Logo R7.com
RecordPlus
Melhor Não Ler

Solução ou problema? Ministério do Trabalho cria norma que prejudica garis enquanto diz cuidar deles

Em nome da segurança e da saúde, coletores de lixo alegam estar mais cansados do que nunca

Melhor Não Ler|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Com muita alegria, um
grupo de coletoras de lixo de Belo Horizonte está conquistando muitos
admiradores por onde passa. Enquanto Sara dirige
o caminhão de coleta, Karen, Grazielle e Sinália dançam e cantam, fazendo
sucesso pelas ruas da capital mineira. 

Assista todas às transformações da Hora do Faro no R7 Play!   
Desgaste físico de quem já exerce uma das profissões mais pesadas do país aumentou depois da criação da norma Reprodução / Rede Record

O Brasil é um país fascinante! Pessoas engravatadas que ficam sentadinhas no ar-condicionado, devidamente pagas com dinheiro do contribuinte, criam normas de trabalho para pessoas de cujo trabalho eles não têm ideia de como seja.

A Norma Regulamentadora nº 38 entrou em vigor em janeiro de 2024 com a promessa de aumentar a segurança dos profissionais da limpeza urbana. Intenção louvável, né? Só que o que vale não é a intenção, mas o resultado. E o da NR 38 tem se mostrado bem ruim.


O setor registra centenas de acidentes de trabalho todos os anos e os principais problemas são: quedas de trabalhadores dos caminhões, atropelamentos, acidentes durante a compactação do lixo, lesões por esforço repetitivo, ritmo intenso de trabalho e transporte inseguro de trabalhadores em plataformas e estribos.

Mas o problema surge quando a teoria encontra a prática. Entre outras coisas, a NR 38 determina que o caminhão esteja parado para que o gari embarque ou desembarque do estribo, aquela plataforma na traseira do veículo. Acontece que, no dia a dia, isso é considerado impraticável pelos trabalhadores.


Segundo os próprios garis, várias empresas reorganizaram a coleta de forma que eles precisem correr praticamente durante todo o percurso para acompanhar o caminhão. Um estudo apresentado na Câmara dos Deputados pelo professor Waldir Bizzo, da Unicamp, afirma que um gari pode percorrer até 50 quilômetros por dia e transportar até seis toneladas de lixo.

E como o que vale é o resultado e não a intenção, eis o que aconteceu: o desgaste físico de quem já exerce uma das profissões mais pesadas do país aumentou. Passado mais de um ano da vigência da norma, os próprios garis pedem reavaliação. Quem sabe agora o Ministério do Trabalho passe a criar regras depois de ouvir aqueles que terão de cumpri-las, não é mesmo?


Agora, imagine aplicar a mesma lógica a outras profissões. Para proteger pedreiros, proíbe-se o uso de escadas. Subir no telhado? Nem pensar! Para evitar acidentes na cozinha, proíbe-se o uso de facas. Aliás, melhor parar por aqui. Afinal, a fiscalização do trabalho já impediu jovens aprendizes menores de idade de operar chapas e outros equipamentos de cocção em redes de fast-food. Melhor não dar mais ideias...

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.