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À mesa com o rei: saiba os pratos, as manias e os excessos de Elvis Presley

Relação do astro, que amava sanduíches fritos boiando em manteiga, com a comida revela afeto e raízes do Sul dos EUA

Sabores da História|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Elvis Presley tinha uma relação intensa e excêntrica com a comida, desde a infância pobre em Tupelo até os excessos de sua vida adulta.
  • Seus hábitos alimentares incluíam refeições pesadas e em horários inusitados, como um "café da manhã" à tarde e jantares na madrugada.
  • O famoso sanduíche de manteiga de amendoim, banana e bacon, conhecido como "Elvis sandwich", simboliza seus excessos e é replicado até hoje.
  • Os hábitos alimentares de Elvis, aliados ao uso de medicamentos, contribuíram para seu declínio de saúde e morte precoce aos 42 anos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Elvis detestava quando alguém tentava tirar comida do seu prato Imagem gerada por IA/Firefly

Antes de ser lenda, Elvis Presley foi um menino pobre em Tupelo, Mississippi, que aprendeu cedo o valor de um prato cheio. Depois, virou o homem que fretou um jato particular de madrugada só para comer um sanduíche em outro estado. Entre esses dois extremos está uma das histórias mais curiosas, e mais humanas, da cultura pop americana: a relação de Elvis com a comida.

Cozinheiras que passaram décadas em Graceland, o próprio pai, Vernon Presley, a ex-mulher Priscilla e a filha Lisa Marie deixaram relatos detalhados sobre o que o Rei do Rock comia, a que horas comia e como se comportava à mesa. Nos tempos em que lutava para perder peso, Elvis detestava quando alguém tentava tirar comida do seu prato.


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Reuni essas histórias com relatos de fontes americanas e britânicas, para contar como o apetite de Elvis moldou seus hábitos, sua imagem e, no fim, também sua saúde.

Um relógio biológico só dele

Elvis não vivia no mesmo fuso horário que o resto do mundo. Segundo Nancy Rooks, que cozinhou para ele por dez anos em Graceland, ele dormia durante a manhã inteira e só fazia sua primeira grande refeição por volta das cinco da tarde quando devorava um “café da manhã” bem caprichado.


Almoço, praticamente não existia na rotina, a menos que estivesse viajando para shows, produção de filmes e outros compromissos profissionais.

O “jantar” vinha de madrugada: ele saía para o cinema ou para dar uma volta e voltava perto da meia-noite para sua última refeição, sempre pesada, antes de finalmente dormir.


Quando não estava com fome de verdade antes de se deitar, se contentava com suco de laranja, omelete, biscoito e bacon, ou apenas um café.

O café da manhã que era um jantar às avessas

As refeições matinais de Elvis podem ser definidas com muitos adjetivos, menos discretas. Mary Jenkins, que cozinhou para ele por 14 anos, descrevia mesas fartas: biscoitos amanteigados caseiros, salsichas, quatro ovos mexidos e bacon frito. Elvis degustava seu prato com tanto entusiasmo que era comum ver manteiga escorrendo pelos braços dele.


Nancy Rooks completa a informação com detalhes: omeletes com queijo e cebola, e bacon em quantidade industrial, de 18 a 19 fatias, o que representa cerca de meio quilo frito até secar completamente, sem deixar nem sinal de gordura.

Ele preferia bolachas a biscoitos comuns e mantinha sempre meia dúzia de latas de massa pronta na despensa de Graceland, só para garantir.

O sanduíche que virou mito

Elvis gostava do sanduíche praticamente boiando em gordura Imagem gerada por IA/Firefly

Se existe uma comida que representa Elvis Presley, é o sanduíche de manteiga de amendoim frito com Banana, às vezes com bacon dentro.

A receita nasceu de uma parceria improvável: depois que uma primeira versão feita por Mary Jenkins não agradou, foi Vernon Presley, pai do cantor, quem sugeriu o ajuste: torrar o pão antes, passar a manteiga de amendoim, acrescentar fatias de banana e fritar tudo na manteiga até dourar por fora e derreter por dentro.

Elvis gostava do sanduíche praticamente boiando em gordura: a receita usava cerca de duas barras de manteiga para cada três unidades, e ele pedia que fossem virados várias vezes até ficarem completamente encharcados. Socorro!

Curiosamente, nem tudo sobre esse mito é consenso. Lisa Marie Presley chegou a contestar a fama do sanduíche, afirmando nunca ter visto o pai comê-lo de fato. Isso prova o quanto as lendas em torno de Elvis cresceram, às vezes, mais rápido que os fatos.

O sanduíche de US$ 16 mil

Se o peanut butter and banana sandwich é o prato mais famoso de Elvis, o mais extravagante certamente é o Fool’s Gold Loaf (Pão do Tolo), servido no restaurante Colorado Mine Company, em Denver.

A receita: um pão inteiro, esvaziado por dentro, recheado com um pote inteiro de manteiga de amendoim, um pote inteiro de geleia de uva e meio quilo de bacon frito.

A excursão ficou conhecida como uma extravagância de aproximadamente US$ 16 mil Imagem gerada por IA/Firefly

Na madrugada de 1º de fevereiro de 1976, depois de comentar sobre o sanduíche com amigos do Colorado, Elvis simplesmente decidiu fretar seu jato particular e voar até Denver para comê-lo.

Os donos do restaurante levaram 22 sanduíches até o hangar do aeroporto, onde o grupo formado por amigos, piloto e cozinheiro passou cerca de três horas comendo e brindando com champanhe e água Perrier, sem sequer sair da área do aeroporto, antes de voltar para o Tennessee.

Somando o voo, a excursão ficou conhecida como uma extravagância de aproximadamente US$ 16 mil só em “fast food de luxo”, uma das histórias mais repetidas sobre os excessos do Rei.

O verdadeiro prato favorito

Apesar de toda a fama dos sanduíches, o prato favorito de Elvis pode ter sido bem mais modesto: um rocambole de carne (meatloaf) preparado com uma receita da própria família, servido com purê de batata e legumes.

Segundo Priscilla Presley e Angie Marchese, vice-presidente de arquivos e exposições de Graceland, Elvis comia esse prato todas as noites, sem exceção, durante seis meses seguidos.

Elvis adorava rocambole de carne (meatloaf) preparado com uma receita da própria família Reprodução/Inteligência Artificial/Firefly

A receita está no livro The Presley Family Cookbook (1980), assinado por seu tio, Vester Presley, e Nancy Rooks. Os ingredientes são simples: carne moída, pão branco, ovos, sal, pimenta, gérmen de trigo, alho, salsão e *cebola Vidalia e suco de tomate. O gérmen de trigo era o ingrediente “secreto”: tradicionalmente usado para render mais a carne, mas que dava ao prato um sabor levemente tostado e adocicado.

*Cebola Vidalia é uma cebola doce e extremamente suave, cultivada exclusivamente em uma região específica do estado da Geórgia, nos Estados Unidos.

*Bifes porterhouse com batata assada e vagem também eram presença constante, assim como hambúrgueres. Na juventude, Elvis chegava a comer oito cheeseburgers e três milk-shakes numa única refeição.

*Corte nobre de carne bovina com osso em formato de “T” que reúne filé mignon de um lado e contrafilé (ou partes de alcatra) do outro.

Comida do Sul e o conforto de casa

The Presley Family Cookbook foi escrito por seu tio, Vester Presley, e Nancy Rooks. Lançado em 1980.

Elvis cresceu pobre em Tupelo, no Mississippi, e carregou a vida inteira uma ligação afetiva profunda com a soul food, comida do Sul dos Estados Unidos. “Ele era mesmo uma criatura de hábitos: se era feito no Sul, ele gostava”, resumiu Angie Marchese.

Frango frito, purê de batata e couve refogada (collard greens) eram presenças fiéis. O pão de milho (cornbread), feito com leitelho (líquido ácido e cremoso que sobra do processo de fabricação da manteiga) e assado em frigideira bem quente para ficar crocante por fora, também não podia faltar.

Para acompanhar, ovos cozidos recheados (deviled eggs), servidos, segundo relatos, na célebre noite em que Elvis recebeu os Beatles em sua casa em Los Angeles.

Torresmo, salsicha alemã com chucrute e, na sobremesa, um time de peso: pudim de banana com bolacha de baunilha, creme e merengue, prato que ele teria pedido dias antes de morrer, em 1977, bolo de coco (sempre na versão da mãe, sem cobertura, só com coco ralado entre as camadas) e o bolo amanteigado de Janelle McComb, amiga de infância, que Elvis era capaz de devorar inteiro, sozinho, numa única sentada.

Fast-food e os restaurantes preferidos

Astro era descrito como extremamente resistente a tentativas de controle alimentar Imagem gerada por IA/Firefly

Mesmo podendo comer em qualquer lugar do mundo, Elvis tinha seus endereços fixos em Memphis. Era cliente assíduo da rede sulista de hambúrgueres Krystal, perto de Graceland. Pessoas próximas contam que, certa vez, Elvis chegou a encomendar cem sanduíches de uma só vez para distribuir a fãs.

Também tinha fraqueza pela pizza de churrasco do restaurante italiano Coletta’s, coberta com molho barbecue, queijo e carne desfiada cozida por oito horas.

O lugar até batizou um ambiente de “Sala do Elvis” em sua homenagem. Nas costelas, a escolha era o lendário Rendezvous, temperadas com uma mistura de especiarias de inspiração grega e servidas sem molho pesado.

O que ele bebia?

À mesa, a bebida de escolha era Pepsi, rival histórica da Coca-Cola. Existe até um copo de Pepsi usado por ele num show de 1976 que depois virou item de colecionador em leilão.

Pela manhã, o café vinha com metade creme de leite, metade leite (o clássico half-and-half americano) e adoçante Sweet’N Low. E havia um detalhe revelador de personalidade: por conta de uma preocupação com germes, Elvis preferia beber segurando a xícara pela alça e evitando encostar os lábios diretamente na borda.

Manias à mesa

Funcionários de Graceland são unânimes ao descrever um Elvis extremamente resistente a qualquer tentativa de controle alimentar. “Tentávamos colocá-lo numa dieta, mas ele não deixava”, contou Nancy Rooks à imprensa.

The Presley Family Cookbook foi escrito por seu tio, Vester Presley e Nancy Rooks. Lançado em 1980. Reprodução

A cozinha, aliás, tinha câmeras de segurança e, mais de uma vez, Elvis flagrou pela tela alguém tentando tirar algum alimento gorduroso do seu prato. Ligava na hora, exigia que a comida fosse devolvida e ficava visivelmente incomodado quando isso não acontecia.

Mary Jenkins contou outro episódio emblemático: quando um médico tentou colocá-lo em dieta, Elvis se trancou no quarto e, ao ser questionado, perguntou secamente quem assinava o contracheque dela. Diante da resposta óbvia, decretou: “Quero meu café da manhã do jeito que sempre tive”. Assim terminou a tentativa de dieta.

Por trás do apetite: comida como afeto

Vários biógrafos enxergam uma leitura emocional por trás do apetite de Elvis. A infância pobre em Tupelo teria criado um vínculo forte entre fartura e conforto. Recriar os pratos da mãe, Gladys Presley, seria uma forma de se reconectar com as próprias raízes.

Some-se a isso o peso da fama e da exposição constante: comer bastante teria funcionado, para muitos que o conheceram, como uma válvula de escape emocional. Em determinados períodos, estima-se que ele tenha chegado a consumir entre 10.000 e 12.000 calorias por dia, cerca de quatro vezes a recomendação usual para um homem adulto.

O preço dos excessos

Os hábitos alimentares de Elvis, somados ao uso de medicamentos prescritos e ao sedentarismo dos últimos anos, tiveram papel central no seu declínio de saúde. Ele chegou a pesar cerca de 158 kg, segundo estimativas de tabloides britânicos, e passava cada vez mais tempo recluso no quarto em Graceland.

A autópsia revelou fezes compactadas nos intestinos havia cerca de quatro meses, evidência de constipação crônica severa. Segundo o investigador Dan Warlick, o esforço para evacuar pode ter provocado a chamada “manobra de Valsalva”, comprimindo a aorta abdominal e levando à parada cardíaca, hipótese concorrente à teoria mais popular de overdose.

O relatório completo da autópsia segue lacrado e mantém viva, até hoje, a especulação sobre a verdadeira causa da morte do cantor, aos 42 anos, em agosto de 1977.

Um legado que virou item de cardápio

Os hábitos de Elvis à mesa atravessaram sua própria vida e viraram parte da cultura pop americana. O sanduíche de manteiga de amendoim, banana e bacon é hoje conhecido informalmente como “Elvis sandwich” em diners pelos Estados Unidos.

Chefs celebridades, como Sean Brock, já criaram releituras de um milk-shake com banana, manteiga de amendoim, sorvete de baunilha e gordura de bacon, às vezes com um toque de bourbon, em homenagem ao cantor.

Já o “Fool’s Gold Loaf” continua sendo replicado por curiosos e fãs, símbolo máximo do excesso e da fartura que marcaram os últimos anos do Rei do Rock.

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