Dia Mundial sem Tabaco: seu coração sente cada tragada
Especialistas explicam como o tabagismo afeta o sistema cardiovascular e por que não existe quantidade segura para fumar
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Quando o assunto é cigarro, muita gente ainda associa os riscos apenas ao pulmão. Mas o impacto do tabagismo vai muito além da respiração. O coração também sofre — e muito.
Tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de doenças cardiovasculares no mundo.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o tabaco continua sendo a principal causa de morte evitável no mundo, responsável por mais de 8 milhões de mortes todos os anos. No Brasil, o número também preocupa: cerca de 161 mil pessoas morrem anualmente em decorrência do tabagismo, de acordo com dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer).
Além da relação já conhecida com diferentes tipos de câncer, o cigarro está diretamente ligado ao aumento do risco de infarto, AVC, hipertensão e doenças cardiovasculares.
E o alerta não vale apenas para o cigarro tradicional. O crescimento do uso de vape e cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens também preocupa especialistas, principalmente por causa da falsa ideia de que esses dispositivos seriam menos prejudiciais.
Relação cigarro x coração
“O cigarro aumenta a pressão arterial, acelera os batimentos, reduz a oxigenação e causa constrição dos vasos sanguíneos. Isso força o coração a trabalhar mais forte, mesmo em repouso”, explica o cardiologista Marcio Sousa — chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
O impacto no organismo começa praticamente junto com a fumaça. Segundo o especialista, as toxinas presentes no cigarro lesionam as artérias e favorecem a formação de placas de gordura, que podem bloquear a circulação sanguínea: “Essas placas podem romper, gerar coágulos e bloquear artérias do coração, causando infarto, ou do cérebro, levando ao AVC”, alerta o médico.
Além disso, o tabagismo também está associado ao desenvolvimento de aneurismas e outras doenças vasculares graves.
Vape não é alternativa segura
Apesar da popularização dos cigarros eletrônicos, especialistas reforçam que o vape também oferece riscos importantes à saúde cardiovascular: “Os vapes não queimam tabaco, mas isso não significa que sejam seguros”, afirma Marcio Sousa.
Ele explica que esses dispositivos contêm altas doses de nicotina, metais pesados e compostos químicos capazes de provocar inflamação vascular, aumento da pressão arterial e arritmias cardíacas.
“O vape não é uma alternativa segura ao cigarro convencional. Ambos fazem mal ao coração”, reforça o cardiologista.
O avanço do cigarro eletrônico entre adolescentes é um dos pontos que mais preocupam os especialistas atualmente.
O tema ganha ainda mais relevância neste 31 de maio, quando o mundo celebra o Dia Mundial Sem Tabaco e reforça a importância da conscientização sobre os riscos do tabagismo.
“Muitos jovens começam pelo vape acreditando que ele oferece menos riscos. Mas o tabagismo continua sendo um dos principais fatores de risco cardiovascular em pessoas abaixo dos 45 anos”, explica o cardiologista.
De acordo com o último levantamento do Vigitel, divulgado em 2024, houve aumento de 25% na prevalência do tabagismo no país.
E talvez o mais preocupante seja justamente o caráter silencioso desse processo. Muitas vezes, os danos cardiovasculares começam cedo, sem sintomas aparentes.
Recuperação do organismo
A boa notícia é que o organismo responde rápido quando a pessoa abandona o cigarro.
“Em apenas 20 minutos, a pressão arterial e os batimentos já começam a normalizar”, afirma Marcio Sousa.
Após algumas semanas, a circulação melhora e o coração passa a trabalhar com menos esforço. Com o passar dos anos, o risco de doenças cardiovasculares também diminui significativamente: “Quanto antes parar de fumar, maior será a sobrevida”, destaca o médico.
E para quem enfrenta dificuldade para abandonar o vício, algumas terapias complementares podem ajudar durante o tratamento — entre elas, a acupuntura.
A técnica pode auxiliar principalmente nas primeiras semanas sem cigarro, consideradas as mais difíceis: “A acupuntura ajuda a reduzir a fissura, a ansiedade, a irritabilidade e o desconforto físico da abstinência”, explica o médico acupunturiatra Eduardo D’Alessandro.
Durante as sessões, o organismo libera substâncias ligadas à sensação de bem-estar, como serotonina, dopamina e endorfina:“Essas substâncias ajudam a compensar parte da falta que a nicotina faz no cérebro”, afirma o especialista.
Outro benefício importante é o controle da ansiedade, um dos principais gatilhos para recaídas: “A acupuntura favorece relaxamento físico e mental. Com menos ansiedade, a necessidade de recorrer ao cigarro tende a diminuir”, completa.
E tem um ponto que s especialistas são categóricos: não existe consumo seguro de cigarro.
Mesmo quem fuma poucos cigarros por dia ou apenas em situações sociais já aumenta o risco cardiovascular: “Os danos começam desde as primeiras tragadas”, alerta Marcio Sousa.
No Dia Mundial Sem Tabaco, o principal recado dos médicos é simples: nunca é tarde para parar.
“Cada dia sem cigarro já representa recuperação real e mensurável. Sempre vale a pena recomeçar”, finaliza o cardiologista.
Se você precisava de um sinal para tentar parar de fumar, talvez este seja o momento. O processo pode ser desafiador, mas seu corpo começa a agradecer desde as primeiras horas sem cigarro.
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