Músculos não protegem o coração: o alerta por trás da morte de fisiculturista
Especialista alerta para os riscos de uma doença cardíaca silenciosa em jovens aparentemente saudáveis
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, voltou a chamar atenção para uma condição cardíaca muitas vezes silenciosa, mas potencialmente grave: a cardiomiopatia hipertrófica. O laudo do IML apontou que a causa da morte foi uma parada cardíaca relacionada à doença, que provoca o aumento anormal da musculatura do coração.

Casos como esse costumam gerar choque justamente porque envolvem pessoas jovens, aparentemente saudáveis e associadas à ideia de força física e alta performance. Mas é aí que mora um alerta importante: aparência saudável nem sempre significa coração saudável.
E talvez esse seja um dos pontos mais delicados da discussão atualmente. Em uma era dominada pelas redes sociais, em que corpos extremamente definidos são constantemente associados a sucesso, disciplina e bem-estar, muita gente acaba esquecendo que saúde não pode ser medida apenas pela aparência.
Segundo o cardiologista Cristiano Faria Pisani, especialista em eletrofisiologia e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), a condição tem origem genética e pode se manifestar em diferentes fases da vida.
“A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença geneticamente determinada. Ela modifica a estrutura do coração e provoca um aumento da espessura das paredes cardíacas, deixando a musculatura mais grossa do que o normal”, explica o médico.
Apesar de não ser considerada comum, a doença também não é rara. A estimativa é que cerca de 0,5% da população tenha a condição.
Exercício intenso e anabolizantes aumentam o risco
Pessoas com cardiomiopatia hipertrófica podem desenvolver arritmias graves, capazes de levar à parada cardíaca súbita — especialmente em situações de esforço intenso.
“No caso de atletas de alto rendimento, existe, sim, um risco maior. A hipertrofia do músculo cardíaco pode desencadear arritmias perigosas, que fazem o coração bater rápido demais e podem evoluir para uma parada cardíaca”, alerta Pisani.
O médico destaca ainda que o uso de anabolizantes e esteroides pode agravar o quadro, aumentando o estresse sobre o coração: “Os esteroides aumentam o consumo de oxigênio pelo coração, tendem a aumentar a hipertrofia e colocam o coração sob estresse. Certamente potencializam esse risco”, afirma.
A verdade é que, nas redes, os efeitos colaterais quase nunca aparecem com a mesma intensidade que os resultados estéticos. E isso ajuda a criar uma falsa sensação de segurança — principalmente entre os mais jovens.
Doença pode demorar anos para aparecer
Um dos pontos que mais preocupam os especialistas é que a cardiomiopatia hipertrófica nem sempre apresenta sintomas claros. Em alguns casos, ela pode ser identificada ainda na infância, mas também pode levar anos para se manifestar: “Isto pode surgir já na criança, mas também pode levar anos e aparecer apenas depois da vida adulta”, explica o cardiologista.
Por isso, a avaliação cardiológica é fundamental, principalmente para quem pratica musculação intensa ou esportes de alto rendimento.
O diagnóstico costuma começar com avaliação clínica e eletrocardiograma, mas exames como ecocardiograma e ressonância magnética cardíaca são os responsáveis por confirmar a doença.
Além disso, testes genéticos podem ajudar a identificar mutações relacionadas à condição e orientar o acompanhamento familiar: “A presença de uma mutação nem sempre significa que a doença vai aparecer. O diagnóstico é confirmado principalmente pelo ecocardiograma ou pela ressonância magnética”, reforça Pisani.
Atenção aos sinais do corpo
Especialistas alertam que sintomas como desmaios, palpitações, falta de ar excessiva, tontura e dor no peito durante exercícios físicos nunca devem ser ignorados.
No fim das contas, casos como esse deixam um lembrete importante: saúde não pode ser tratada como tendência estética ou competição de performance.
Antes de buscar resultado rápido, talvez a pergunta mais importante seja outra: como está o seu coração?
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