Meu primeiro dia no Canta Comigo (Parte 1)

Neste artigo, conto um pouco sobre meu primeiro dia como jurado no programa Canta Comigo 4

Edu Garcia/R7

Parte 1

Dia 2 de Abril de 2020 começou diferente. Geralmente acordo entre 7:00 e 8:00 da manhã, tomo meu “balde” de café, leio as notícias e começo meu dia. Às vezes estou fazendo alguma produção, estudo um pouco de áudio ou teoria musical, pratico minha guitarra country, organizo shows ou escrevo um artigo para o Toque-Toque, exatamente como estou fazendo agora. Na manhã em questão fui ao barbeiro. Fiz barba, cabelo e bigode. Dali comi um junk food gorduroso e fui para meu primeiro dia de gravação no Canta Comigo.

Estava um pouco apreensivo. Desde que me mudei para os EUA em 2014 fiquei de fora do que acontece no mundo artístico brasileiro, e não sabia muito bem o que esperar. Sabia que tinha um pouco de propriedade para estar ali, analisando o trabalho dos candidatos em caráter técnico, artístico e emocional, mas o aspecto social de lidar com outros 100 jurados, numa produção com mais de 150 pessoas, me assustava.

Rodrigo Faro e o painel de Jurados do Canta Comigo 4

Rodrigo Faro e o painel de Jurados do Canta Comigo 4

Antônio Chahestian/Record TV

No estacionamento, enquanto esperava a van que nos levaria ao estúdio para a gravação do piloto, calcei minhas botas de cowboy, arrumei o lenço e dei aquele último tapa no bigode. “De qual dupla você é”?, me perguntou uma das juradas. “De nenhuma”, respondi, “faço Country Music”. Pensei: “Já era! Vou ficar isolado aqui”. E qual seu nome? “Leo Von”, “prazer Leo, eu sou a Margareth. Você quer chocolate”? Margareth Pires é irmã do tenor Jorge Durian, que já havia se apresentado comigo no espetáculo "Beatles e Orquestra" no Theatro São Pedro em São Paulo. Mas até então eu não sabia. Ela sempre leva doces e salgados, e nos ajuda a ficarmos sustentados e energizados durante as longas gravações, uma irmãzona.

Fui me apresentando aos outros jurados que estavam ali aguardando a van, conhecendo alguns, reconhecendo outros, e revendo gente que não via há anos. A primeira pessoa a me reconhecer foi a Graça Cunha. Ela vivia no programa de TV do meu pai e já havíamos estado juntos em diversas ocasiões, mas coincidentemente, assistiu uma apresentação que fiz na televisão uma semana antes. “Ah, você é o Leo”! Comecei a me sentir em casa.

Tatá e Leo Von durante as gravações do Canta Comigo 4

Tatá e Leo Von durante as gravações do Canta Comigo 4

Tata Martinelli

Aí que surge de moto o Jão do Ratos de Porão. Meu primeiro momento “fanboy”. Tatá Martinelli que estava ali, perguntou se eu gostava de Rock. Dei risada, concordei com a cabeça, e começamos um papo sobre Motörhead, Dio, Beatles, Rita Lee… Tatá me pegou pela mão e me apresentou à todos. Fui tão bem recebido, tão bem acolhido que nem estava acreditando. Então, meu segundo momento como fã. Bruno Sutter do Hermes e Renato, meu ídolo desde a adolescência, aparece ali. Estava comendo batatas fritas e tomando um refrigerante quando eu disse: “E aí Chapolin! Tudo bem?”. O olhar de estranheza, confusão mental e desconforto no rosto do meu ídolo eram nítidos. Ele me fitou por 5 segundos, acenou com a cabeça e timidamente disse: “Opa. Tá servido”?, oferecendo batatas fritas.

Entramos no ônibus, fiquei ouvindo o Jão do Ratos conversando com o Gabriel Thomaz do Autoramas sobre o novo disco solo do Jão que estava para sair. Então, do nada, ouço lá de trás do ônibus uma exclamação: “LEO”!? Era o Bruno Sutter cuja ficha havia caído. Veio até meu assento me cumprimentar, me deu um abraço e disse: “Cara, não te reconheci, você tá com barba. A última vez que nos vimos você tinha cara de criança ainda. Não entendi nada quando me chamou de Chapolin. Só o pessoal do Hermes e Renato me chama assim”! “Pois é, sou pouco fã”, respondi.

Continua...

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