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No Dia do Café, relembre a visita da rainha Elizabeth ao Instituto Agrícola de Campinas

Em 1968, acompanhada do Príncipe Philip, ela veio ao Brasil e incluiu o berço da ciência da cafeicultura em seu roteiro

Dose de Cafeína|Lilian TrigoloOpens in new window

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Rainha Elizabeth em visita ao IAC, em 1968 Reprodução/IAC

Neste domingo, celebramos o Dia Nacional do Café. Data que também marca o início da colheita em várias regiões produtoras do país.

O blog Dose de Cafeína faz uma imersão às origens da pesquisa do café no Brasil, para contar a história de uma instituição que ajudou a moldar a cafeicultura brasileira: o Instituto Agronômico de Campinas, também conhecido como IAC.


Eu sempre digo que o IAC é o berço da ciência do café no Brasil. Fundado em 1887 por Dom Pedro II, com o nome de Estação Agronômica de Campinas, o instituto construiu uma trajetória que o transformou em uma das referências mais respeitadas em pesquisa agrícola no mundo.

O prestígio do IAC ultrapassou fronteiras. Em 1968, a rainha Elizabeth II, acompanhada do marido, o príncipe Philip, visitou o Brasil e incluiu Campinas em seu seleto roteiro.


Ela visitou o IAC e foi recebida por Alcides Carvalho, um grande pesquisador que deixou uma marca profunda na história da cafeicultura. Ele é considerado um dos maiores geneticistas de café do mundo, e hoje tem seu nome ao Centro de Café “Alcides Carvalho” no IAC.

Essa visita foi um reconhecimento internacional da ciência agrícola brasileira. Ela também reforçou a imagem do país como líder na produção de café, apoiada em pesquisa, tecnologia e inovação.


Rainha Elizabeth foi recebida por Alcides Carvalho Reprodução/IAC

Uma curiosidade especial que merece ser compartilhada é sobre Dona Ivone Botone Baziolli. Ela é uma figura querida do Centro de Café do IAC e trabalhou durante cerca de 65 anos ao lado de pesquisadores como Alcides Carvalho e Arnaldo Krug.

Ela testemunhou a visita da rainha Elizabeth II e ajudou a preservar uma parte importante dessa memória histórica, tornando-se um símbolo da dedicação de gerações que contribuíram para a pesquisa cafeeira no Brasil.


Naquele momento, o IAC já era uma referência mundial em melhoramento genético, seleção de cultivares, adaptação do cafeeiro, produtividade e estudos sobre doenças. Pesquisadores como Alcides Carvalho e Arnaldo Krug ajudaram a consolidar o Brasil não só como o maior produtor mundial de café, mas também como protagonista na geração de conhecimento científico para o setor.

Outro patrimônio do instituto é seu valioso banco de germoplasma de café, um dos mais importantes do mundo. Esse banco genético reúne sementes e materiais vegetais de diversas espécies e variedades de café. Ele preserva a diversidade genética da cultura e serve como base para desenvolver novas cultivares que sejam mais produtivas, resistentes a doenças e adaptadas às mudanças climáticas. Isso beneficia programas de pesquisa no Brasil e em outros países.

Foi no IAC que nasceram cultivares históricas, como Mundo Novo e Catuaí, que revolucionaram a produtividade e a adaptação das lavouras brasileiras. Muitas das variedades cultivadas hoje carregam, direta ou indiretamente, a genética desenvolvida em Campinas.

Produção no IAC Lilian Trigolo/R7

Mas o legado do instituto vai além das plantas. Pesquisas sobre fertilidade do solo, manejo, agroclimatologia, mecanização, nutrição, pragas, doenças e qualidade do café ajudaram a transformar a cafeicultura em uma atividade cada vez mais técnica, eficiente e competitiva.

E a inovação continua. Atualmente, o IAC desenvolve pesquisas voltadas para a sustentabilidade, adaptação às mudanças climáticas, qualidade e cafés especiais. Entre os projetos em destaque está o programa de cafés exóticos, coordenado pelo pesquisador Gerson Silva de Olmo, que avalia diferentes espécies, híbridos e materiais genéticos capazes de proporcionar novas experiências sensoriais aos consumidores.

Uma iniciativa interessante é a Confraria do Café Solo Sagrado, criada dentro do próprio instituto para promover a cultura do café e aproximar pesquisadores, produtores, torrefadores, baristas e apreciadores da bebida.

Sérgio Parreiras Pereira , pesquisador do IAC Lilian Trigolo/R7

Para o pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Centro de Café Alcides Carvalho, o maior legado do IAC está na construção das bases científicas da moderna cafeicultura brasileira.

Mais do que desenvolver variedades e tecnologias, o instituto formou pesquisadores, disseminou conhecimento e estabeleceu uma cultura de inovação que ainda influencia o presente e o futuro do café.

Grande parte do que o Brasil desenvolveu no café ao longo do século XX passou, direta ou indiretamente, pela ciência feita no Instituto Agronômico de Campinas.

Nesta data especial, é necessário reconhecer a importância da ciência e das pessoas que, há mais de um século, dedicam suas vidas para que cada xícara conte uma história de evolução e conhecimento pelo café!

A minha admiração a todos que, do campo à xícara, ajudam a escrever diariamente a história do café brasileiro, e que movem essa cadeia com tanta dedicação e paixão! Viva o café!

Instagram:@iacinstitutoagronomico @pereiracafes

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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