Análise: Depressão e finanças, qual a relação?
Diversas pesquisas apontam que as pessoas estão mais deprimidas do que nunca, ao mesmo tempo que estão trabalhando mais do que nunca. Por quê?
Patricia Lages|Do R7

Vivemos uma época que se traveste de liberdade, mas que, no fundo, traz em si diversas ditaduras. Todos têm de ser bem-sucedidos, prósperos, felizes e viverem seu propósito 24 horas por dia, sete dias por semana.
As mulheres têm de ser lindas desde o momento em que acordam até a hora em que vão dormir, ao mesmo tempo que devem ser empoderadas, profissionais supercompetentes e as melhores mães do mundo.
Os homens, que antes tinham um papel claro como provedores, não sabem mais o que fazer diante de uma sociedade que censura quase tudo que aprenderam desde a infância. Eles devem ser sensíveis, chorar, demonstrar suas fraquezas e reconhecer que não são nada sem as mulheres.
O trabalho consome a maior parte dos dias e não há tempo nem sequer para raciocinar e analisar o que está acontecendo à nossa volta. A corrida pelo dinheiro e pelo poder tem atingido todas as camadas da sociedade, fazendo as pessoas correrem em busca do que elas nem sabem direito o que é.
É evidente que o dinheiro nos faz viver com mais conforto, mas o que muitos de nós não temos considerado é que o dinheiro traz conforto somente ao corpo, à matéria, mas nós não somos apenas corpo. Tenhamos a crença que for, sabemos que somos formados de corpo, alma e espírito e essa corrida desenfreada, quando bem-sucedida, consegue apenas prover o conforto do corpo, mas jamais dará alívio à alma.
O resultado dessa equação está claro: depressão. E não uma depressão como conhecíamos até então, que afetava pessoas adultas. Hoje, a doença tem abatido os jovens e até mesmo crianças na mais tenra idade.
Como adultos depressivos irão educar, ajudar e acolher jovens e crianças depressivas? Qual política pública pode mudar isso? Qual doação do bilionário da vez poderá fazer a diferença diante de um quadro assim?
A verdade é que, enquanto trabalharmos para cuidar apenas de uma parte de quem somos, seremos pessoas incompletas, como se estivéssemos caminhando com uma perna só, sem apoio e em um caminho tortuoso.
É preciso enxergar além da matéria e saber que somos mais do que nossos olhos físicos percebem. Que cada um de nós busque também o cuidado da alma e do espírito, para que possamos ser pessoas completas, felizes e verdadeiramente livres.
Patricia Lages
É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.













