Ásia muda regras de entrada: Tailândia reformula isenção de visto e China amplia facilidades
Novas medidas mostram duas tendências que avançam simultaneamente no continente: menos burocracia para determinados viajantes e maior uso de tecnologia e fiscalização no controle de estrangeiros
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Setembro de 2026 começa com importantes mudanças nas políticas de vistos, imigração e turismo na Ásia. Tailândia e China estão entre os principais destaques, enquanto Índia e Vietnã também avançam na modernização dos sistemas de entrada e controle de estrangeiros.
Para os brasileiros, algumas dessas alterações merecem atenção especial. A Tailândia confirmou em 1º de setembro uma ampla revisão de seus regimes de isenção de visto e Visa on Arrival (visto na chegada), com entrada em vigor prevista para 15 de setembro.
A China, por sua vez, mantém brasileiros entre as nacionalidades autorizadas a realizar determinadas viagens sem visto por até 30 dias e também inclui o Brasil em sua política de trânsito sem visto de até 240 horas.
Ao mesmo tempo, diferentes países asiáticos ampliam o uso de sistemas eletrônicos, compartilhamento de informações e mecanismos de fiscalização migratória.
Tailândia confirma novas regras a partir de 15 de setembro
Uma das principais novidades deste início de setembro vem da Tailândia. O Departamento de Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores do país publicou em 1º de setembro a consolidação das novas medidas de isenção de visto e Visa on Arrival para portadores de passaportes comuns. As regras entram em vigor em 15 de setembro de 2026.
A reforma havia sido aprovada pelo governo em maio e representa uma revisão da política de facilitação migratória adotada pelo país nos últimos anos. Entre as mudanças está o encerramento do regime geral, que permitia permanência de até 60 dias sem visto para cidadãos de 93 países e territórios.
O governo também decidiu eliminar a sobreposição de diferentes regimes de isenção para uma mesma nacionalidade. O novo sistema reorganiza os países entre diferentes mecanismos de entrada, incluindo isenção para turismo, acordos bilaterais e Visa on Arrival.
E o brasileiro? Tailândia mantém benefício de até 90 dias
Para o brasileiro, existe uma diferença fundamental.
O fim do regime geral de 60 dias não significa que brasileiros passarão simplesmente a ter direito a apenas 30 dias na Tailândia. Brasil e Tailândia possuem um acordo bilateral de isenção de visto que alcança portadores de passaportes comuns e permite estadias de até 90 dias, conforme as condições previstas no acordo.
A própria orientação oficial tailandesa identifica o Brasil entre os países beneficiados por esse regime bilateral.
Isso é importante porque a reforma não elimina automaticamente os acordos específicos mantidos pela Tailândia com determinados países. Para brasileiros que viajam com passaporte comum e se enquadram nas condições do acordo, a referência relevante continua sendo o regime bilateral aplicável, e não apenas a alteração do antigo sistema geral.
Como as novas regras entram em vigor em 15 de setembro, viajantes devem conferir as condições atualizadas antes do embarque, especialmente aqueles que planejam viagens próximas à data de mudança.
Quem entrar antes de 15 de setembro será afetado?
O governo tailandês também esclareceu a situação de estrangeiros admitidos antes da entrada em vigor da reforma.
Quem já estiver no país ou entrar sob os regimes atualmente vigentes poderá permanecer até o término do período de estadia efetivamente autorizado pelas autoridades migratórias. A mudança não reduz retroativamente uma permanência que já tenha sido legalmente concedida.
Depois disso, novas entradas deverão observar o regime vigente para a nacionalidade e a finalidade da viagem.
A Tailândia também mantém o sistema de e-Visa, utilizado por estrangeiros que precisam obter previamente uma categoria de visto para realizar determinadas atividades ou permanecer no país fora das condições de isenção.
China mantém brasileiros sem visto por até 30 dias
A China também merece atenção especial neste início de setembro.
O governo chinês mantém o Brasil entre as nacionalidades beneficiadas por sua política unilateral de isenção de visto. Brasileiros portadores de passaporte comum válido podem viajar à China sem solicitar previamente um visto para determinadas estadias de até 30 dias, desde que a finalidade da viagem esteja entre aquelas autorizadas.
A política contempla situações como negócios, turismo, visita a familiares ou amigos, intercâmbio e trânsito, conforme as condições estabelecidas pelas autoridades chinesas.
Para o Brasil, a política permanece prevista até 31 de dezembro de 2026, representando uma mudança significativa para o turismo brasileiro na China ao eliminar a necessidade do visto tradicional em diversas viagens de curta duração.
Sem visto não significa entrada automática
A facilidade, porém, não elimina o controle migratório.
O viajante continua sujeito à inspeção das autoridades chinesas e precisa possuir documentação válida, enquadrar a viagem nas finalidades permitidas e respeitar o período autorizado.
Atividades que não estejam contempladas pela isenção continuam exigindo a documentação apropriada. Quem pretende trabalhar, estudar ou exercer determinadas atividades profissionais precisa verificar previamente a categoria migratória correspondente.
Ou seja, a isenção facilita a entrada para determinadas finalidades, mas não transforma o estrangeiro em residente nem autoriza automaticamente atividades que exigem visto ou permissão específica.
Brasileiros também podem utilizar trânsito sem visto de até 240 horas
A China oferece ainda outro mecanismo importante para viajantes internacionais. O Brasil está entre as 57 nacionalidades elegíveis à política de trânsito sem visto por até 240 horas, o equivalente a dez dias.
Existe, porém, uma diferença essencial entre essa modalidade e a isenção convencional de 30 dias.
O regime de 240 horas é destinado ao trânsito internacional. Isso significa que o viajante deve chegar à China vindo de um país ou região e posteriormente seguir para um terceiro país ou região.
Por isso, uma viagem simples no formato Brasil–China–Brasil não se enquadra automaticamente nessa modalidade de trânsito.
O passageiro precisa possuir documento internacional válido e passagem confirmada para continuar a viagem dentro do período autorizado, além de utilizar um dos pontos de entrada habilitados.
Atualmente, a política alcança 65 pontos de entrada em 24 províncias, regiões autônomas e municípios chineses. Dentro das áreas permitidas, o estrangeiro pode realizar atividades como turismo, negócios e visitas durante o período de trânsito.
Trabalho, estudo e determinadas atividades profissionais continuam dependendo de autorização ou visto apropriado.
China amplia política de trânsito para 57 países
Em 20 de agosto, a Administração Nacional de Imigração da China anunciou a inclusão de Quirguistão e Vietnã na política de trânsito sem visto de 240 horas. Com a ampliação, o número de nacionalidades beneficiadas chegou a 57.
A medida integra uma estratégia mais ampla adotada por Pequim para facilitar a chegada de visitantes internacionais. O país vem utilizando isenções de visto, trânsito facilitado e ampliação dos pontos de entrada como instrumentos para estimular turismo, negócios e intercâmbio internacional.
Para o viajante brasileiro, isso significa que existem hoje pelo menos duas possibilidades diferentes que não devem ser confundidas: a isenção de visto por até 30 dias para determinadas viagens e o trânsito sem visto por até 240 horas, quando todas as condições específicas da modalidade são cumpridas.
Índia amplia pontos de entrada para quem utiliza e-Visa
A Índia também avança na digitalização de seus procedimentos migratórios.
Em agosto, o governo indiano anunciou a inclusão de 11 novos portos internacionais entre os pontos habilitados para entrada de estrangeiros utilizando e-Visa. A medida amplia as opções disponíveis aos viajantes que utilizam o sistema eletrônico.
A Índia possui diferentes categorias de e-Visa, inclusive para turismo e negócios, entre outras finalidades autorizadas.
Para brasileiros que pretendem visitar o país, é fundamental verificar a categoria adequada antes de solicitar a autorização e confirmar se o ponto de entrada pretendido está habilitado para utilização do documento eletrônico.
O e-Visa facilita o processo, mas não elimina a necessidade de observar as condições migratórias estabelecidas pela Índia.
Índia também amplia a imigração automatizada
Outro movimento importante ocorre nos aeroportos indianos.
O país vem expandindo o Fast Track Immigration – Trusted Traveller Programme, sistema de imigração rápida destinado a viajantes elegíveis. Participantes previamente cadastrados podem utilizar e-Gates para realizar procedimentos migratórios de chegada e saída.
Uma característica importante é que passageiros processados pelos portões eletrônicos não recebem necessariamente o tradicional carimbo físico de imigração no passaporte. As informações da viagem permanecem registradas eletronicamente e podem ser consultadas posteriormente pelo usuário no sistema.
É mais um exemplo de como a transformação digital está modificando a experiência nas fronteiras asiáticas.
Vietnã mantém e-Visa de até 90 dias
O Vietnã também possui um dos sistemas eletrônicos mais abrangentes da região.
O portal oficial de imigração vietnamita confirma que o e-Visa pode ter validade de até 90 dias, permitindo uma ou múltiplas entradas, conforme a autorização concedida.
A possibilidade amplia as opções para quem pretende realizar viagens mais longas pelo país, que vem ganhando espaço entre os destinos internacionais por combinar grandes cidades, gastronomia, praias, natureza e patrimônio histórico.
Hanói, Ho Chi Minh City, Da Nang, Hoi An e diferentes regiões costeiras estão entre os destinos que ajudam a impulsionar o interesse internacional pelo Vietnã.
Vietnã reforça controle sobre estrangeiros a partir de 15 de setembro
A facilitação do processo eletrônico, porém, vem acompanhada de maior fiscalização.
Novas regras administrativas vietnamitas entram em vigor em 15 de setembro de 2026 e ampliam a coordenação entre autoridades responsáveis pelo gerenciamento de estrangeiros que entram no país utilizando e-Visa ou regimes de isenção.
O novo modelo prevê maior intercâmbio de informações entre órgãos públicos sobre documentos relacionados a estrangeiros, incluindo vistos, registros empresariais, autorizações de trabalho, atividades profissionais, treinamentos, programas de cooperação, conferências e seminários.
Organizações que convidam ou patrocinam estrangeiros também terão responsabilidades relacionadas ao cumprimento das regras de residência temporária.
A medida mostra que o Vietnã pretende manter a facilidade proporcionada pelo e-Visa enquanto amplia a capacidade do Estado de acompanhar a permanência e as atividades dos visitantes estrangeiros.
Uma nova realidade nas fronteiras asiáticas
As mudanças mostram uma transformação mais ampla no continente.
Durante muitos anos, viajar para diferentes países asiáticos significava enfrentar processos consulares complexos, formulários físicos e exigências burocráticas antes mesmo do embarque.
Esse cenário está mudando rapidamente.
A China amplia políticas de isenção e trânsito facilitado. A Índia expande o e-Visa e utiliza e-Gates. O Vietnã oferece vistos eletrônicos de até 90 dias. A Tailândia reorganiza suas políticas de entrada e mantém acordos bilaterais relevantes.
Ao mesmo tempo, esses países investem em bancos de dados, biometria, sistemas eletrônicos e compartilhamento de informações.
O resultado pode parecer contraditório, mas representa uma tendência que já se observa em diferentes partes do mundo: a viagem pode ficar mais simples para o turista regular enquanto a fiscalização se torna cada vez mais sofisticada.
Ásia ganha espaço entre viajantes brasileiros
As mudanças chegam justamente quando destinos asiáticos ganham espaço nos roteiros internacionais dos brasileiros.
A Tailândia continua sendo uma das principais portas de entrada para o turismo no Sudeste Asiático. A China ganhou nova atratividade depois da implementação da isenção temporária de visto para brasileiros. A Índia mantém um sistema eletrônico que facilita o planejamento antecipado, enquanto o Vietnã se consolida como alternativa para viajantes interessados em gastronomia, cultura, praias e experiências diferentes.
Mas cada país possui regras próprias.
Para brasileiros que pretendem viajar à Ásia nos próximos meses, acompanhar as regras antes do embarque tornou-se ainda mais importante.
Setembro começa mostrando uma nova realidade no continente: a Ásia quer facilitar a chegada do turista internacional, mas suas fronteiras estão se tornando cada vez mais digitais, integradas e fiscalizadas.
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