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Como Ser Saudável

Adoçantes podem causar efeitos que passam para os filhos, indica estudo

Alterações no intestino e no metabolismo chamaram atenção dos pesquisadores

Como Ser Saudável|Renata GarofanoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo sugere que adoçantes como sucralose e estévia podem alterar metabolismo e microbiota intestinal em modelos animais.
  • Efeitos metabólicos identificados persistiram em gerações seguintes de camundongos, levantando preocupações sobre o consumo frequente.
  • Embora não haja relação direta comprovada com doenças cardiovasculares, mudanças podem aumentar o risco de obesidade e diabetes.
  • Especialistas recomendam evitar uso contínuo de adoçantes e adaptar o paladar ao sabor natural dos alimentos, principalmente em crianças.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O adoçante virou rotina para muita gente — mas a ciência agora investiga os possíveis impactos desse hábito. InteligênciaArtificial/ChatGPT

Quem nunca trocou o açúcar pelo adoçante, achando que estava fazendo uma escolha mais saudável? Presentes no café, no refrigerante zero e até em receitas fitness, produtos como sucralose e estévia ganharam espaço na rotina de milhões de pessoas — mas uma nova pesquisa agora levanta dúvidas sobre os possíveis impactos desse consumo frequente.

Um estudo recente publicado na revista científica Frontiers in Nutrition sugere que o consumo frequente dessas substâncias pode provocar alterações no metabolismo e na microbiota intestinal que, em modelos animais, persistiram até em gerações seguintes.


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A pesquisa foi realizada em camundongos e identificou mudanças relacionadas à regulação da glicose, ao equilíbrio das bactérias intestinais e ao funcionamento metabólico dos animais.

Embora os efeitos ainda não tenham sido comprovados em humanos, os resultados acenderam um alerta sobre o consumo frequente desses produtos, cada vez mais presentes em bebidas, alimentos industrializados e produtos “zero açúcar”.


“Esses achados, obtidos a partir de um modelo animal de longo prazo, chamam atenção para possíveis fatores de risco associados ao consumo de adoçantes, especialmente no que diz respeito às alterações da microbiota intestinal”, explica o médico cardiologista Daniel Magnoni, da Unidade de Cardiometabolismo do Instituto Dante Pazzanese.

De acordo com Magnoni, essas mudanças podem influenciar diretamente a saúde metabólica: “Essas alterações podem estar relacionadas ao desenvolvimento de obesidade e diabetes. No entanto, ainda não há relação direta comprovada com doenças cardiovasculares”, afirma.


Efeitos podem passar entre gerações?

Um dos aspectos que mais chamou atenção no estudo foi a possibilidade de alguns efeitos metabólicos aparecerem também nos descendentes dos animais analisados, mesmo sem exposição direta aos adoçantes.

Apesar disso, o especialista ressalta que não existe transmissão hereditária direta causada pelo consumo dessas substâncias: “O que se observa, na prática, é que pessoas com obesidade e diabetes tendem a ter filhos com maior predisposição a essas mesmas condições. Isso ocorre por fatores metabólicos, genéticos e também comportamentais”, destaca o cardiologista.


Hábitos alimentares familiares também têm forte impacto nesse processo: “Como obesidade e diabetes estão associadas a maior risco cardiovascular, esse conjunto de fatores pode impactar as próximas gerações — mas não por conta direta do adoçante em si”, acrescenta o especialista.

Relação com a microbiota intestinal

A microbiota intestinal — conjunto de bactérias que vivem no intestino — tem papel importante na digestão, na imunidade e no metabolismo. Por isso, alterações nesse sistema vêm sendo cada vez mais investigadas pela ciência.

De acordo com Magnoni, o uso excessivo de adoçantes pode modificar o ambiente intestinal: “O uso excessivo de adoçantes pode alterar o pH do trato gastrointestinal e modificar a composição da microbiota intestinal”, explica.

Essas alterações podem desencadear outros impactos no organismo. “Isso pode favorecer o crescimento de bactérias potencialmente prejudiciais, contribuindo para desequilíbrios metabólicos, inflamação e alterações na absorção de nutrientes, como gorduras e glicose”, afirma o doutor.

Pequenos hábitos do dia a dia também podem entrar na mira da ciência. PEXELS/VladDeep

Existe quantidade segura?

Até o momento, os resultados ainda estão restritos a estudos em animais. Mesmo assim, especialistas defendem cautela no consumo frequente desses produtos.

Para o cardiologista, o ideal é evitar o uso contínuo no dia a dia e buscar uma reeducação do paladar: “O consumo de adoçantes não é uma necessidade metabólica do organismo. Ele surge mais como uma alternativa para manter o paladar doce na alimentação”, diz.

O médico também reforça que crianças devem evitar o hábito: “O ideal é incentivar a adaptação ao sabor natural dos alimentos, evitando o uso frequente de adoçantes, especialmente em bebidas como café, leite e chás. Esse hábito deve ser ainda mais evitado em crianças”, alerta.

Moderação é a principal recomendação

Embora os adoçantes ainda sejam considerados seguros dentro dos limites aprovados pelos órgãos reguladores, especialistas reforçam que o consumo deve ser moderado.

“Não há uma quantidade considerada totalmente segura para consumo diário. O mais indicado é o uso com moderação e bom senso, apenas como substituto pontual quando houver necessidade”, orienta Magnoni.

Para ele, reduzir gradualmente o consumo de sabores muito doces é uma das estratégias mais importantes para uma alimentação equilibrada: “Sempre que possível, o ideal é evitar o uso de adoçantes e priorizar alimentos in natura”, conclui.

No fim, a discussão vai além de escolher açúcar ou adoçante. O que os especialistas defendem é uma mudança mais profunda na relação com o sabor doce — reaprendendo, aos poucos, a consumir alimentos de forma mais natural e equilibrada.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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