Cão farejador da polícia pode ter ajuda de ‘nariz eletrônico’ para identificar corpos humanos
Tecnologia poderia ser uma alternativa para realizar buscas em áreas consideradas perigosas para pessoas e animais
Bichos|Do R7
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Cães farejadores que são treinados para encontrar corpos humanos podem ganhar a ajuda de um “nariz eletrônico”. Os primeiros testes já estão sendo realizados e foram documentados em um artigo publicado na revista científica Plos One.
“Este estudo testou se um nariz eletrônico poderia detectar restos humanos enterrados e ajudar a confirmar alertas feitos por cães farejadores de cadáveres”, disse Amber O. Brown, da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália. Segundo ela, o nariz eletrônico, que ganhou o nome de NOS.E, um trocadilho com a palavra “nariz” em inglês, oferece às autoridades policiais uma maneira objetiva de avaliar se o treinamento dos cães farejadores está funcionando.
Os cães farejadores de cadáveres estão entre as melhores ferramentas para localizar restos humanos enterrados, mas pouco se sabe sobre os odores exatos que eles detectam.
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Segundo Brown, a decomposição passa por cinco estágios distintos, cada um produzindo odores diferentes em concentrações diferentes. “Isso torna o treinamento muito mais complicado do que ensinar um cão a detectar uma substância relativamente estável”, disse.
“Ao monitorar essas mudanças químicas em tempo real, podemos ser capazes de identificar se os cães precisam de mais treinamento nos estágios iniciais ou posteriores da decomposição”, acrescentou.
Como foram os testes
O NOS.E foi testado com cães policiais em uma vala comum clandestina, em um cenário de pessoa desaparecida de longa duração, envolvendo restos mortais enterrados por mais de três meses.
O sistema de detecção de odores por meio de nariz eletrônico coletou amostras do local do enterro e das áreas de controle circundantes, enquanto cães policiais vasculhavam o local de forma independente.
“Não sabemos exatamente o que eles estão cheirando: se é um único composto ou uma combinação de compostos. O nariz eletrônico pode fornecer maior certeza durante o treinamento, mostrando se o odor de decomposição está presente em uma área, inclusive quando o cão não dá o sinal’, disse Maiken Ueland, diretora da Instalação Australiana de Pesquisa Experimental Tafonômica, em um comunicado à imprensa divulgado pela universidade. “Cães farejadores de cadáveres são uma ferramenta incrivelmente valiosa, mas treiná-los é complexo”, afirmou.
Tecnologia vai substituir o animal?
“Os cães têm um olfato superior e conseguem vasculhar uma área rapidamente, enquanto a tecnologia pode nos dizer mais sobre os produtos químicos detectados”, disse Ueland. “O nariz eletrônico pode servir como uma ponte entre a extraordinária capacidade olfativa de um cão e os sinais químicos que os humanos conseguem medir e compreender”, acrescentou.
Segundo a professora, o nariz eletrônico pode ser uma alternativa para realizar buscas em áreas que podem ser perigosas para pessoas e animais, como em desastres de grandes proporções.
Perfil de um cão farejador de cadáveres
Não é apenas o treinamento que entra em jogo ao determinar se um cão é adequado para o trabalho de detecção de cadáveres.
Além da obediência e agilidade, também são necessárias perseverança inata e um forte instinto lúdico, afirmou o policial sênior Camilleri, ao jornal australiano ABC. A recompensa ao final da busca precisa ser um fator motivador significativo para que os cães permaneçam engajados por longos períodos.
“Eles precisam ser de alto padrão, e um cachorro que não vai se sentar na sombra depois de cinco minutos correndo por aí. Eles trabalham por longos períodos de tempo”, disse.
A Austrália conta com grupos de animais especializados em farejar cadáveres. Por ser uma equipe pequena, muitas vezes os cães devem fazer longos deslocamentos, atravessando diferentes estados para cumprir sua missão.















