Cúrcuma em cápsulas: o que muda no mercado após decisão da Anvisa?
Novas regras exigem alertas nos rótulos, definem limites de consumo e devem impactar o mercado de suplementos
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Após um alerta sobre possíveis riscos ao fígado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou novas regras para suplementos à base de curcumina — substância ativa da cúrcuma, o popular açafrão-da-terra. A medida deve impactar não só o mercado, mas também o comportamento de consumo.

Entre as mudanças, fabricantes terão prazo de até seis meses para incluir alertas obrigatórios nos rótulos. Até lá, as informações sobre riscos devem estar disponíveis nos sites e canais de atendimento das marcas. A agência também estabeleceu limites de consumo para adultos, reforçando a necessidade de uso com orientação.
Na prática, a decisão acende um sinal de atenção em um mercado que cresceu impulsionado pela ideia de que produtos naturais são sempre seguros.
Por que a Anvisa decidiu agir
O alerta da agência veio após relatos raros de inflamação e lesões no fígado associados ao uso de suplementos concentrados de curcumina.
“Em situações de alta concentração, a curcumina pode gerar sobrecarga no órgão e provocar um quadro conhecido como hepatotoxicidade induzida por substâncias, que pode levar à inflamação das células hepáticas”, explica o endocrinologista Reinaldo Martins.
“Esse tipo de reação é considerado raro, mas pode acontecer principalmente quando há uso de doses elevadas ou quando o organismo apresenta alguma sensibilidade específica”, completa.
Cúrcuma na comida x cápsulas: qual a diferença?
O alerta não muda a segurança da cúrcuma utilizada na alimentação. Segundo especialistas, a diferença está na dose e na concentração.
“Quando a cúrcuma é utilizada na alimentação, a quantidade de curcumina ingerida costuma ser baixa e a absorção pelo organismo é limitada. Já nos suplementos, as doses são muito mais altas e frequentemente associadas a substâncias que aumentam a absorção da curcumina, elevando sua concentração no sangue”, explica o nutricionista Lucas Neuburg.
Por isso, os casos de toxicidade estão ligados principalmente ao uso de cápsulas — e não ao consumo do tempero no dia a dia.
O impacto das redes sociais no consumo
Com a popularização da curcumina, também cresceu o número de vídeos nas redes sociais que prometem benefícios rápidos, como “desinflamar o corpo” ou “limpar o fígado”.
O problema é que essas recomendações, muitas vezes, incentivam o uso sem orientação — justamente o comportamento associado aos riscos apontados pela Anvisa.
“Muitos desses conteúdos ignoram fatores como dose, interação com medicamentos e o histórico de saúde de cada pessoa”, alerta Neuburg.
O resultado é um consumo impulsivo, baseado em promessas simplificadas, mas sem o devido respaldo científico.
Quem deve ter mais cuidado
Alguns grupos precisam de atenção redobrada antes de iniciar o uso de suplementos:
- pessoas com doenças hepáticas, como gordura no fígado;
- quem faz uso contínuo de medicamentos;
- indivíduos com problemas na vesícula biliar;
- idosos, que metabolizam substâncias de forma mais lenta.
Nesses casos, a avaliação profissional é essencial.
O que muda para o consumidor
Com as novas regras, a tendência é que o consumidor passe a ter mais acesso à informação sobre riscos e limites de uso. Ainda assim, especialistas reforçam que a responsabilidade individual continua sendo fundamental.
“A cúrcuma continua sendo um alimento seguro e tradicional na culinária. O alerta da Anvisa serve principalmente para reforçar que suplementos concentrados não são equivalentes ao consumo alimentar e devem ser utilizados com orientação profissional”, destaca Neuburg.
Natural também exige cuidado
O crescimento do mercado de suplementos mostra que cada vez mais pessoas buscam alternativas naturais para melhorar a saúde. Mas a decisão da Anvisa reforça um ponto importante: natural não significa seguro em qualquer dose.
No caso da cúrcuma, o consumo na alimentação segue sendo considerado seguro. Já o uso em cápsulas deve ser encarado como uma intervenção no organismo — e, como tal, exige cautela.
Porque, no fim, o que muda não é apenas a regra.
É a forma como a gente consome.
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