Solução ou problema? Ministério do Trabalho cria norma que prejudica garis enquanto diz cuidar deles
Em nome da segurança e da saúde, coletores de lixo alegam estar mais cansados do que nunca
Melhor Não Ler|Do R7

O Brasil é um país fascinante! Pessoas engravatadas que ficam sentadinhas no ar-condicionado, devidamente pagas com dinheiro do contribuinte, criam normas de trabalho para pessoas de cujo trabalho eles não têm ideia de como seja.
A Norma Regulamentadora nº 38 entrou em vigor em janeiro de 2024 com a promessa de aumentar a segurança dos profissionais da limpeza urbana. Intenção louvável, né? Só que o que vale não é a intenção, mas o resultado. E o da NR 38 tem se mostrado bem ruim.
O setor registra centenas de acidentes de trabalho todos os anos e os principais problemas são: quedas de trabalhadores dos caminhões, atropelamentos, acidentes durante a compactação do lixo, lesões por esforço repetitivo, ritmo intenso de trabalho e transporte inseguro de trabalhadores em plataformas e estribos.
Mas o problema surge quando a teoria encontra a prática. Entre outras coisas, a NR 38 determina que o caminhão esteja parado para que o gari embarque ou desembarque do estribo, aquela plataforma na traseira do veículo. Acontece que, no dia a dia, isso é considerado impraticável pelos trabalhadores.
Segundo os próprios garis, várias empresas reorganizaram a coleta de forma que eles precisem correr praticamente durante todo o percurso para acompanhar o caminhão. Um estudo apresentado na Câmara dos Deputados pelo professor Waldir Bizzo, da Unicamp, afirma que um gari pode percorrer até 50 quilômetros por dia e transportar até seis toneladas de lixo.
E como o que vale é o resultado e não a intenção, eis o que aconteceu: o desgaste físico de quem já exerce uma das profissões mais pesadas do país aumentou. Passado mais de um ano da vigência da norma, os próprios garis pedem reavaliação. Quem sabe agora o Ministério do Trabalho passe a criar regras depois de ouvir aqueles que terão de cumpri-las, não é mesmo?
Agora, imagine aplicar a mesma lógica a outras profissões. Para proteger pedreiros, proíbe-se o uso de escadas. Subir no telhado? Nem pensar! Para evitar acidentes na cozinha, proíbe-se o uso de facas. Aliás, melhor parar por aqui. Afinal, a fiscalização do trabalho já impediu jovens aprendizes menores de idade de operar chapas e outros equipamentos de cocção em redes de fast-food. Melhor não dar mais ideias...
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