Saiba como armazenar o seu café em casa do jeito certo para preservar a qualidade
Especialista dá dicas sobre como guardar o pó ou os grãos e esclarece se a geladeira é uma boa opção
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A nossa Dose de Cafeína desta vez vem para esclarecer uma dúvida muito comum: será que armazenamos corretamente o nosso café em casa? ☕ Conversei com Camila Arcanjo, cientista sensorial de alimentos e pesquisadora na área há mais de 20 anos, para responder à pergunta.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o melhor local para armazenar o café é na própria embalagem original. Segundo Camila, as embalagens desenvolvidas pela indústria alimentícia são projetadas para proteger o produto da luz, do oxigênio e da umidade — os principais fatores responsáveis pela perda da qualidade.
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Após a abertura, a recomendação é vedar bem a embalagem e seguir sempre as orientações do fabricante. 🫡
Tem diferença ao armazenar café moído ou em grãos?
Camila explica que, do ponto de vista da embalagem e da conservação, não. Ambos utilizam sistemas semelhantes de proteção capazes de preservar suas características durante o prazo de validade. 📅
Com o passar do tempo, o café naturalmente sofre pequenas alterações sensoriais. Entretanto, quando armazenado corretamente, essas mudanças são praticamente imperceptíveis. Já a exposição ao calor, à umidade, à luz e ao oxigênio acelera reações químicas que reduzem a intensidade dos aromas e modificam o sabor da bebida.
O café moído tende a perder suas características mais rapidamente, porque a moagem aumenta a área de contato com o oxigênio e também gera calor, favorecendo a oxidação dos compostos aromáticos. Em processos industriais realizados sob atmosfera controlada, esse efeito pode ser significativamente reduzido.

Dá pra guardar na geladeira?
Segundo Camila, é possível, sim, desde que o café permaneça na embalagem original, perfeitamente vedada, evitando que o ar condense dentro da embalagem.
Você já reparou naquele pequeno círculo na embalagem do seu café? Trata-se de uma válvula unidirecional: sua função é permitir que os gases naturais liberados após a torra saiam da embalagem, sem deixar o oxigênio entrar. Esse sistema ajuda a preservar por mais tempo o aroma, o sabor e a qualidade do café.
Recomendação da especialista
Para o armazenamento em casa, a orientação que Camila indica é simples: manter o café na embalagem original, retirar o excesso de ar após o uso, vedá-la corretamente e armazená-la em local seco, fresco e protegido da luz.
Quanto ao consumo, a recomendação é respeitar sempre o prazo de validade e as orientações do fabricante.
Comprar café em maior quantidade também não representa um problema, desde que todo o produto seja armazenado corretamente.
Além da qualidade da bebida, o aroma do café também desperta sensações. Os compostos aromáticos interagem com neurotransmissores e ativam regiões do cérebro relacionadas ao prazer e ao bem-estar, especialmente entre aqueles que apreciam a bebida.
A importância do café
Na avaliação da especialista, o consumidor brasileiro atual tem valorizado cada vez mais o café se comparado a décadas anteriores. Há mais interesse em saber sobre a origem e o preparo da bebida, graças ao trabalho de muitos atores da cadeia cafeeira. Isso porque começaram a valorizar atributos como aroma e frescor, contribuindo para que o consumo de café continue presente na vida e na xícara de muitos brasileiros.
Para finalizar, Camila reforça que buscar conhecimento é o melhor caminho para transformar uma simples xícara em uma experiência sensorial completa.
O que você pode fazer:
- Visitar cafeterias;
- Participar de feiras;
- Conhecer propriedades de produtores;
- Buscar mais informações na internet.
Quando conhecemos mais o café que estamos consumindo, aprendemos também a apreciar cada aroma, sabor e história presente em uma única xícara.
Camila Arcanjo deixa um convite para todos participarem e acompanharem os programas educacionais que ela conduz, seja no laboratório de análise sensorial Coffeccina no Sindicafesp, ABIC e SENAR-SP. São excelentes oportunidades para aprofundar os conhecimentos e mergulhar ainda mais no fascinante universo do café.
Acompanhe no Instagram: @camila_archanjo e @sindicafesp
Camila Arcanjo é cientista, química, especialista em análise sensorial de alimentos. Coordena o laboratório de análise sensorial Co.F.Fe.C.C.I.Na, em parceria com o Sindicafé (Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo).
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