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Como o BTS se comporta à mesa: pratos favoritos contam a história do grupo

Do macarrão instantâneo que os sete aprovam à lagosta que virou marca registrada de Jin, veja o que revela a mesa dos ídolos do K-pop

Sabores da História|Esther RochaOpens in new window

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Como o BTS se comporta à mesa Ilustração I

Com a chegada do BTS ao Brasil em outubro, para a turnê mundial ARIRANG, o Sabores da História não podia deixar passar a oportunidade de mergulhar no universo do K-pop. Afinal, a comida revela quem somos, por que isso seria diferente com os ídolos que hoje lotam estádios ao redor do mundo? Foi pensando nisso que decidi contar como são RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook quando estão ao redor de uma mesa, longe dos holofotes e das coreografias perfeitas. Os pratos que escolhem, os hábitos que carregam desde a infância e os lugares de Seul que ainda visitam dizem muito sobre quem são esses sete rapazes por trás do fenômeno global.

Há um instante, em qualquer transmissão ao vivo do BTS, em que a coreografia impecável e o figurino cuidadosamente pensado dão lugar a algo bem mais simples: um dos sete integrantes com um pacote de macarrão instantâneo nas mãos, contando por que aquele sabor específico o faz pensar em casa. É nesse instante, pequeno e quase banal, que se percebe algo maior do que o produto de entretenimento chamado K-pop. Percebe-se um grupo de sete garotos que, apesar da fama planetária, continua comendo como coreanos comuns comem.


Desde a estreia em 2013, RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook deixaram de ser apenas uma boy band para se tornarem um dos fenômenos culturais mais estudados do século XXI. E, como em qualquer biografia coletiva, a comida se revelou um dos caminhos mais honestos para entender quem eles são fora do palco. Os pratos que cada um escolhe quando está cansado, com saudade ou simplesmente feliz, dizem mais sobre origem, infância e identidade do que qualquer entrevista oficial.

À mesa, a etiqueta vem antes da fama


Entre turnês e estádios lotados, os sete integrantes ainda guardam hábitos, memórias afetivas e endereços em Seul que remetem à infância ILustra

Muito antes de encherem estádios, eles eram apenas jovens trainees dividindo refeições simples em um restaurante de bairro, perto do antigo estúdio de ensaios da empresa que os representava. O dono do local, que ainda hoje recebe fãs de todo o mundo em seu pequeno restaurante, costuma contar que o grupo tinha um comportamento à mesa fora do comum para adolescentes: eram educados, esperavam a vez de servir, agradeciam sempre e, com frequência, passavam horas ensaiando antes de subir para comer. Foi justamente ali, entre uma refeição e outra, que RM e Suga teriam comentado pela primeira vez o nome que o grupo carregaria dali em diante.


Esse detalhe importa porque ajuda a entender uma característica que se mantém até hoje. Nas cenas em que aparecem comendo em público, os sete costumam seguir hábitos bem coreanos: dividir os pratos ao centro da mesa, servir os colegas antes de si mesmos e comer em silêncio respeitoso quando alguém está com fome de verdade. A informalidade só aparece nos bastidores, quando a câmera relaxa e a disputa por um pacote de biscoitos vira, literalmente, motivo de briga de irmãos.

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Sete pessoas, sete memórias de infância

Integrantes do BTS compartilham guloseimas Reprodução/Instagram @bts.bighitofficial

RM, o líder do grupo, tem uma relação quase filosófica com a comida, o que combina com sua fama de intelectual do BTS. Entre seus pratos preferidos estão os macarrões artesanais cortados à faca, feitos à mão com farinha de trigo e cozidos direto na água fervente, e o clássico macarrão em molho de feijão preto, receita de origem chinesa que se tornou item cotidiano na Coreia.

A relação de RM com esse prato específico já rendeu até uma pequena lenda entre os fãs: contam que, certa vez, ele teria deixado um ensaio alegando dor de estômago apenas para saborear, em segredo, uma tigela desse macarrão. Verdadeira ou não, a história ilustra bem o tipo de afeto quase irracional que certos sabores de infância provocam.

Jin, o mais velho do grupo, construiu ao longo dos anos uma reputação de verdadeiro entusiasta gastronômico, a ponto de ter apresentado um programa próprio dedicado a comer diante das câmeras. Seu prato de assinatura é o macarrão frio de trigo sarraceno, tradicionalmente servido no verão coreano, e seu amor por lagosta já virou piada recorrente entre os colegas de grupo. Mais do que sofisticação, o que chama atenção em Jin é a naturalidade com que trata a comida como assunto sério, quase uma extensão de sua personalidade cuidadosa e observadora.

Suga carrega o perfil mais discreto do grupo, e sua relação com a comida segue o mesmo padrão: direta, sem excessos. Prefere um ensopado picante de kimchi preparado com carne macia e é declaradamente apaixonado por bife, que gosta de comer mal passado, temperado apenas com sal e pimenta. Essa simplicidade tem um contraponto generoso: em um dos aniversários, Suga doou carne bovina coreana para dezenas de orfanatos, escolhendo o número de instituições beneficiadas em homenagem à própria data de nascimento, um gesto que aproxima o artista bilionário do garoto que cresceu em uma família de recursos modestos na cidade de Daegu.

J-Hope, conhecido pela energia contagiante nos palcos, tem gostos alimentares igualmente calorosos: prefere carnes grelhadas marinadas e servidas em folhas de alface, além de nutrir uma paixão declarada por frango frito, que afirma poder comer todos os dias sem enjoar. É um perfil condizente com sua imagem pública, sem frescura e sempre disposto a repetir o prato.

Jimin, por sua vez, ficou associado a um macarrão instantâneo extremamente picante, que costumava aparecer em suas transmissões ao vivo. O hábito rendeu um efeito colateral inesperado: pesquisas de mercado relacionaram o aumento expressivo nas vendas desse produto nos Estados Unidos justamente ao período em que os vídeos de Jimin comendo (e suando) circularam nas redes sociais, um exemplo perfeito de como o consumo pessoal de um artista pode reconfigurar, quase da noite para o dia, hábitos de consumo em escala global.

V, o mais reservado dos sete, tem um carinho especial por um prato de macarrão de batata-doce salteado com legumes e carne, tradicionalmente servido em ocasiões festivas na Coreia. Ele também compartilha com Suga o gosto pelo ensopado de kimchi, que costuma associar ao frio e ao conforto, mais uma prova de como a comida, para os integrantes do grupo, funciona como refúgio emocional tanto quanto alimento.

Jungkook, o mais jovem, é o contraponto doce do grupo. Apesar da fama de apreciar petiscos variados, fez questão de declarar publicamente que preferiria abrir mão de pizza a abrir mão de leite de banana, bebida típica das lancherias e mercados de bairro coreanos, associada à infância de praticamente qualquer pessoa que tenha crescido no país. Não por acaso, quando teve a chance de escolher sete lanches para representar sua trajetória, o leite de banana ocupou o primeiro lugar da lista.

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O lanche que une os sete

Existem também sabores que atravessam qualquer diferença individual dentro do grupo. Um salgadinho de batata frito com manteiga e mel se tornou consenso entre os sete, a ponto de já ter sido mencionado por todos, em momentos distintos, como um dos favoritos. Da mesma forma, um biscoito coberto de mel de acácia rendeu um episódio memorável nas redes: um vídeo em que dois dos integrantes disputam literalmente o último pacote do produto, cena que resume bem a dinâmica afetuosa e bem-humorada entre eles.

O que eles comem quando estão longe de casa

A rotina de turnês internacionais impõe um desafio simples: como manter algum fio de identidade quando se está do outro lado do mundo, entre voos, hotéis e camarins. A resposta do BTS, na maior parte das vezes, é o macarrão instantâneo. Entre as dezenas de opções disponíveis, um tipo picante e de macarrão grosso e ondulado se tornou o preferido do grupo como um todo, aprovado por todos os sete. É um prato farto, reconfortante e, principalmente, rápido de preparar, qualidades essenciais para uma agenda que raramente permite uma refeição calma.

Mais do que praticidade, esse macarrão carrega uma função quase sentimental. É o sabor de casa que cabe em qualquer mala e que, segundo os próprios integrantes já relataram, ajuda a suportar a distância da família e do país durante as longas turnês.

Seul como mapa afetivo

Cafe Hyuga: o antigo dormitório onde os sete moraram hoje recebe fãs em forma de café e lembranças Reprodução

Voltar para casa também significa voltar a determinados endereços. Yoojung Sikdang, o restaurante de bairro que recebia os sete durante a época de trainees, continua sendo o destino mais procurado por fãs que visitam a Coreia do Sul, hoje decorado com fotos, autógrafos e mensagens deixadas por visitantes de dezenas de países. Entre os pratos mais pedidos por quem segue os passos do grupo estão o bibimbap de porco preto servido em panela de pedra, o ssambap (carne enrolada em folhas com acompanhamentos), o ensopado de kimchi e o macarrão frio.

Cafe Hyuga, o antigo dormitório onde os sete moraram nos primeiros anos de carreira, também mudou de função e hoje recebe fãs em forma de café, guardando cartas e lembranças de visitantes de todo o mundo. E não é apenas a culinária coreana que aparece nesse mapa afetivo: Jin, por exemplo, ficou conhecido por frequentar um restaurante italiano de Seul nos raros momentos de folga, prova de que o apetite do grupo por descoberta gastronômica vai além das fronteiras do próprio país.

Jin e Jungkook também dividem o gosto pelo Hamkyeongdo Chapssalsundae, um restaurante especializado em pratos tradicionais coreanos, famoso por uma sopa de embutido preparada lentamente e por carne suína cozida.

Esses endereços se transformaram, ao longo dos anos, em verdadeiros pontos de peregrinação para fãs que visitam a capital sul-coreana, um fenômeno que diz menos sobre turismo e mais sobre a forma como a memória afetiva de um artista pode se materializar em espaço físico, comida e ritual.

Por que isso importa

De trainees dividindo refeições simples a ídolos globais, veja como a comida ajuda a entender RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook ILustração IA

À primeira vista, pode parecer que estamos apenas catalogando os pratos favoritos de sete jovens famosos. Mas, olhando com mais atenção, a lista revela algo mais amplo: como a gastronomia coreana, antes conhecida apenas por especialistas ou amantes da gastronomia mais curiosos, se tornou, por meio do afeto genuíno de sete artistas por seus próprios pratos de infância, um dos vetores mais eficazes de difusão cultural da chamada onda coreana pelo mundo.

Não foi uma estratégia de marketing. Foi, antes de tudo, saudade de casa transmitida ao vivo para milhões de pessoas. E é exatamente aí que mora a lição: comida nunca é apenas comida. É origem, é memória, é a parte mais humana de qualquer história, mesmo quando essa história está sendo assistida por um estádio inteiro.

No Brasil, uma disputa intensa por ingressos

O BTS confirmou o retorno ao Brasil em outubro de 2026, com a turnê mundial ARIRANG. Serão três apresentações no Estádio do MorumBIS, em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro. Os ingressos para as três datas já estão esgotados, mas quem não conseguiu garantir lugar poderá acompanhar o show do dia 30 de outubro por transmissão ao vivo em cinemas selecionados.

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