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Advogado faz petição inspirada em cordel para cobrar Justiça

Processo se arrasta há dez anos e defensor recorre à poesia para lembrar que autora ainda espera receber dinheiro

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Advogado inova e escreve parte da petição em versos de cordel

No Brasil, justiça e rapidez parecem ser um par de palavras que não combinam. Prova disso é um processo que começou em 2016 e, passados dez anos, a autora ainda espera receber cerca de R$ 100 mil que já foram reconhecidos judicialmente como devidos. É a típica representação de “ganhou, mas não levou”.

A história envolve a compra e venda de um imóvel e tem várias camadas. Se fosse um filme, seria difícil dar a classificação correta, já que começou como um suspense devido à espera de anos e anos. Após o veredito, transformou-se em animação, mas logo deu lugar ao drama de não ver a cor do dinheiro. E agora, eis que o advogado da autora propõe um toque de poesia para que a coisa toda não vire thriller de terror.

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Para que o dinheiro seja pago, a Justiça determinou uma busca nas contas das empresas devedoras em junho de 2025. O sistema de rastreamento acionou a “teimosinha”, apelido da repetição automática de buscas. Mas as tais empresas perdedoras devem ter uma tecnologia mais avançada, já que o sistema até teimou, mas nada achou.

Foi aí que o advogado da autora resolveu inovar. Em vez de uma petição em juridiquês, ele escreveu parte do documento em versos de cordel.

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“Enquanto o calendário gira com o seu compasso ligeiro, o processo foi mudando nesse caminho inteiro. Já passou inverno e seca. Natal e eleição. O governo já mudou, mudou até a televisão. Mas o processo ainda espera o compasso da decisão. O sistema fez seu rumo, cumpriu parte da missão. Mas todo cordel conhece que falta sempre um refrão. Depois do toque de viola, vem a última conclusão. […] Não é pressa desmedida, nem reclamo sem razão. É só lembrança singela de quem confia na Constituição. Sei do peso do gabinete e das pilhas sobre a mesa. Sei que cada decisão exige calma e firmeza.”

Fofo, né? Pena que não resolveu. Mas é claro que nós vamos dar uma ajudinha ao nosso defensor-poeta: “Peça ao juiz bem amado, buscar outro bem a ser penhorado. Pode ser um calhambeque ou um carro envenenado. Só peça que não seja assim tão demorado. Paciência tem limite e já estamos apoquentados.”

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