fazem tradicionamente, um tipo de circo dos horrores, que contempla performances estranhas e grotescas, mas que atraem grandes multidões.
É nesse cenário, engraçado e cruel, que o romance se desenvolve em 490 páginas. Vale muito, pode apostar!
Os Beijos de Lênin
Tradução de Alessandra Bonrruquer
490 páginas
R$ 69,90
Editora Record



