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Pai de cachorro

Ou a gente muda de verdade ou outros ‘Orelhas’ sofrerão

Por isso que o caso do Orelha é emblemático. Ele mostra como nossa sociedade realmente está doente

Pai de Cachorro|Celso ZucatelliOpens in new window

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Cão Orelha, que foi agredido por adolescentes na Praia Brava Reprodução

É triste afirmar isso, mas toda a nossa mobilização sobre a violência contra o cãozinho Orelha em Santa Catarina não deve dar em nada. E eu digo isso com dor no coração, porque fizemos a mesma coisa quando foi com o Manchinha, morto em Osasco, com o cavalo branco que teve as patas cortadas em Bananal, além de tantos outros. E vamos continuar fazendo, sempre, porque é o nosso papel: pedir justiça. Mas tá na hora de exigir mais.


Eu lembrei, ao vivo no Hoje em Dia desta terça-feira (27), que atualmente temos muitos políticos que defendem a causa animal e ainda bem. Porque isso endureceu um pouco a legislação, mas, principalmente, porque coloca gente interessada no tema para cobrar de verdade o cumprimento das leis que já existem, por mais fracas que elas sejam.

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Só que isso não é suficiente, não é. E você, leitor, sabe bem disso. Primeiro porque as leis brasileiras sempre têm muitas brechas que permitem que os culpados dos mais absurdos atos escapem com quase nenhuma punição. E, obviamente, não tô falando aqui apenas da violência contra os animais, e sim de tantos e tantos crimes cometidos diariamente.


Por isso que o caso do Orelha é emblemático. Ele mostra como nossa sociedade realmente está doente. Se houver a comprovação de que os adolescentes foram os autores, teremos mais uma prova de que o respeito pela vida está deixando de existir. Quem se diverte fazendo um ser indefeso sofrer? Quem tem prazer em machucar e observar a dor de um ser vivo? Eu não consigo entender, não entra na minha cabeça uma coisa assim.

Quem me assiste na TV sabe que, toda vez que tem notícia de assalto com reação da vítima, eu reforço que não devemos fazer isso, não devemos reagir, porque, para o criminoso, nossa vida não vale nada. Por um celular, um ladrão destrói uma família em segundos, sem nenhum remorso. E eu estou dizendo isso porque mostro histórias assim todos os dias.


O problema é que, de um bandido, eu não espero nada diferente, mas eu quero esperar atitudes diferentes do resto das pessoas, de jovens que estão caminhando na praia. Parece que a gente aprendeu tanto nos últimos tempos sobre respeito pelo próximo, pelas escolhas dos outros, pelo espaço de cada um na sociedade. Mas quando surge uma história assim, a pergunta inevitável é: será que estamos mesmo melhorando? Porque não parece.

Zucatelli e Hambúrguer, quando foi adotado Reprodução/acervo pessoal

Eu não quero, de forma alguma, dizer que não tem mais jeito, porque eu sou otimista e sempre vou acreditar que podemos corrigir o rumo. E, mais uma vez, eu começo pedindo leis mais duras, que façam as pessoas entenderem que o único caminho é fazer a coisa certa e, se a escolha for outra, vai ter punição de verdade: cadeia. Esta sensação de impunidade é um câncer no Brasil.


Eu nunca falei sobre isso, mas quando resgatamos o Hambúrguer, ele tinha no corpo uma marca que lembrava uma queimadura feita com cigarro. Eu sempre fiquei me perguntando quem teria coragem de fazer algo assim com um cachorrinho indefeso e doente? Pra que provocar sofrimento? Com todo o amor do mundo, aquela cicatriz foi sumindo e hoje, graças a Deus, é até difícil de encontrar. Mas sempre que eu falo do resgate dele, eu me lembro disso, indignado por imaginar a dor que ele sentiu e feliz por saber que ele não se lembra mais dela.

Eu espero estar enganado sobre o que eu escrevi no primeiro parágrafo. Precisamos seguir nesta cobertura e cobrando mudanças, para que a dor do Orelha não seja mais uma para se juntar à próxima história de crueldade contra estes seres que só esperam da gente um pouco de amor. Vamos acordar.

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