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Michael Jackson? Peixe é filmado fazendo passo similar ao ‘moonwalking’ na China

Espécie pertence à família Peristediidae e possui estruturas semelhantes a pequenas pernas nas nadadeiras

Bichos|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisadores na China descobriram um peixe, o Scalicus engyceros, que realiza movimentos semelhantes ao 'moonwalk' de Michael Jackson.
  • O peixe-corvo-armado utiliza suas nadadeiras peitorais como pernas para se locomover pelo fundo do oceano, incluindo a habilidade de andar para trás.
  • O estudo 'Walking Fish' documentou pela primeira vez esse comportamento, destacando a evolução das estratégias de locomoção e alimentação do peixe.
  • As expedições também observaram outras espécies da família Peristediidae, sugerindo adaptações específicas a diferentes ambientes do Mar da China Meridional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Peixe da espécie 'Scalicus engyceros' é conhecido como peixe-corvo-armado Reprodução/https://spj.science.org/

Um peixe encontrado em águas profundas do Mar da China Meridional chamou a atenção de pesquisadores por apresentar uma habilidade incomum: além de se locomover pelo fundo do oceano, o animal consegue andar de lado e também se deslocar para trás, em um movimento que lembra o famoso “moonwalk”, popularizado por Michael Jackson.

O comportamento foi registrado durante expedições realizadas por pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen e do Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong, em três regiões ao norte do Mar da China Meridional. As observações foram feitas com veículos capazes de realizar mergulhos em grandes profundidades, permitindo que os cientistas acompanhassem os animais vivos em seu hábitat natural.


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O protagonista das imagens é o Scalicus engyceros, conhecido como peixe-corvo-armado. A espécie pertence à família Peristediidae e possui estruturas semelhantes a pequenas pernas nas nadadeiras peitorais, utilizadas como apoio para caminhar sobre o sedimento.

O estudo, intitulado “Walking Fish”, foi publicado em 30 de julho na revista Ocean-Land-Atmosphere Research. Segundo os pesquisadores, embora esses peixes sejam conhecidos desde o século 19, nunca havia sido documentada a capacidade de caminhar para trás — e esse tipo de movimento não havia sido observado em nenhum outro peixe.


Estruturas que funcionam como pernas

O peixe-corvo-armado possui raios livres nas nadadeiras peitorais. Essas estruturas rígidas ficam separadas da parte principal da nadadeira e podem ser movimentadas de maneira independente, permitindo que o animal se apoie no fundo e avance pelo sedimento.

As nadadeiras peitorais são achatadas e arredondadas e ajudam o animal a manter o equilíbrio enquanto caminha ou nada. Outra característica peculiar está na região da cabeça: o animal possui barbilhões que se projetam lateralmente e têm aparência semelhante a um rastelo.


Embora essas estruturas possam parecer um obstáculo para a locomoção, elas têm uma função importante na alimentação. Ao se movimentar pelo fundo, o peixe utiliza os apêndices para tocar, sondar e remexer o sedimento em busca de possíveis presas. Os pesquisadores acreditam que a maneira de caminhar pode ter evoluído em conjunto com essa estratégia de alimentação.

A aparência também contribuiu para o apelido de “híbrido de peixe e camarão”. Além das estruturas semelhantes a pernas, o animal apresenta raios nas nadadeiras e movimentos rápidos que, quando ameaçado, podem lembrar os saltos característicos dos camarões.


O comportamento diante dos veículos de pesquisa também intrigou a equipe. Apesar de não parecer perceber a aproximação do equipamento, o peixe movimentou os olhos quando foi atingido pelo feixe de luz utilizado durante a observação.

A reação indica que os olhos ainda apresentam algum grau de sensibilidade luminosa. Para os cientistas, a descoberta levanta a possibilidade de que a espécie tenha algum contato com ambientes onde exista luz em determinados períodos de seu ciclo de vida.

Outros peixes foram encontrados

Durante as mesmas expedições, os pesquisadores observaram outros dois integrantes da família Peristediidae: Paraheminodus murrayi e Peristedion liorhynchus. Os animais foram registrados em áreas diferentes do Mar da China Meridional.

Um dos registros foi feito a 351 metros de profundidade, no monte submarino Xianbei, onde estava o Scalicus engyceros. O Paraheminodus foi observado a cerca de 473,5 metros, nas Ilhas Zhongsha, enquanto o Peristedion liorhynchus foi encontrado a aproximadamente 394,8 metros, no cânion de Shenhu.

Para os pesquisadores, a presença das espécies em ambientes distintos pode indicar que populações diferentes desenvolveram adaptações específicas às condições de cada região.

No caso do Peristedion liorhynchus, seis indivíduos foram observados no cânion de Shenhu, o que pode indicar que o local seja um hábitat importante para a espécie ou abrigue uma população local relativamente estável.

A utilização de veículos submersíveis, como equipamentos operados remotamente e veículos tripulados, permitiu observar comportamentos que dificilmente seriam identificados em estudos baseados apenas em animais capturados e preservados.

Para os cientistas, acompanhar os peixes vivos possibilita compreender não apenas sua anatomia, mas também como suas estruturas corporais são utilizadas no ambiente natural.

A equipe pretende agora investigar de que maneira os apêndices semelhantes a rastelos, a capacidade de caminhar e as estratégias de alimentação evoluíram conjuntamente. A expectativa é entender melhor como as condições extremas das profundezas oceânicas podem favorecer o surgimento de estruturas e comportamentos pouco comuns.

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