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Como um rato está revelando os segredos para retardar o envelhecimento em humanos

Cientistas investigam os mistérios moleculares da espécie para que suas adaptações de longevidade possam ser aplicadas em gente

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O rato-toupeira-pelado é o roedor de vida mais longa, com expectativa de até 41 anos.
  • Cientistas estudam o animal para descobrir segredos sobre o atraso do envelhecimento em humanos.
  • Mecanismos de longevidade incluem a eliminação de células senescentes e a proteção do genoma.
  • Pesquisas visam adaptar os benefícios do rato-toupeira para melhorar a saúde humana no futuro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um rato-toupeira-pelado é criado em laboratório na Universidade de Kumamoto, no Japão Yoshimi Kawamura e Kyoko Miura/Universidade de Kumamoto

O rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber) é uma espécie de mamífero nativa da África Oriental que desafia as leis biológicas convencionais, sendo o roedor de vida mais longa conhecido. Com uma expectativa de vida superior a 37 anos, podendo chegar aos 41 anos, ele vive cerca de dez vezes mais do que outros roedores de tamanho semelhante. Além de sua longevidade, o animal desperta grande interesse científico por sua capacidade única de retardar o envelhecimento e resistir a doenças degenerativas, como câncer, artrite e doenças cardiovasculares, possuindo uma constituição genética mais próxima da humana do que a de camundongos.

Devido a essas propriedades, diversas pesquisas científicas têm focado no estudo deste animal para investigar a possibilidade de desenvolver métodos e terapias que possam retardar o envelhecimento em seres humanos. O objetivo fundamental é desvendar os segredos moleculares dessa espécie para que suas adaptações de longevidade possam ser exportadas e aplicadas em benefício da saúde humana no futuro.

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Um dos mecanismos centrais dessa resistência, investigado por Kyoko Miura, professora do Departamento de Pesquisa sobre Envelhecimento e Longevidade da Universidade de Kumamoto, no Japão, envolve a senescência celular — processo em que as células param de se dividir permanentemente.

Nesse contexto, os fatores INK4a e RB desempenham um papel fundamental: eles funcionam como reguladores essenciais do ciclo celular que, ao serem ativados por sinais de envelhecimento ou danos ao DNA, bloqueiam a capacidade de proliferação da célula, sendo indispensáveis para a indução do estado de senescência. Enquanto em humanos e camundongos as células senescentes se acumulam e promovem inflamação crônica, a morte celular mediada por INK4a-RB no rato-toupeira-pelado facilita a remoção dessas células.

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Esse processo de eliminação seletiva, chamado de “senólise natural”, ocorre devido ao acúmulo de serotonina nos fibroblastos do animal; após a indução da senescência, a enzima MAO (monoamina oxidase) metaboliza essa serotonina, liberando peróxido de hidrogênio e induzindo a morte das células envelhecidas por estresse oxidativo.

A estabilidade genômica é outro pilar da longevidade desta espécie, conforme identificado pelo pesquisador Yu Chen e seus colegas, da Universidade de Tongji, em Xangai, China, em um estudo publicado na revista Science em 2025.

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Eles descobriram que mutações evolutivas em apenas quatro aminoácidos da enzima cGAS permitem que a proteína persista em níveis elevados no núcleo após danos ao DNA, fortalecendo o reparo por recombinação homóloga (HR) por meio da interação com os fatores FANCI e RAD50. Estes fatores são proteínas de reparo essenciais que atuam como componentes-chave da via de recombinação homóloga, sendo responsáveis por identificar quebras no DNA e coordenar a reconstrução precisa do material genético, garantindo a integridade do genoma contra o desgaste do tempo. Em outras espécies, como humanos, a cGAS pode suprimir esse reparo, mas no rato-toupeira ela atua protegendo a integridade genética. Esse papel nuclear inesperado da cGAS abre novas perspectivas sobre a complexidade da proteção do genoma.

Pesquisadores transferiram com sucesso um gene da longevidade de ratos-toupeira-pelados para camundongos, resultando em melhorias na saúde e no aumento da expectativa de vida dos animais J. Adam Fenster/Universidade de Rochester

Complementando esses mecanismos, os professores de biologia e medicina Vera Gorbunova e Andrei Seluanov, da Universidade de Rochester, em Nova York, Estados Unidos, descobriram que o rato-toupeira possui cerca de dez vezes mais ácido hialurônico de alto peso molecular (HMW-HA) do que os seres humanos. Essa substância é responsável pela incomum resistência ao câncer da espécie e, quando o gene responsável por sua síntese (has2) foi transferido para camundongos, resultou em menor inflamação, intestinos mais saudáveis e um aumento de 4,4% na vida média dos animais.

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Gorbunova afirma que este estudo, publicado na Nature em 2023, serve como uma prova de princípio de que mecanismos de longevidade podem ser exportados para outros mamíferos. Atualmente, a equipe de Seluanov trabalha na identificação de moléculas que retardem a degradação desse ácido ou aumentem sua síntese, visando adaptar esses benefícios para melhorar a saúde humana.

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