Itália autoriza entrada de 165 mil trabalhadores estrangeiros em 2027: veja as oportunidades
Governo italiano abre em 23 de outubro de 2026 a fase de preparação dos pedidos de contratação
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A Itália prevê autorizar a entrada de 165.850 trabalhadores estrangeiros em 2027, incluindo cidadãos de países de fora da União Europeia, como o Brasil, desde que atendam aos critérios da modalidade de contratação pretendida.
A medida faz parte do Decreto Flussi, mecanismo pelo qual o governo italiano estabelece cotas para organizar a entrada de profissionais estrangeiros de acordo com as necessidades do mercado de trabalho.
As orientações operacionais foram divulgadas em uma circular conjunta de 1º de outubro de 2026, elaborada pelos ministérios italianos responsáveis pelas áreas de Interior, Trabalho e Políticas Sociais, Agricultura e Turismo.
O planejamento integra um programa mais amplo, que prevê 497.550 entradas entre 2026 e 2028, com limites anuais e condições específicas para diferentes modalidades profissionais.
Para os brasileiros interessados em trabalhar legalmente na Europa, o anúncio abre possibilidades, mas exige atenção: as cotas não representam uma lista de empregos disponíveis para candidatura direta, e o cumprimento dos requisitos não garante a autorização de trabalho ou a concessão do visto.
Quantas entradas estão previstas para 2027?
Segundo o governo italiano, as 165.850 entradas estão divididas em três modalidades. O trabalho subordinado não sazonal terá 76.200 entradas, destinadas a atividades que não dependem exclusivamente de determinadas épocas do ano. Desse total, 14 mil estão reservadas à assistência familiar, conforme as regras aplicáveis à categoria.
O trabalho subordinado sazonal contará com 89 mil entradas, concentradas nos setores agrícola e turístico, que costumam demandar mais profissionais em períodos específicos. Outras 650 entradas serão destinadas ao trabalho autônomo, sujeito aos critérios legais dessa modalidade.
Esses números representam limites de entrada autorizada, e não 165.850 vagas de emprego previamente abertas. A possibilidade de contratação depende do enquadramento da atividade, da disponibilidade de cotas, das exigências legais e dos procedimentos conduzidos pelo empregador e pelas autoridades italianas.
Quais setores podem contratar estrangeiros?
A distribuição das cotas contempla atividades relacionadas à agricultura, ao turismo e à hotelaria, além de outras áreas de trabalho subordinado não sazonal previstas na regulamentação.
A construção civil, o transporte, a logística, a indústria e determinados serviços também podem ser contemplados, conforme os setores e as condições definidos para cada modalidade.
Na agricultura, as contratações sazonais podem envolver cultivo, colheita e outras atividades rurais. No turismo, as oportunidades podem estar relacionadas a hotéis, restaurantes, hospedagem e serviços que aumentam a demanda durante determinadas épocas do ano. Já a assistência familiar inclui atividades de cuidado e apoio doméstico que atendam aos critérios legais.
A inclusão de um setor, entretanto, não significa que qualquer empresa possa contratar livremente ou que todos os trabalhadores estrangeiros sejam elegíveis. É necessário verificar as condições da categoria e a disponibilidade de cotas no momento do pedido.
Brasileiros podem participar do Decreto Flussi?
Sim, brasileiros podem ser elegíveis a determinadas modalidades, desde que a contratação e o perfil do trabalhador atendam às regras aplicáveis. A participação, porém, não é automática em todas as categorias: algumas cotas estão sujeitas a condições relacionadas à nacionalidade, aos acordos internacionais e ao tipo de atividade profissional.
Nas principais modalidades de trabalho subordinado, o procedimento começa com um empregador estabelecido na Itália. É ele quem deve apresentar o pedido de autorização de trabalho, conhecido como nulla osta al lavoro, junto às autoridades competentes.
Depois da análise e da eventual concessão dessa autorização, o trabalhador poderá seguir com o pedido de visto de trabalho no consulado italiano responsável por sua região de residência. Após a entrada regular no país, também deverá cumprir as formalidades migratórias aplicáveis à sua permanência e atividade profissional.
Portanto, não basta procurar o consulado e solicitar uma das cotas anunciadas. A contratação precisa seguir o procedimento legal, e a autorização de trabalho não equivale à concessão automática do visto.
Quando começam os pedidos para trabalhar na Itália em 2027?
A fase de preenchimento antecipado dos formulários começa em 23 de outubro de 2026, às 9h, no horário italiano, e termina em 7 de dezembro de 2026, às 20h. Nesse intervalo, os empregadores poderão preparar eletronicamente as solicitações de autorização de trabalho pelo Portal de Serviços ALI, do Ministério do Interior italiano.
O calendário também prevê uma janela complementar entre 9 e 13 de dezembro de 2026 para concluir solicitações previamente cadastradas, conforme as orientações operacionais aplicáveis. Essa etapa não deve ser confundida com a abertura de uma nova rodada geral de inscrições.
O preenchimento antecipado serve para preparar os pedidos. Não representa aprovação da contratação nem reserva automática de uma cota. O envio formal deverá ocorrer nas datas estabelecidas para cada modalidade.
Quais são as datas dos click days?
Os click days são as datas a partir das quais os empregadores podem transmitir formalmente determinados pedidos pelo sistema eletrônico. Para 2027, o calendário oficial prevê:
- 12 de janeiro de 2027: trabalho subordinado sazonal na agricultura.
- 9 de fevereiro de 2027: trabalho subordinado sazonal no turismo.
- 16 de fevereiro de 2027: trabalho subordinado não sazonal nas categorias previstas.
- 18 de fevereiro de 2027: trabalho subordinado não sazonal na assistência familiar.
O envio começa às 9h, no horário italiano, em cada uma dessas datas. As solicitações poderão ser apresentadas até 31 de dezembro de 2027, desde que ainda existam cotas disponíveis e sejam cumpridas as condições legais.
Como os pedidos dependem da categoria, da documentação e da disponibilidade de cotas, é importante que o empregador se organize com antecedência. A preparação correta não elimina a análise administrativa nem garante que o pedido será aceito.
Como funciona o caminho até o visto de trabalho?
O primeiro passo é identificar uma oportunidade profissional legítima e confirmar se a atividade se enquadra em uma modalidade do Decreto Flussi. Nas categorias que exigem contratação por uma empresa ou empregador italiano, cabe ao empregador verificar os requisitos e encaminhar o pedido de autorização pelo sistema oficial.
As autoridades analisam a solicitação, a documentação, a disponibilidade da cota e as condições previstas na legislação. Se a autorização for concedida, o trabalhador poderá prosseguir com o pedido de visto perante a representação consular competente.
Depois da emissão do visto e da entrada regular na Itália, o profissional deverá cumprir as formalidades exigidas para permanecer e trabalhar no país, incluindo os procedimentos relativos à autorização de residência, quando aplicáveis.
Cada etapa tem sua própria análise. Uma oferta de emprego, o preenchimento de um formulário ou a existência de cotas não garantem, isoladamente, a autorização de trabalho, o visto ou a permanência regular.
Descendentes de italianos podem ter outra alternativa?
Além das cotas ordinárias do Decreto Flussi, a legislação italiana prevê uma modalidade específica de ingresso para determinadas pessoas de origem italiana que residem no exterior e atendem às condições legais para trabalho subordinado fora das cotas ordinárias. Brasileiros podem se enquadrar nessa possibilidade, conforme os critérios previstos na legislação.
A alternativa deve ser analisada separadamente, considerando os requisitos de ascendência, a contratação profissional e os demais documentos exigidos. A origem italiana, por si só, não garante acesso à modalidade nem dispensa os procedimentos migratórios.
Também é importante não confundir essa possibilidade de ingresso para trabalhar com o reconhecimento da cidadania italiana. A autorização migratória para exercer uma atividade profissional não concede automaticamente cidadania ou passaporte italiano.
Como evitar golpes e promessas de emprego garantido?
A divulgação de novas cotas costuma atrair pessoas interessadas em construir uma carreira na Europa. Por isso, é essencial verificar a legitimidade de qualquer proposta antes de pagar por serviços ou assumir compromissos financeiros.
O Decreto Flussi não é um programa de distribuição automática de empregos, e o pagamento a intermediários não garante uma vaga, uma autorização de trabalho ou um visto. Antes de avançar, o interessado deve verificar a existência e a regularidade do empregador, as condições da oferta profissional e a modalidade migratória aplicável.
Promessas de aprovação garantida, contratação imediata sem análise documental ou acesso assegurado às cotas devem ser tratadas com cautela. As informações precisam ser confirmadas nos canais oficiais italianos, especialmente porque os procedimentos variam conforme a categoria.
Itália prevê quase 500 mil entradas entre 2026 e 2028
O planejamento trienal estabelece 164.850 entradas para 2026, 165.850 para 2027 e 166.850 para 2028. Somadas, as cotas chegam a 497.550 entradas de trabalhadores estrangeiros ao longo dos três anos.
A política busca organizar os canais legais de imigração profissional e atender às necessidades de diferentes setores da economia italiana. Para os candidatos, no entanto, o número total deve ser interpretado como um limite previsto pelo governo, e não como uma garantia de que haverá uma vaga adequada para cada interessado.
O que os brasileiros devem fazer agora?
Com a fase de preenchimento antecipado prevista para começar em 23 de outubro de 2026, o momento é de verificar as modalidades disponíveis, pesquisar oportunidades profissionais legítimas e confirmar se a contratação pretendida permite a participação de cidadãos brasileiros.
Também é importante organizar a documentação, acompanhar as datas oficiais e entender qual é a responsabilidade do empregador em cada etapa. O processo pode variar conforme a atividade, a nacionalidade e a categoria de trabalho, por isso a análise individual ajuda a evitar erros e despesas desnecessárias.
Para Carlos Silva, jornalista e CEO da Digital Vistos, a abertura das cotas representa uma possibilidade relevante para brasileiros que desejam trabalhar legalmente na Europa, mas exige planejamento e conhecimento das regras migratórias. A existência de uma cota não substitui a contratação por um empregador habilitado nem a análise das autoridades.
A Itália mantém, assim, um canal regulado para a entrada de trabalhadores estrangeiros, com quase meio milhão de entradas previstas até 2028. Para os brasileiros, o caminho começa pela identificação de uma oportunidade legítima e pelo cumprimento de cada etapa oficial, sem confundir expectativa de contratação com garantia de visto.
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