Logo R7.com
RecordPlus
R7 Viva a Vida

Como os cães influenciam o comportamento de onças-pardas no interior de SP

Felinos evitam retornar a locais por onde os cachorros passaram, permanecendo afastados entre 74 horas e até seis dias

Bichos|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo da Unesp revela que cães influenciam o comportamento das onças-pardas em áreas protegidas de São Paulo.
  • As onças evitam locais por onde cães passaram, demorando em média 74 horas para retornar.
  • A presença de cães leva as onças a utilizarem os mesmos espaços em horários diferentes, caracterizando uma "evitação temporal".
  • Os pesquisadores recomendam medidas para reduzir a circulação de cães em áreas de conservação para proteger as onças-pardas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Presença dos cães não impede que as onças ocupem as mesmas áreas Reprodução/Jornal da Record

Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que os cães podem alterar o comportamento das onças-pardas em áreas protegidas do interior de São Paulo. Publicada na revista científica Biological Conservation, a pesquisa mostrou que os felinos evitam retornar a locais por onde os cachorros passaram, permanecendo afastados por cerca de 74 horas e, em alguns casos, entre cinco e seis dias.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram 67 armadilhas fotográficas na Estação Ecológica de Santa Bárbara e na Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara. Ao longo de mais de 10 anos de monitoramento, foram registrados 194 avistamentos independentes de onças-pardas e 300 de cães domésticos, permitindo analisar como as duas espécies compartilham o ambiente.


Veja Também

Os dados mostraram que, após a passagem de um cão, as onças demoravam, em média, 74 horas para voltar ao mesmo ponto monitorado. Já outras espécies, como presas e animais considerados neutros, retornavam em cerca de 25 a 33 horas. Segundo os pesquisadores, esse comportamento indica uma estratégia de evitar temporariamente áreas frequentadas por cães, mesmo sem confrontos diretos.

A pesquisa também identificou que a presença dos cães não impede que as onças ocupem as mesmas áreas, mas faz com que utilizem esses locais em momentos diferentes. Os cientistas classificam essa resposta como uma “evitação temporal”, ou seja, uma mudança no horário e no momento em que o felino utiliza determinado espaço.


Além da mudança de comportamento, os pesquisadores observaram que as onças-pardas ocupam preferencialmente áreas com vegetação nativa, enquanto os cães se concentram próximos a estradas e regiões com maior presença humana. Nas áreas onde havia mais circulação de cães e maior modificação da paisagem, a probabilidade de ocorrência das onças foi menor.

Ainda de acordo com os autores, os cães podem representar uma perturbação ecológica para grandes felinos, não apenas pela possibilidade de ataques ou transmissão de doenças, mas também por alterarem o uso do espaço e os padrões naturais de atividade desses predadores.


Diante dos resultados, os pesquisadores defendem medidas para reduzir a circulação de cães em unidades de conservação, como programas de posse responsável, castração, fiscalização e ações de conscientização junto às comunidades vizinhas. Eles alertam que controlar a presença desses animais é importante para a conservação da onça-parda, considerada vulnerável no estado de São Paulo.

Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.