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Estado brasileiro lucra enquanto você perde (e ainda faz você acreditar que está ganhando)

No Brasil, você paga imposto sobre lucros que jamais teve e ainda agradece pelo “ótimo negócio”

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Seu José vendeu um imóvel por R$ 450 mil, acreditando ter feito um bom negócio, mas pagou R$ 30 mil de imposto sobre um lucro ilusório.
  • A inflação fez com que o valor real do imóvel aumentasse apenas para compensar a perda do poder de compra, resultando em um ganho real de apenas R$ 24 mil.
  • Mesmo assim, o imposto foi calculado sobre um ganho fictício de R$ 200 mil, não considerando a inflação.
  • Seu José já havia pago vários impostos relacionados ao imóvel, questionando o real lucro alegado pelo Estado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Leão do Imposto de Renda
Há mais coisas entre o Leão e o seu bolso do que a ignorância de um mero contribuinte pode compreender Imagem gerada por IA

Seu José da Silva comprou um imóvel em 2016 por R$ 250 mil. Agora, dez anos depois, vendeu a casa por R$ 450 mil. Um excelente negócio, não é mesmo? Pelo menos foi o que a Receita Federal concluiu. Acompanhe o raciocínio do Leão.

Como a diferença entre compra e venda foi de R$ 200 mil, o Estado entende que houve um ganho. Sendo assim, o Leão cobra 15% de Imposto de Renda sobre esse “lucro”. Ou seja, R$ 30 mil saem do bolso do seu Zé, que paga sem reclamar muito, afinal, ele acredita que quase dobrou o seu dinheiro.


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Mas existe um detalhe que seu Zé não faz ideia e que o Leão sabe, mas faz questão de ignorar: a inflação. Segundo o IPCA, índice oficial do IBGE, os R$ 250 mil de 2016 equivalem hoje a pouco mais de R$ 425 mil.

Isso significa que, dos R$ 450 mil recebidos na venda, cerca de R$ 425 mil serviram apenas para recompor o poder de compra perdido ao longo desses dez anos. Ou seja, o ganho real não foi de R$ 200 mil, mas de pouco mais de R$ 24 mil. Mesmo assim, o imposto foi calculado sobre R$ 200 mil, e não sobre os R$ 24 mil.


Logo, o imposto que seu Zé pagou foi maior do que o lucro que ele supostamente teve. E digo “supostamente”, porque há mais coisas entre o Leão e o seu bolso do que a ignorância de um mero contribuinte pode compreender.

Acontece que essa não foi a primeira vez que o Estado tirou dinheiro do bolso de seu Zé por causa desse imóvel.


Antes de comprá-lo, seu Zé já havia pagado Imposto de Renda sobre o salário que lhe permitiu, aos trancos e barrancos, juntar os R$ 250 mil. Durante dez anos, ele pagou o IPTU religiosamente. E, sempre que fez reparos ou reformas, seu Zé pagou impostos embutidos nos materiais de construção e na mão de obra. Agora responda: onde está o tal lucro que o Leão disse que seu Zé teve?

No setor privado, cobrar por um ganho inexistente renderia uma baita ação judicial. Mas quando isso parte do Estado, ganha um nome pomposo: tributação sobre ganho de capital.


Agora você entendeu por que esta coluna se chama Melhor não ler.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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