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Matemática brasileira: quem ganha menos pode ganhar menos ainda

Governo isenta IR até R$ 5 mil, mas quem recebe dois salários-mínimos acaba perdendo no PIS/Pasep

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Matemática do Estado brasileiro é diferente da matemática do mundo real

Sabe aquelas promoções que parecem ótimas, mas quando a gente faz as contas percebe que tudo não passou de uma “sensação”? É o que acontece quando comparamos a isenção de Imposto de Renda com o abono salarial do PIS/Pasep para o trabalhador que ganha dois salários-mínimos (R$ 3.242).

Pela regra anterior do abono salarial, quem recebia dois salários-mínimos e trabalhou todos os meses do ano-base tinha direito a receber um salário-mínimo, atualmente R$ 1.621. Até aqui, beleza, mas vamos à parte interessante da matemática do Estado brasileiro.


A promessa do governo ao ampliar a isenção do Imposto de Renda era beneficiar os trabalhadores de menor renda, lembra disso? Então, vamos conferir se a promessa foi cumprida para a faixa salarial em questão.

Quem ganha até dois salários-mínimos deixou de pagar cerca de R$ 50 de Imposto de Renda por mês, o que soma R$ 650 por ano, incluindo o 13º salário. Isso não parece ótimo? Pois é, só parece.


Acontece que o governo mudou a regra do abono salarial já neste ano. Agora, o benefício será pago a quem recebe até 1,96 salário-mínimo, deixando quem recebe dois salários-mínimos completos de fora.

Logo, caro leitor, o trabalhador deixou de pagar cerca de R$ 650 de Imposto de Renda, mas perdeu o direito de receber R$ 1.621 de abono salarial. Diferentemente da matemática do governo (em que o trabalhador ganhou), na matemática do mundo real, esse trabalhador perdeu R$ 971.


Agora você entendeu por que esta coluna se chama Melhor não ler.

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