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Em ‘História Mal Escrita’, Bellizio transforma resiliência em rock e pop

Com um pé no hard rock e outro na pista de dança, artista paulistano estreia com um disco que encara as mentiras da vida moderna para encontrar alguma verdade no caos

Musikorama|Rodrigo d’SalesOpens in new window

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Bellizio mistura a aspereza do rock 80's com a leveza do pop em álbum de estreia Musikorama

Há discos que nascem da calmaria e outros forjados no fogo. “História Mal Escrita (Verdades Mentiras)”, de Bellizio, se enquadra na segunda categoria. A jornada do artista, interrompida por crises de burnout, depressão e um AVC, transforma o lançamento deste álbum em um testamento de resiliência. O se escuta não é apenas um conjunto de canções, mas a crônica de quem fez do recomeço a sua própria linguagem.

O resultado é um trabalho de contrastes bem executados, fruto da ousadia de um artista capaz de unir Aerosmith e Vanusa num mesmo palco e fazer tudo soar coeso. A abertura com a faixa-título, “História Mal Escrita”, funciona como um cartão de visitas para esse universo: uma batida de indie pop contagiante serve de trilha para uma letra sobre o vazio existencial. É a angústia da ressaca emocional musicada com um refrão eficaz e radiofônico.

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"História Mal Escrita" estreia em todas as plataformas New Music Brasil

Essa exploração das relações tortas e da busca por identidade continua em “A Verdade” e “O Que Você Quer de Mim?”. A primeira, uma espécie de bem sucedida fusão entre Dire Straits e Jota Quest, retrata com a friendzone; a segunda, apontando para referências mais contemporâneas como Imagine Dragons, é o desabafo de quem tropeça na comunicação dentro do relacionamento. Bellizio mostra-se um cronista atento das armadilhas afetivas do mundo de hoje. Já “Roubou um Beijo” renova a atmosfera do disco ao trazer uma pegada country e contextualizar com leveza a história da garota que partiu rumo ao Colorado.

É aqui, porém, que o álbum atinge seu centro gravitacional. “Não é Fácil” é uma faixa que carrega um tema de forte apelo: a dor de um pai que precisa se afastar da filha recém-nascida devido a rotina profissional. A canção cresce aos poucos, numa onda de emoção que remete a Def Leppard e Skid Row, mas com identidade própria. É uma faixa de beleza honesta e força silenciosa — uma das canções mais impactantes que ouvi este ano.

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Passado o momento de maior intensidade emocional, o disco retoma o fôlego com o otimismo de “Vem Comigo” e a busca incessante de “A Grande Aventura”. Esta última sintetiza a alma do álbum na frase “Você não sabe o quanto eu procurei”. Porque é disso que se trata o disco inteiro: uma procura. Por amor, por verdade, por si mesmo. Bellizio é um Sísifo moderno que, ao invés de se resignar, escolheu dançar junto do absurdo.

Na reta final, “Calmaria” evoca o rock brasileiro oitentista de Titãs e Barão Vermelho para dar voz à exaustão da mulher moderna, um tema que Bellizio aborda com sensibilidade. O encerramento com a experimental “Nem Olhei” deixa um gosto agridoce e onírico, a confusão de um quase-encontro que espelha as incertezas da própria vida.

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“História Mal Escrita (Verdades Mentiras)” nos mostra que Bellizio, embora em início de jornada, possui uma maturidade artística rara. Ele não emula Titãs ou Jota Quest; bebe das mesmas fontes e entrega algo autêntico. Seu álbum é o relato de alguém que conhece suas feridas e escolheu enfrentá-las com música alta e desejo sincero de viver. Uma estreia que transforma dor e medo em arte, com leveza e profundidade — e ainda nos tira pra dançar.

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“História Mal Escrita (Verdades Mentiras)” está disponível em todas as plataformas de streaming para você conferir. Vale a pena acompanhar os próximos passos de Bellizio nas redes sociais:

@eubellizio @digaomusik @musikoramamusic

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