Dia da Pizza: é possível comer sem sair da dieta?
Nutricionistas explicam como escolher recheios, controlar as porções e aproveitar a data sem culpa

Pizza é uma paixão nacional. Segundo a Apubra (Associação Pizzarias Unidas do Brasil), o país consome cerca de 2 milhões de pizzas por dia, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Seja no jantar de sexta-feira, nas reuniões de família ou nas comemorações entre amigos, ela ocupa um lugar cativo na mesa dos brasileiros.
No Dia da Pizza, comemorado hoje, 10 de julho, surge uma dúvida comum entre quem busca uma alimentação equilibrada: é possível saborear alguns pedaços sem comprometer a dieta? A resposta dos especialistas é sim.
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“A pizza pode fazer parte de uma rotina saudável quando consumida com moderação e dentro de um contexto alimentar adequado. O principal fator é a frequência e a quantidade consumida”, explica a nutricionista clínica e esportiva Nathalya Leão.
Incluir pizza em momentos de lazer ou em uma refeição livre não compromete os resultados relacionados à saúde ou à composição corporal quando a alimentação do dia a dia é baseada, principalmente, em alimentos in natura ou minimamente processados.
Além da nutrição, Nathalya lembra que o aspecto social também faz diferença: “Uma estratégia alimentar sustentável não deve gerar restrições desnecessárias nem afastar a pessoa dos momentos de convivência.”
Essa nova relação com a alimentação também já é percebida no mercado. As pessoas estão mais atentas não apenas ao sabor, mas à qualidade dos ingredientes e à forma como os alimentos são produzidos.
“Antes, o cliente olhava apenas para o sabor. Hoje ele quer saber a composição dos alimentos, a procedência dos ingredientes e procura produtos com rótulos limpos, sem conservantes e com menos aditivos”, conta Arnaldo Di Blasi, CEO da Di Blasi Pizzas.
De acordo com o empresário, cresce a procura por pizzas preparadas com ingredientes naturais e minimamente processados, acompanhando uma tendência que já domina boa parte do setor de alimentação.
Entre os sabores que mais ganharam espaço estão combinações consideradas mais leves, como marguerita preparada com queijo sem lactose e pizzas com rúcula, tomate seco e muçarela de búfala.
O recheio pesa mais do que a massa
Embora muitas pessoas culpem a massa, ela nem sempre é a maior responsável pelo valor nutricional da pizza.
Segundo a nutricionista Nathalya, o que mais interfere é o conjunto da refeição: “Os três fatores influenciam, mas a quantidade consumida costuma ter maior impacto.”
Ela explica que os recheios são os componentes que mais variam entre uma pizza e outra. Coberturas com vegetais, frango, atum, cogumelos e queijos com menor teor de gordura costumam apresentar um perfil nutricional mais interessante do que versões carregadas de bacon, calabresa, pepperoni, catupiry e excesso de queijo.
Outra tendência que ganhou espaço nos últimos anos é a fermentação natural.
“Quando a massa passa pelo tempo correto de fermentação, parte do amido é quebrada naturalmente e o glúten é parcialmente digerido antes mesmo de ir ao forno”, explica Arnaldo Di Blasi, que complementa: “o processo modifica completamente a experiência do consumidor”.
O resultado é uma pizza mais leve e de digestão mais fácil, reduzindo a sensação de estufamento comum nas massas de fermentação rápida.
“A fermentação natural pode melhorar a digestibilidade para algumas pessoas e contribuir para sabor e textura, mas isso não significa que ela tenha menos calorias”, explica o nutricionista esportivo Lucas Neuburg.
Ele lembra que a massa integral oferece mais fibras, aumentando a saciedade, enquanto a versão sem glúten só deve ser escolhida por pessoas que realmente apresentam doença celíaca ou outra condição relacionada ao glúten.
Quais ingredientes consumir com moderação?
Lucas orienta reduzir principalmente os ingredientes ultraprocessados. Entre eles estão:
- calabresa;
- pepperoni;
- bacon;
- presunto;
- excesso de queijos gordurosos;
- bordas recheadas.
“Esses ingredientes aumentam bastante o consumo de sódio e gorduras saturadas”, diz o nutri.
Já recheios com vegetais, frango, atum, cogumelos e uma quantidade equilibrada de queijo costumam oferecer um melhor perfil nutricional. “O que faz diferença é a frequência”, completa o especialista.

O maior mito sobre pizza
Para o nutricionista Lucas, um dos maiores equívocos é acreditar que uma única refeição seja capaz de “estragar” toda a dieta.
“Nenhuma refeição isolada determina o sucesso ou o fracasso de uma alimentação saudável. Assim como uma salada não faz ninguém emagrecer sozinha, uma pizza também não faz ninguém ganhar peso de um dia para o outro.”
Os resultados dependem dos hábitos mantidos ao longo do tempo. “Quando a alimentação é consistente na maior parte dos dias, existe espaço para momentos de prazer à mesa, sem culpa e sem a sensação de que é preciso compensar depois”, comenta o especialista.
As pizzas mudaram, os consumidores também. Hoje, ingredientes mais naturais, fermentação lenta e novas opções mostram que sabor e equilíbrio podem andar juntos. Neste Dia da Pizza, que tal celebrar fazendo escolhas mais inteligentes, em vez de abrir mão da pizza?
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