No Brasil, nada dura mais do que um imposto provisório
O que nasce como exceção sempre se apoia em um “motivo nobre” e luta com unhas e dentes para durar o máximo possível
Melhor Não Ler|Do R7

Há uma lei quase infalível no Brasil: tudo o que o governo cria como “temporário” tem enorme vocação para se tornar praticamente permanente. A exceção vira regra, o provisório ganha estabilidade e o emergencial dura mais do que muito casamento.
Foi assim com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Criada em 1997 para ajudar a financiar a saúde pública, ela nasceu com prazo de apenas dois anos.
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Mas, como todo bom tributo provisório brasileiro, foi sendo prorrogada sucessivamente até 2007. No fim das contas, o que deveria durar dois anos permaneceu em vigor por mais de dez.
O mesmo aconteceu com o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Criado em 2000, com prazo para terminar em 2010, foi prorrogado mais de uma vez e continua existindo. Sim, até hoje.
Como prometeram por aí que o pobre voltaria a comer picanha, vestir-se bem e lotar aeroportos como se fossem rodoviárias, fica a dúvida: no Brasil, é mais fácil acabar com a pobreza ou extinguir um imposto provisório?
Agora você entendeu por que esta coluna se chama Melhor Não Ler.
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