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Patricia Lages

Análise: oportunismo de quem lucra com a confusão

Apesar de estarmos vivendo na época da informação, as pessoas estão mais confusas do que nunca, enquanto empresas oportunistas lucram

Patricia Lages|Do R7

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Há poucos dias Paola Carosella – chef de cozinha conhecida nacionalmente como jurada de um reality show – postou um comentário em seu Twitter que deu o que falar. Nele, Carosella comenta sobre o lançamento de um “hambúrguer de plantas” de uma rede de fast food:

A opinião da chef teve grande repercussão na mídia e levantou diversas questões como, por exemplo, não querer comer carne para viver de forma mais natural e saudável, mas querer sentir o sabor da carne, ainda que seja artificial.


Veganos e vegetarianos convictos e fiéis aos seus ideais não frequentam redes de fast food, mas com o crescimento desses movimentos, as grandes redes não querem perder clientes. Por isso, oportunamente criam estratégias mirabolantes para propor formas de manter seus ideais e sua saúde em dia com menos sacrifícios e sem abrir mão de nada – como se isso fosse possível. É como se dissessem: “se o problema é comer carne, mas você gosta do sabor, coma nossa gororoba ultraprocessada e seja feliz! Veja como nós nos preocupamos com você! Venha e traga a sua carteira!”

No fim das contas, não sabemos ao certo se café faz mal, se os ovos vão nos matar, se açúcar é pior que adoçante e se chocolate é mesmo bom para TPM. Diante disso, a indústria alimentícia lucra de todos os lados, pois oferece tanto o que dizem que faz mal quanto o que juram que faz bem. Não há idealismos quando o assunto é dinheiro.


Da mesma forma, empresas como a gigante mundial Mattel, fabricante da Barbie, se valem da confusão de gênero – que até a década passada nem sequer existia – para oferecer “soluções” que agradem todos os lados.

Os bonecos sem gênero recém-lançados não afastam aqueles clientes que passaram a odiar a Barbie feminina por acharem que ela “induz” meninas a serem meninas, agindo como pessoas do sexo feminino só porque, digamos, nasceram meninas!


Para incrementar ainda mais as vendas, haverá vários kits colecionáveis que podem proporcionar mais de 100 opções de combinações. E não é que essa ideia de gênero fluído é mesmo excelente para a indústria de brinquedos? Afinal de contas, os meninos que antes não queriam Barbies agora poderão ter os bonecos sem gênero. Que grande sacada para engrossar os lucros, não?

As bonecas da Mattel que "celebram a diversidade"
As bonecas da Mattel que "celebram a diversidade"

Mas é claro que a Mattel informa que sua intenção é “celebrar a diversidade” e, através do Twitter, postou que “a linha de bonecos foi feita para manter todos os rótulos de fora e convidar todo mundo a participar”. Óbvio! Quem quer menos clientes? Venham todos!

A verdade é que empresas existem com o propósito de lucrar e, para isso, precisam se reinventar para não perder mercado. Mesmo sabendo de sua enorme influência, principalmente em relação às crianças, muitas empresas se eximem da tarefa de educar e não se importam a mínima com as confusões que esse tipo de produto pode gerar. Vai entrar mais dinheiro nos caixas? Então está valendo!

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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