Não há violência nas escolas, alunos apenas “se expressam fisicamente"
Hoje em dia, falta de educação é “dificuldade de autorregulação” e preguiça indica “aluno com ritmo próprio de aprendizado.”
Melhor Não Ler|Do R7

Josefina é professora em escola pública há quase trinta anos. Infraestrutura precária, falta de recursos baixos salários nunca foram problemas, pois ela sempre tirou tudo isso de letra.
Mas, de uns tempos para cá, ela tem tido dificuldade com os relatórios de performance de seus aluninhos de 15 anos. Apesar de possuir um vasto vocabulário, sua experiência e conhecimentos não têm sido suficientes para as demandas atuais.
O relatório sobre Bento, por exemplo, foi devolvido para que ela alterasse a frase: “Os colegas o apelidaram de ‘FedoBento’ devido aos maus odores. Aluno não toma banho, não escova os dentes e, quando tira o tênis, o chulé invade o ambiente. Necessária colaboração dos pais.” A professora teve de mudar para: “Destacaremos equipe multidisciplinar para apresentar alternativas que estimulem o aluno a desenvolver hábitos próprios de higiene.”
Sobre Valentina, a professora escreveu: “Passa a aula cantando e dançando funk. Se diz compositora, mas não é capaz de escrever uma redação de três parágrafos.” Embora fosse a mais pura verdade, ela teve de reescrever: “Aluna em fase primária de aprendizado, mas sempre comparece motivada às aulas.”
A professora também foi instruída a substituir termos como “falta de educação” por “dificuldade de autorregulação”; “agressividade ou violência”, por “uso de meios físicos para se expressar”, e “preguiça” por “aluno com ritmo próprio.”
Não existem problemas no ensino brasileiro quando os professores aprendem a fazer seu trabalho corretamente, não é mesmo?
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