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Aprendiz de cozinheira

Giovana Sonda faz cestas que carregam histórias e comidas do Brasil inteiro

Fundadora da Gio Sonda constrói negócio que costura produtos únicos vindos de diversas partes do Brasil, tudo entregue em mãos, pensados para ficar na casa de quem recebe

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Giovana Sonda cria cestas personalizadas com produtos e comidas brasileiras, focando em histórias e afetos.
  • Ela fundou a Gio Sonda, um ateliê em São Paulo que valoriza pequenos produtores e experiências únicas.
  • As cestas combinam alimentos escolhidos com carinho e objetos duradouros, visando criar memórias para quem recebe.
  • Giovana planeja expandir seu negócio com novas ofertas, mantendo o compromisso com qualidade e a conexão emocional no presente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Giovana Sonda produz cestas de presentes com produtos gastronômicos artesanais e exclusivos
Giovana Sonda produz cestas de presentes com produtos gastronômicos artesanais e exclusivos Divulgação

Giovana Sonda faz cestas de presente personalizadas. São comidas e produtos que fazem sentido para quem dá e para quem recebe. Sua história com a comida e a gastronomia começa cedo, no interior gaúcho, na família italiana com mesa numerosa e com a mãe que não gostava de cozinhar.

“Eu aprendi a cozinhar porque eu gostava de comer. Com sete anos já ficava horas preparando ingredientes para fazer uma sopa”, lembra ela. A leitura entrou junto, voraz e sem cerimônia. Filha de um empresário que começou como caminhoneiro, leu tudo que encontrou pela frente e ainda hoje grifa os livros, guarda cadernos com frases, doa só o que não terminou.


Esse hábito voltou décadas depois em forma de etiqueta pendurada nas cestas de presente. Mas nada foi de repente. Foi estudar para valer. Fez escola de gastronomia, cursos com culinaristas, teve receitas publicadas na Prazeres da Mesa.

As cestas reúnem o melhor de cada área, de cada produtor. Um pão de fermentação natural, queijo, vinho, azeite, uma flor discreta e a frase escolhida a dedo, além de algum objeto que permanece quando a comida acaba. À primeira vista, parece presente.


Mas, nas mãos de Giovana Sonda, vira uma mesa possível entre pessoas que não estão no mesmo lugar ou no mesmo momento. Foi nessa fresta, entre a falta do abraço, a pressa da vida urbana e o desejo de oferecer cuidado sem cair no brinde automático, que ela construiu a Gio Sonda, um ateliê e empório de cestas e presentes personalizados em São Paulo, ancorado em gastronomia, curadoria, afeto e pequenos produtores.

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A comida de Giovana já circulava em linguagem de serviço e escolha de produto antes de virar negócio próprio. O restaurante veio em seguida, numa casinha de cem anos na zona oeste de São Paulo, com louças garimpadas e enfeitada com velas e flores e só 46 lugares.


A casa abria só às quintas. O cardápio saía na segunda. Não havia hora para chegar nem para sair. “A pessoa ficava na mesa até a hora que quisesse.” Batizados, casamentos, aniversários. Bombou. Mas, desde aquela época, a ideia inicial era fazer um empório de produtos alimentícios. “Eu queria ter os potinhos, os molhos, os azeites.”

Giovana começava a se incomodar com a lógica do restaurante: o prato tem que sair igual, no tempo certo, na temperatura certa, sempre igual. Lá no restaurante, já fazia pratos e refeições para presentear. “A gente comprava uma cerâmica linda, fazia uma mousse de chocolate, amarrava num tecido. Começamos com oito cestas no Dia dos Pais. As pessoas ligavam, compravam, acabava.”


A sociedade acabou. “Chegou um momento em que eu fui ter o segundo filho e falei: o que é meu? Qual era o meu brinquedo predileto na infância? O fogãozinho, o liquidificador, fazer massa de pão com a minha avó Tudo era ali, tudo era ao redor da mesa”, conta ela.

Depois de uma viagem a Visconde de Mauá, de onde voltou com o porta-mala cheio de coisas boas, Giovana mandou a sugestão das cestas montadas para os clientes antigos em um Dia das Mães. Vendeu tudo em horas.

E Giovana tomou esse lugar que já era seu. Passou a montar cestas com o que garimpava em viagens, pendurando suas frases e poemas do lado de fora da cesta. “É muito legal trabalhar com isso. Você está levando amor e afeto o tempo inteiro para as pessoas”, conta Giovana.

Essa decisão é o coração do negócio. A Gio Sonda foi fundada há 12 anos. O ateliê hoje funciona em Pinheiros, com equipe formada só por mulheres, e o catálogo oscila entre presentes de R$ 80 até onde o céu é o limite no caso dos ultra-personalizados.

Ficou um ano trabalhando sozinha. Só ela, os pedidos, o WhatsApp e a convicção de que havia uma fresta enorme entre o vinho que qualquer adega vendia e o presente que de fato pegava no coração. “Você compra um Brunello incrível e leva para uma pessoa rica, que já recebeu tantas garrafas boas que vai esquecer quem deu. Perdeu o momento do presente”, acerta Giovana.

Por que a maioria dos presentes não fica? Não no sentido de durar, mas no sentido de permanecer como gesto, como memória, como alguma coisa que faz a pessoa lembrar quem deu. Doze anos depois, essa pergunta virou empresa e clientes que vão do Boticário a clínicas de fertilização, passando por artistas, celebridades e executivos.

Produtos garimpados

As cestas são recheadas por comidas, bebidas e produtos garimpados entre produtores espalhados por quilombos baianos, montanhas do Espírito Santo e uma estrada de terra no Paraná que Giovana percorreu na chuva para encontrar uma artesã que tinha ido de moto emprestada desligar a própria luz.

Há dez anos, Giovana guardou um recorte de jornal sobre uma associação de mulheres trançadeiras de palha de milho no interior do Paraná, a cerca de duas horas de Curitiba. Pegou o carro com o marido, Rafael Fonte, e foi. Chuva, frio, estrada de terra, patrola de obra abrindo caminho para o carro passar.

Chegou na casa da artesã Maria Mariano Nascimento e ouviu que a mulher não estava, que o marido dela tinha ido embora e que ela havia parado de produzir cestas e voltado só para a agricultura. Giovana entrou no quartinho, achou cestas mofadas guardadas, comprou tudo, esperou na beira da estrada. “A gente viu uma mulher passando de moto. Paramos ela, e eu falei: eu preciso que você volte a produzir. Vou comprar essas doze cestas. A gente começa a parceria hoje.” A mulher chorou.

Hoje Maria tem mais de trinta modelos de cesta, um chalé que recebe turistas, uma casa de alvenaria onde havia uma de madeira, faculdade paga para o filho e encomendas que chegaram a Portugal. Ensina outras mulheres a trançar porque não dá mais conta sozinha.

A entrega da Gio Sonda tem uma disciplina que a superfície artesanal esconde bem. Pedidos planejados, entregas roteirizadas, engenharia reversa para colocar produtos frescos e compromisso de quem recebe para guardar o que precisa de geladeira.

Essa escolha operacional tem custo e tem estratégia. A Gio Sonda não cresce por volume de cliques, cresce por confiança de cliente que volta e indica. A estratégia é diferenciação, com hotéis e marcas de luxo pedindo para ela representá-los nas entregas personalizadas. “Para quem tem tudo, o presente que emociona não é o produto caro. É alguém ter pensado de verdade em você.”

Mas esse garimpo tem custo e, às vezes, não sai como o planejado. Na Bahia, ficou deslumbrada com cerâmicas pintadas à mão que saíam por R$ 4, embalou como dava e despachou. Chegaram três peças inteiras. O resto quebrou na transportadora.

A lição ficou para a régua atual. A Gio Sonda só manda para fora de São Paulo quando o cliente assume a responsabilidade até onde o protocolo alcança. O crescimento para o Brasil inteiro, que ela considera real e próximo, exige resolver esse ponto antes.

Presente corporativo

Natal e Dia das Mães são seus carros-chefes, seguidos de Dia dos Pais e dos Namorados. Mas o presente corporativo é um eixo importante na operação, porém precisa estar dentro dos valores e da visão da Gio Sonda. Quando uma empresa liga pedindo balão com taça e champanhe, ela discorda na mesma hora. “Isso vai para o lixo. A pessoa vai dar para alguém. Você não quer sua marca em um presente que vai ser jogado fora.”

As alternativas que ela propõe sempre têm origem declarada, embalagem que fica na casa, objeto que serve de decoração depois que a comida acaba. Para um restaurante premiado da cidade, ela criou uma bolinha de cerâmica onde os garçons colocam as balas de coco que encerram o jantar, costurou o avental da casa como presente, escolheu um elástico na cor da marca para amarrar a caixa feita à mão.

“O próprio garçom vai lá, coloca as balinhas, coloca na caixa e dá um presente pela sensibilidade dele do que o cliente precisa na hora.” O presente virou extensão do serviço do restaurante.

Ou o mel de microlote da MBee que foi para um cliente corporativo. “Eles conseguiram um microlote de um mel da região do Amazonas, de uma abelha da família da Pamona, que ainda nem está catalogada. É ouro líquido brasileiro. Aí a gente fez uma embalagem maravilhosa, de vidro soprado, como uma gota, colocava um pouquinho do mel, uma base de madeira de reflorestamento torneada à mão para essa gota de vidro. E presenteamos alguns chefs e algumas pessoas”, conta ela.

As pessoas ligavam e pediam mais mel e queriam comprar o presente. “A gente não sabe se um dia vai ter de novo, porque vamos precisar esperar a abelhinha produzir. A gente deixa o tanto que ela precisa lá de mel pra ela, e no dia que tiver de novo a gente faz.”

Achados da Gio

O próximo movimento está sendo desenhado. Giovana vai criar no site uma aba chamada “Achados da Gio”, com objetos avulsos, como tábuas de demolição, queijeiras, peças garimpadas para quem quer dar um presente de R$ 50 ou R$ 80 sem comprar uma cesta inteira. Quer desenvolver marca própria, com louças, garrafas, cartões anuais ilustrados que mudam a história a cada ano.

Giovana veio de uma mesa italiana do Rio Grande do Sul. O produto dela passa pela casa de quem recebe como quem bate à porta com cuidado. Quando o pão de fermentação natural chega junto com o azeite, o alecrim e uma frase retirada de um poema favorito, a pessoa que abre a cesta está recebendo um pedaço do Brasil que a maioria de nós ainda não visitou.

Um queijo de Tibagi. Um mel do Amazonas. Uma cerâmica de Maragogipe. Uma bolsa trançada no interior do Paraná. Nas mãos de quem sabe garimpar, a gastronomia documenta o que foi à mesa, quem fez, de onde veio e por que aquilo precisava chegar a alguém.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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