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Da passarela ao preço: quanto custa vestir as tendências que prometem dominar a moda?

A São Paulo Fashion Week já começou, e as tendências de Paris estão movimentando o universo fashion

Luxo em cena|Fernanda ComoraOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A São Paulo Fashion Week celebra 30 anos com desfiles e tendências que prometem dominar a moda, enquanto Paris apresenta influências para 2027.
  • Grandes grifes internacionais, como Chanel, Dior e Louis Vuitton, exploram a leveza e fluidez em suas coleções, mas com preços elevados.
  • Comparações mostram que é possível montar produções inspiradas nas grifes por valores muito menores, destacando a diferença entre valor simbólico e material.
  • A moda é uma linguagem que vai além do produto, refletindo sobre expressões pessoais e o desejo de pertencimento, independentemente do preço.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mercado de luxo envolve desenvolvimento criativo, materiais selecionados, técnicas especializadas e acabamento Reprodução/X/@dior

Você conseguiria identificar, apenas olhando, a diferença entre uma produção de R$ 70 mil e outra de R$ 400? A pergunta parece simples, mas revela uma das maiores curiosidades do universo da moda: duas mulheres podem vestir peças com propostas visuais semelhantes e, ainda assim, existir uma diferença de dezenas de milhares de reais entre seus guarda-roupas.

E o assunto ganha ainda mais relevância nesta semana.

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Enquanto Paris acaba de apresentar as tendências que prometem influenciar a primavera e o verão de 2027, São Paulo se transforma novamente na capital brasileira da moda.

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A 61ª edição da São Paulo Fashion Week começou nesta terça-feira (13) e segue até domingo (18), encerrando as comemorações dos 30 anos do evento.

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Mas, entre desfiles, celebridades, criações extravagantes e tendências que prometem conquistar as vitrines, uma pergunta merece atenção: quanto custa acompanhar aquilo que as passarelas determinam como desejável?

O que Paris está dizendo sobre o futuro da moda?

Chanel aposta em coleção primavera-verão Reprodução/Threads/@chanelofficial

As recentes apresentações internacionais revelaram um movimento interessante.

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Depois de temporadas marcadas por construções elaboradas e produções de forte impacto visual, algumas das principais grifes voltaram seus olhares para a leveza, a fluidez e uma elegância aparentemente descomplicada.

Na Chanel, o tradicional tweed ganhou interpretações mais leves. A Dior explorou transparências, tecidos delicados e contrastes entre estruturas rígidas e materiais fluidos.

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Na Chanel, o tradicional tweed ganhou interpretações mais leves Reprodução/Threads/@chanelofficial

Já a Louis Vuitton apresentou combinações inesperadas de peças, texturas e volumes.

O resultado é uma moda que parece querer transmitir naturalidade, mas que continua exigindo cifras impressionantes de quem deseja consumir as criações originais.

E existe uma ironia nessa história.

Muitas tendências apresentadas como novidades já fizeram parte do guarda-roupa de outras gerações. Transparências, saias fluidas, alfaiataria e sobreposições reaparecem constantemente.

O que muda, muitas vezes, não é a peça em si, mas a interpretação de quem a assina.

Uma saia aparentemente simples pode se transformar em objeto de desejo quando atravessa uma passarela internacional. E seu preço pode acompanhar essa transformação.

Uma saia de R$ 25 mil e uma bolsa de R$ 28 mil

Para compreender o tamanho desse mercado, basta observar alguns produtos disponíveis no catálogo brasileiro da Dior.

Uma saia mídi assimétrica, confeccionada em jacquard de seda, aparece anunciada por R$ 25 mil. Uma blusa drapeada, também em jacquard de seda, custa R$ 17 mil.

Para completar a produção, uma bolsa Dior Toujours pequena, confeccionada em couro de vitelo, chega a R$ 28 mil.

Somadas, as três peças alcançam a impressionante marca de R$ 70 mil. E estamos falando apenas de saia, blusa e bolsa. Sapatos, joias e outros acessórios sequer entraram nessa conta.

Os produtos fazem parte do catálogo comercial da grife e não representam necessariamente as peças exibidas na última temporada de desfiles.

Ainda assim, seus preços ajudam a compreender o universo financeiro que existe por trás de algumas das etiquetas mais desejadas do mundo.

Mas será que é necessário gastar tanto para acompanhar uma proposta de estilo semelhante?

Teste: você consegue identificar qual look custa 205 vezes mais? Imagem gerada por IA/Chat GPT

R$ 70 mil ou menos de R$ 400? A comparação que surpreende

Fizemos uma pesquisa em lojas brasileiras para descobrir quanto custaria montar uma produção inspirada na mesma combinação de peças: saia mídi, blusa acetinada e bolsa estruturada.

Em uma grande loja de departamentos, encontramos uma saia mídi acetinada preta anunciada por R$ 139,99. Uma blusa acetinada preta, sem mangas, aparecia por R$ 69,99.

Para completar a produção, uma bolsa shoulder estruturada preta estava anunciada por R$ 129,99. O total? R$ 339,97.

Agora, vem a parte mais curiosa. Enquanto a combinação de três peças da Dior chega a R$ 70 mil, a seleção acessível custa menos de R$ 340.

Uma diferença superior a 205 vezes.

É importante destacar que não estamos comparando peças idênticas. Os materiais, o acabamento, o processo de fabricação, o design e a exclusividade podem ser muito diferentes.

A proposta é comparar a possibilidade de construir uma composição visual de mesma categoria, e não afirmar que os produtos oferecem qualidade equivalente.

Ainda assim, os números provocam uma reflexão.

Será que, ao encontrar duas mulheres vestidas com essas produções, alguém conseguiria identificar imediatamente uma diferença tão expressiva de preço?

Ou será que parte do valor de uma roupa está em uma informação que nem sempre conseguimos enxergar?

Afinal, o que estamos pagando quando compramos luxo?

Seria simplista afirmar que uma peça de grife custa mais apenas porque carrega um nome famoso.

O mercado de luxo envolve desenvolvimento criativo, materiais selecionados, técnicas especializadas, acabamento e, em muitos casos, processos artesanais.

Existe também o peso da história.

Uma marca que construiu sua reputação ao longo de décadas comercializa não apenas um produto, mas uma identidade reconhecida internacionalmente.

Entretanto, existe outro elemento fundamental nessa equação: o desejo.

Uma bolsa pode deixar de ser apenas um acessório e se transformar em símbolo de pertencimento. Uma roupa pode comunicar status, poder aquisitivo ou conhecimento sobre moda.

E é justamente nesse território, onde o valor material encontra o valor simbólico, que os preços podem atingir patamares surpreendentes.

Afinal, uma etiqueta não revela apenas quem produziu determinada peça.

Em alguns círculos, ela também comunica quem pode comprá-la.

São Paulo entra na passarela: 30 anos de moda e novas apostas

Enquanto as grandes grifes internacionais apresentam suas interpretações sobre o futuro do luxo, o Brasil também ocupa seu espaço nessa discussão.

A São Paulo Fashion Week chega à sua 61ª edição, reunindo criadores de diferentes gerações.

Nomes como Alexandre Herchcovitch, João Pimenta, Lilly Sarti, Ronaldo Fraga e Dendezeiro integram a programação.

Sob o conceito Imaginários, a edição convida o público a refletir sobre o futuro e as possibilidades da criação.

E vale lembrar que uma passarela não funciona exatamente como uma vitrine de loja.

Muitas peças são desenvolvidas para apresentar conceitos, explorar técnicas ou transmitir mensagens artísticas.

Nem tudo o que aparece em um desfile será comercializado daquela maneira.

Uma criação extravagante pode servir de inspiração para uma versão muito mais simples, que posteriormente chega ao comércio.

É assim que uma ideia apresentada por um estilista pode atravessar diferentes mercados, faixas de preço e públicos.

O que hoje aparece sob os holofotes de uma semana de moda pode, meses depois, ganhar interpretações nas vitrines de lojas populares.

E isso não significa necessariamente que uma peça substitua a outra. Significa que a moda, antes de ser um produto, também é uma linguagem.

A tendência passa. A fatura fica.

Existe uma contradição fascinante no mercado fashion. A cada temporada, novas cores, cortes, comprimentos e combinações são apresentados como objetos de desejo.

Aquilo que parecia ultrapassado pode voltar a ser sofisticado. O que antes era considerado exagerado pode se transformar em tendência.

E peças que custam milhares de reais podem perder espaço para outras novidades poucos meses depois.

É claro que determinados produtos de luxo atravessam gerações e podem conservar seu valor cultural, histórico e até comercial. Mas nem toda compra de grife representa um investimento financeiro.

E nem toda tendência precisa ser seguida.

Talvez seja justamente essa a grande reflexão que as semanas de moda nos convidam a fazer. A moda oferece possibilidades de expressão, criatividade e identidade. Mas acompanhar todas as novidades pode custar muito mais do que imaginamos.

No fim das contas, uma produção de R$ 70 mil e outra de R$ 339,97 podem ocupar universos completamente diferentes em qualidade, exclusividade e prestígio.

Mas ambas nos conduzem à mesma pergunta: estamos comprando aquilo que realmente combina conosco ou pagando para pertencer a um universo que aprendemos a desejar?

Porque a moda muda a cada temporada.

O estilo permanece. E o preço da etiqueta nem sempre revela o valor de quem a veste.

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