Minha autoestima estava nas alturas... Até o chocolate derreter
Uma autoestima de milhões, um chocolate derretido e horas de constrangimento que só eu não percebi

E aí, Marias!
Tem história que a gente lê e pensa: “Isso jamais aconteceria comigo”.
E tem história que a gente lê… e já começa a rir antes do final porque sabe exatamente o nível do desastre.
A de hoje é assim.
Ela mistura autoestima, chocolate e um excesso de confiança que, sinceramente, deveria vir com aviso de risco.
E eu preciso confessar: eu ri… mas ri com respeito.
Porque esse caos poderia ter sido meu.
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Sou professora em uma universidade de São Paulo e amo o que faço. Acho que os alunos percebem isso em sala porque, ao longo dos anos, acabei colecionando pequenos gestos de carinho e gentileza que sempre me emocionam.
Certo dia, quando saía do estacionamento, um aluno me entregou um chocolate. Daqueles enormes, absurdamente recheados, quase um evento gastronômico.
Entrei no carro, coloquei o chocolate no banco do passageiro e fui embora.
Até aí, tudo normal, ou pelo menos parecia.
Eu precisava resolver umas coisas no Detran antes de dar aula à noite. Estava arrumada, toda professora universitária elegante:
Calça branca de alfaiataria, salto, cabelo alinhado… Enfim, belíssima… Na minha cabeça.
Quando cheguei ao estacionamento do Departamento de Trânsito, estava aquele caos absoluto: carro entrando, carro saindo, buzina, manobrista correndo pra todos os lados e praticamente nenhuma vaga.
Até que apareceu uma vaga espremida perto de uma parede. Mas tão perto… que a única forma de sair do carro era pelo banco do passageiro.
O manobrista olhou pra mim e falou:
“Pode parar aí mesmo.”
E eu fui.
Só que, na hora de sair do carro pelo outro lado, eu simplesmente sentei em cima do chocolate. Só que eu não sabia disso.
Entrei no Detran plena. Fila daqui. Documento dali. Assinatura daqui. Senha dali.
E aí comecei a perceber uma coisa estranha.
As pessoas estavam olhando muito pra mim.
Muito. Muito mesmo!
Homem, mulher, idoso, atendente… todo mundo!
E, em vez de desconfiar… o que eu fiz? Alimentei minha autoestima.
Na minha cabeça, o raciocínio foi:
“Gente… eu mal voltei pra academia e meu corpo já tá chamando atenção assim?”
Eu comecei a andar até mais confiante porque, quando a mulher entra no delírio da autoestima, não existe mais volta.
Só que os olhares continuavam e alguns eram muito confusos. Teve uma senhora que olhou pra mim com pena.
Hoje eu entendo; na hora, eu achei que era inveja.
Resolvi tudo no Detran, voltei pro estacionamento e encontrei meu carro já estacionado em outro lugar.
Quando abri a porta… vi o chocolate completamente derretido no banco do passageiro.
Naquele instante, meu cérebro ligou os pontos.
Devagar, dolorosamente devagar.
Eu tinha sentado no chocolate e não era uma manchinha discreta.
Não.
Era um estrago emocional.
Chocolate pra todo lado.
Peguei lenço, tentei limpar o banco, joguei o resto do chocolate no lixo, respirei fundo e pensei:
“Tudo bem. Acabou.”
Só que não tinha acabado porque eu ainda precisava dar aula.
Cheguei na faculdade tentando agir naturalmente. Entrei na sala dos professores.
E aí um colega me olhou assustado e perguntou:
“Professora… o que aconteceu? Você sentou em chocolate ou tá passando mal?”
Eu queria evaporar.
SUMIR.
DESAPARECER DA VIDA ACADÊMICA.
Foi aí que percebi: eu tinha passado HORAS andando no Detran inteiro com a calça TODA suja de chocolate. E absolutamente todo mundo percebeu. Menos eu.
O pior? Eu não podia voltar pra casa.
Já estava em cima da hora da aula.
A única coisa que salvou minha dignidade foi um detalhe: eu sempre ando com jaleco.
E, naquele dia, o jaleco deixou de ser uniforme.
Virou proteção emocional.
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Mariassss…..
Só tenho uma coisa a dizer…
Às vezes a vida não destrói a nossa autoestima. Ela só deixa a gente desfilar com chocolate derretido por algumas horas antes da verdade aparecer.
Até a próxima semana!
Um beijo, Maria.
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