Argentina, Equador e outros países latinos permitem viagem sem passaporte
Senador Flávio Bolsonaro cruzou fronteiras sem o documento graças a acordos regionais de circulação de pessoas
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Com os passaportes cancelados pela Polícia Federal, o senador Flávio Bolsonaro cruzou fronteiras sem o documento. O que muita gente não sabe é que viajar para alguns países da América do Sul sem o passaporte é possível.
Graças a acordos regionais de circulação de pessoas, brasileiros podem visitar determinados destinos utilizando apenas o documento de identidade, desde que a viagem seja de turismo e que sejam cumpridas as exigências migratórias.
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Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai estão entre os destinos que permitem essa facilidade. Com um documento aceito pelas autoridades, o turista pode planejar viagens para cidades como Buenos Aires, Santiago, Cartagena, Lima e Montevidéu sem precisar emitir um passaporte exclusivamente para esses roteiros.
A dispensa, porém, não elimina a fiscalização nas fronteiras. O documento deve estar em boas condições de conservação, apresentar informações legíveis e permitir que a fotografia identifique claramente o viajante. A Polícia Federal recomenda que a identidade tenha sido emitida há menos de dez anos.
O senador Flávio Bolsonaro viajou para a Argentina, antes de seguir para Guayaquil, no Equador. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, ele e seus familiares apresentaram documentação de viagem considerada válida para entrar no país.
O comunicado oficial, entretanto, não especificou qual documento foi utilizado, de modo que o episódio não comprova, por si só, que a entrada ocorreu com uma identidade brasileira.
Quais países brasileiros podem visitar sem passaporte?
A possibilidade de viajar com documento de identidade decorre de acordos regionais e está sujeita às condições de cada país. Entre os destinos mais procurados estão:
Argentina: brasileiros podem visitar Buenos Aires, Bariloche, Mendoza e outras cidades apresentando documento de identidade aceito pelas autoridades migratórias. A entrada como turista não autoriza o exercício de atividade remunerada.
Bolívia: destinos como La Paz, Santa Cruz de la Sierra e o Salar de Uyuni podem ser visitados com identidade válida para a viagem, observadas as regras de entrada.
Chile: brasileiros podem conhecer Santiago, o Deserto do Atacama, Valparaíso e regiões da Patagônia chilena sem apresentar passaporte, desde que cumpram as exigências aplicáveis.
Colômbia: cidades como Bogotá, Medellín e Cartagena estão entre as opções acessíveis com documento de identidade aceito. É importante verificar as exigências migratórias e eventuais documentos adicionais antes do embarque.
Equador: brasileiros podem viajar para Quito, Guayaquil e outros destinos turísticos utilizando documento de identidade reconhecido pelas autoridades. Quem pretende visitar as Ilhas Galápagos também deve consultar os controles específicos exigidos para o arquipélago.
Paraguai: Assunção, Ciudad del Este e Encarnación estão entre os destinos que podem ser visitados com identidade aceita para viagens internacionais.
Peru: brasileiros podem planejar viagens para Lima, Cusco e Machu Picchu sem passaporte, desde que apresentem o documento de identidade aceito e cumpram as demais condições de entrada.
Uruguai: Montevidéu, Punta del Este e Colônia do Sacramento podem ser visitadas por brasileiros com documento de identidade adequado para a viagem.
A relação reúne destinos tradicionalmente abrangidos pelos acordos regionais, mas o viajante deve confirmar as condições atuais junto às autoridades do país escolhido e à companhia aérea, principalmente quando o itinerário incluir conexões internacionais.
E a Venezuela, a Guiana e o Suriname?
Esses destinos exigem atenção especial. Embora apareçam em listas de países membros ou associados ao Mercosul e a acordos sul-americanos, isso não significa que todas as condições de entrada sejam idênticas ou que a identidade brasileira seja aceita em qualquer circunstância.
A Venezuela tem uma situação particular em relação ao Mercosul, e os requisitos operacionais de entrada devem ser verificados antes da viagem. Para a Guiana e o Suriname, também é importante confirmar diretamente com as autoridades migratórias ou consulares quais documentos são aceitos para a nacionalidade brasileira e para o itinerário planejado.
Uma regra essencial é não confundir dispensa de visto com dispensa de passaporte. Um país pode permitir a entrada de turistas brasileiros sem visto, mas exigir passaporte como documento de viagem.
Brasileiros precisam de passaporte para entrar na Argentina?
Não, em viagens de turismo que atendam às regras do acordo regional. A Argentina aceita documentos de identidade brasileiros reconhecidos para esse fim, tanto em entradas por fronteiras terrestres quanto em viagens aéreas.
A permanência turística pode ser autorizada por até 90 dias, conforme as condições de admissão. A duração efetivamente concedida e eventuais possibilidades de prorrogação devem ser confirmadas junto às autoridades argentinas.
A facilidade não elimina o controle migratório. Os agentes podem verificar a identidade, a finalidade da viagem e o cumprimento das condições de entrada. Documentos deteriorados ou que não permitam confirmar a identidade podem ser recusados.
E para conhecer o Equador?
O Equador reconhece documentos de identidade de cidadãos sul-americanos para ingresso, conforme as regras aplicáveis. Dessa forma, brasileiros podem viajar para destinos como Quito e Guayaquil sem necessariamente apresentar passaporte.
A dispensa depende do documento apresentado, da finalidade da viagem e do cumprimento das exigências migratórias. Para visitar as Ilhas Galápagos, o turista também precisa verificar os procedimentos específicos de controle de visitantes e as condições de entrada no arquipélago.
Outro cuidado importante é analisar o trajeto completo. Uma conexão em um país que não reconheça a identidade brasileira como documento de viagem pode tornar necessário o passaporte, mesmo que o destino final aceite o RG ou a CIN.
RG com mais de dez anos pode impedir a viagem?
Sim, pode haver problemas no embarque ou na entrada. Embora o antigo Registro Geral (RG) continue válido no Brasil durante o período de transição para a Carteira de Identidade Nacional, isso não significa que qualquer documento antigo será aceito para viagens internacionais.
A Polícia Federal orienta que, para viagens turísticas aos países abrangidos pelos acordos regionais, seja apresentada uma cédula de identidade emitida há menos de dez anos, em bom estado e com fotografia que permita reconhecer plenamente o titular.
Identidades rasuradas, danificadas, com informações ilegíveis ou fotografias que já não correspondam claramente à aparência do viajante também podem ser recusadas.
Quem pretende viajar deve conferir o documento com antecedência. Se houver dúvida sobre a data de emissão, a conservação ou a identificação, o ideal é consultar a companhia aérea e as autoridades competentes antes de comprar passagens não reembolsáveis.
A Carteira de Identidade Nacional também é aceita?
Sim. A Carteira de Identidade Nacional (CIN) foi desenvolvida com padrões modernos de segurança e inclui uma zona de leitura por máquina, semelhante à utilizada em passaportes.
O documento pode ser utilizado nos países com os quais o Brasil possui acordos que permitem a entrada com identidade. Entretanto, a CIN não substitui o passaporte para viagens internacionais em geral. Brasileiros que pretendem viajar para destinos como os Estados Unidos, por exemplo, precisam cumprir as exigências de passaporte, visto ou autorização aplicáveis.
Para viagens sul-americanas que permitem o uso da identidade, a recomendação é levar a versão física do documento.
Posso apresentar a identidade digital pelo celular?
Não é recomendável depender exclusivamente da versão digital. Embora a CIN esteja disponível no aplicativo GOV.BR, a identidade apresentada nos controles migratórios deve ser o documento físico original, conforme as orientações oficiais divulgadas para viagens internacionais abrangidas pelos acordos regionais.
Em fevereiro de 2026, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina reforçou que a versão exclusivamente digital não substitui o documento físico nesses controles. A ausência da identidade física pode resultar em impedimento de embarque ou recusa de entrada.
Antes de viajar, confirme as instruções mais recentes para o destino escolhido e não presuma que a aceitação do documento digital no Brasil se estenda às fronteiras internacionais.
Carteira de motorista também serve para entrar nesses países?
Não. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH), carteiras de conselhos profissionais e certidões de nascimento não substituem os documentos de viagem reconhecidos pelos acordos regionais.
O viajante deve apresentar um documento de identidade aceito ou passaporte, conforme as regras aplicáveis. Crianças e adolescentes também precisam de documentação própria para a viagem internacional, além de eventuais autorizações exigidas.
Crianças e adolescentes precisam de autorização?
Dependendo das circunstâncias, sim. Além do documento de identidade aceito ou passaporte, menores de idade podem precisar de autorização de viagem internacional, conforme a idade, a presença dos responsáveis legais e as condições do deslocamento.
As famílias devem verificar as orientações da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça antes do embarque. Também é importante conferir quais documentos comprovam a filiação quando a criança viaja acompanhada dos pais.
A possibilidade de entrar em um país sul-americano com identidade não elimina as exigências brasileiras para a saída de menores do território nacional.
Quem pretende trabalhar, estudar ou morar pode viajar apenas com RG?
As regras que permitem o uso de identidade são voltadas, em geral, às viagens de turismo. A Polícia Federal orienta que, para finalidades como trabalho, estudo, residência ou outras atividades diferentes do turismo, seja apresentado passaporte válido, além de visto ou autorização específica quando exigidos.
Há acordos regionais que podem facilitar procedimentos de residência para cidadãos sul-americanos, mas eles não devem ser confundidos com uma autorização automática para trabalhar ou morar no exterior. O interessado precisa consultar as regras do país de destino e os procedimentos migratórios correspondentes.
Entrar como turista não concede, por si só, autorização para exercer atividade remunerada ou estabelecer residência permanente.
É necessário apresentar passagem de volta e comprovante de hospedagem?
Mesmo nos destinos que dispensam o passaporte para turismo, as autoridades migratórias podem solicitar informações adicionais para avaliar as condições de entrada.
O viajante deve estar preparado para informar onde ficará hospedado, quanto tempo pretende permanecer e qual é a finalidade da visita. Também é recomendável manter acessíveis a passagem de retorno ou continuação da viagem, a reserva de hospedagem e comprovantes de recursos financeiros, caso sejam solicitados.
As exigências variam de acordo com o país e a situação individual. Por isso, a documentação deve ser conferida antes do embarque, e não apenas na chegada ao destino.
Atenção às conexões internacionais
Um dos cuidados mais importantes é verificar não apenas o destino final, mas todos os países incluídos no itinerário.
Uma passagem para o Equador com conexão em outro país pode envolver exigências documentais diferentes das aplicadas ao destino final. Se o trajeto incluir os Estados Unidos, por exemplo, a identidade brasileira não substitui o passaporte, e será necessário cumprir as regras americanas de entrada ou trânsito.
Antes de comprar a passagem, consulte a companhia aérea e as autoridades competentes para confirmar os documentos exigidos em cada etapa.
O que fazer antes de viajar pela América do Sul?
O primeiro passo é conferir se o documento está em bom estado, se a fotografia permite reconhecer o titular e se a data de emissão atende às orientações para a viagem. Também é importante verificar as condições de permanência, os documentos adicionais exigidos e as regras para menores de idade.
Quem planeja visitar vários países deve analisar individualmente as exigências de cada destino e de eventuais conexões. Se houver dúvida sobre a aceitação da identidade, emitir um passaporte com antecedência pode ser uma alternativa para reduzir riscos, desde que o documento e as autorizações necessárias sejam obtidos antes da viagem.
As informações devem ser confirmadas nos canais oficiais, pois regras migratórias e procedimentos operacionais podem mudar.
Viajar pela América do Sul sem passaporte é possível, mas exige planejamento
A possibilidade de visitar países sul-americanos com documento de identidade representa uma facilidade para os brasileiros e pode reduzir etapas de preparação para viagens de turismo.
Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai estão entre os destinos que permitem essa modalidade, desde que o viajante apresente documento aceito e cumpra as condições migratórias.
A dispensa do passaporte, porém, não significa entrada garantida nem elimina a fiscalização. Documentos antigos ou danificados, conexões internacionais e viagens com finalidade diferente do turismo exigem atenção especial.
A Digital Vistos, assessoria especializada em vistos, passaportes e cidadania, pode orientar brasileiros sobre documentação de viagem e requisitos migratórios, sem prometer entrada garantida ou substituir a decisão das autoridades competentes.
Antes de embarcar, confira as orientações oficiais, verifique todo o itinerário e leve a documentação adequada. Com planejamento, é possível aproveitar os acordos regionais e conhecer diferentes destinos da América do Sul com mais tranquilidade.
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Fontes oficiais:
Polícia Federal — viagens sem passaporte
Governo Federal — uso internacional da CIN
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