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Maria do Caos

Como saí de um carro em que acabei entrando errado sem parecer uma criminosa

Estava tão distraída que entrei no carro de um desconhecido e só percebi quando já estava sentada no banco do motorista

Maria do Caos|Mônica SimõesOpens in new window

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O dia em que a distração me fez entrar no carro errado Imagem gerada por IA/Gemini

E aí, Marias!

A história desta semana me fez pensar em uma coisa: a confiança é maravilhosa. Ela faz a gente tomar decisões, enfrentar desafios e seguir em frente mesmo quando está cansada.


O problema é quando a confiança resolve trabalhar junto com a distração. Porque essa dupla costuma produzir situações que parecem impossíveis de acontecer. Até acontecerem.

E foi exatamente isso que aconteceu com a Maria desta semana.


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Eu tinha acabado de sair do mercado e estava carregando sacolas, bolsa, celular e uma lista mental enorme de coisas que ainda precisava resolver naquele dia.


Sabe quando você está tão concentrada nos compromissos, nos horários e nos problemas que o corpo continua funcionando sozinho? Era exatamente assim que eu estava.

Eu caminhava pelo estacionamento pensando no restante da tarde, nas mensagens que precisava responder e em tudo o que ainda tinha para fazer. Menos no que estava fazendo naquele momento.


Foi quando vi meu carro, ou, pelo menos, achei que era.

Caminhei na direção dele sem hesitar. Abri a porta. E, por incrível que pareça, nem me atentei a um ponto crucial: a porta estava aberta e eu jamais faria isso!

Coloquei a bolsa no banco do passageiro, acomodei as sacolas e sentei no banco do motorista, como quem repete um ritual conhecido.

Afinal, eu fazia aquilo praticamente todos os dias. Fechei a porta, respirei fundo e aproveitei aqueles poucos segundos de silêncio que todo adulto aprende a valorizar.

E talvez eu tivesse continuado ali por mais alguns minutos se algumas coisas não começassem a parecer estranhas.

Primeiro foi o cheiro. Depois percebi um aromatizador pendurado no retrovisor. Estranhei. Eu odeio aromatizador!

Olhei ao redor, tentando entender de onde aquilo tinha surgido. Foi quando percebi que minha garrafinha de água não estava no lugar de sempre.

Meus óculos também tinham desaparecido. O porta-copos estava vazio e aquela sensação incômoda começou a crescer.

Olhei novamente para o painel. Depois, para os bancos. Depois, para a chave que estava na minha mão. E, finalmente, meu cérebro resolveu participar da situação.

Aquele carro não era o meu.

Era da mesma cor, do mesmo modelo, parecia ter saído da mesma concessionária. Mas não era o meu carro. Eu tinha entrado, me acomodado e praticamente tomado posse do veículo de um desconhecido sem perceber absolutamente nada.

Meu coração disparou na mesma velocidade em que a vergonha chegou. Saí do carro tão rápido que quase deixei uma das sacolas para trás. E foi nesse momento que percebi um senhor parado a alguns metros de distância, observando toda a cena.

Ele não parecia bravo, nem nervoso. Parecia apenas profundamente confuso e, sinceramente, eu entendi perfeitamente.

A expressão dele dizia tudo.

Eu queria explicar, pedir desculpas. Queria dizer que não era uma criminosa, apenas uma pessoa distraída. Mas, na prática, só consegui pegar minhas coisas e sair andando com a maior naturalidade que consegui fingir. O problema é que ninguém consegue parecer natural depois de invadir o carro de outra pessoa.

Alguns metros à frente, encontrei meu verdadeiro carro. Exatamente igual.

Estacionado na fileira ao lado. Entrei, tranquei as portas e fiquei alguns segundos olhando para frente, refletindo sobre as minhas escolhas e sobre a facilidade com que eu quase me mudei para o carro de um desconhecido.

Desde então, desenvolvi um hábito novo. Antes de entrar no carro, confiro a placa. Duas vezes, às vezes, três. Porque confiança é importante, mas, aparentemente, ela não substitui atenção.

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Mariasssss…

A gente vive tão acelerada que, muitas vezes, atravessa os dias no piloto automático. Resolve uma coisa pensando em outra, responde a uma mensagem enquanto faz outra tarefa e segue acreditando que está prestando atenção em tudo. Até descobrir que entrou no carro errado.

Talvez essa história seja só mais uma lembrança de que desacelerar não serve apenas para descansar. Às vezes, serve para evitar pequenos desastres cotidianos. E se você já entrou na fila errada, respondeu à pessoa errada ou foi parar no lugar errado por pura distração… fique tranquila.

Você está em ótima companhia.

Um beijo, Maria.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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