Os sabores de Elton John: da infância simples aos restaurantes mais badalados do mundo
Do sanduíche ao risoto que virou lenda em Como, os bastidores da relação do cantor com a comida, contados por ele mesmo
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Sir Elton John contou tudo sobre sua relação com a comida: da infância pobre até o luxo dos restaurantes mais badalados do mundo, a relação do cantor com a comida é cheia de reviravoltas.
Antes de virar “Sir”, Elton era só o pequeno Reg Dwight, crescendo numa Inglaterra pós-guerra onde bacon era artigo de luxo e todo mundo dividia um copinho de suco de laranja aguado.
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Em entrevista ao podcast Ruthie’s Table 4 (do badalado The River Cafe), ele relembrou com carinho os momentos descascando ervilhas com a avó — prova de que, por trás do brilho todo, tem um menino que aprendeu cedo que comida também é afeto.
O sanduíche mais simples do mundo

Aposto que você imaginava algo bem mais chique, né? Pois quando Stephen Colbert perguntou qual era seu sanduíche preferido, Elton não titubeou: “Sou um cara simples”, e cravou queijo e tomate no pão integral, sem manteiga, sem frescura nenhuma. Um clássico britânico básico, do jeitinho que ele gosta.
O risoto que virou lenda

Agora vem o luxo: o famoso risoto de peixe-perca* da Villa d’Este, no Lago de Como — prato que também é xodó de Gianni Versace e Madonna. Elton se apaixonou tanto que mandou o próprio chef fazer um “estágio” de quinze dias com o cozinheiro do local só pra aprender a receita. Chique dos chiques.
* Na culinária, o peixe-perca é valorizado por ter pouca gordura, alto teor de proteínas e espinhas fáceis de remover
A química com o famoso risoto de peixe-perca começou num jantar chique na casa de Gianni Versace, no Lago de Como, nos anos 1990. A descrição de Elton não deixa dúvida do impacto: “Era como néctar. Era tão suculento”.
Feito com arroz carnaroli, manteiga, vinho branco, sálvia e chalotas, o prato o marcou tanto que ele confirmou, com todas as letras, que mandou o chef pra Itália aprender a receita.
O ritual antes de subir ao palco

Antes de qualquer show, Elton tem uma regrinha de ouro: um bifinho com legumes, e nada mais. A lógica é simples: subir no palco fraco é, nas palavras dele, “muito desagradável”. Proteína e vegetais na medida certa pra aguentar horas de show.
Diabetes e a vontade que não passa
Diagnosticado com diabetes tipo 2 nos anos 2000, Elton é super aberto sobre a luta interna com a vontade de doce. Hoje ele só pode uma maçã ou um pedacinho de melão, mas confessa sem pudor: “o que eu tenho muita vontade é chocolate e sorvete, sorvete eu não posso comer de jeito nenhum”.
A última refeição dos sonhos
Se fosse escolher uma última refeição, esquece salgado: seria só doce. Sorvete, donuts, torta de maçã e crumble de ruibarbo. Tudo que hoje ele não pode nem chegar perto. E, de quebra, revelou uma queda por frango frito, que pra ele representa “a comida é incrível no Sul” dos EUA.
O detalhe que mostra o caráter de Elton
Elton escolhe onde comer pela forma como o restaurante trata a equipe. “Gosto dos lugares que frequento porque gosto da equipe deles”, disse. Ele detesta gente rude com garçom, chamando isso de a coisa que mais odeia em pessoas do seu meio.
O primeiro encontro com David Furnish
Comida também entra na história de amor: no primeiro encontro com seu companheiro David, Elton pediu um jantar chinês para viagem... só que pediu o cardápio inteiro do restaurante.
Resultado: quatro caixas gigantes na bancada da cozinha para uma mesa posta pra duas pessoas. Um detalhe: na ocasião, ele nem imaginava quais seriam os alimentos que David gostava.
De onde vieram todas essas histórias
Boa parte dessas revelações foi extraída do podcast Ruthie’s Table 4, da chef Ruth Rogers (cofundadora do The River Cafe, em Londres), que depois virou livro.
A entrevista, gravada na casa de Elton e David, em Berkshire, era pra durar meia hora e esticou pra uma hora inteira, e a própria assistente de Elton admitiu que, em 20 anos acompanhando entrevistas dele, nunca tinha ouvido boa parte daquelas histórias.
O capítulo mais difícil: quando a comida virou vício
Elton já contou publicamente que enfrentou bulimia por quase duas décadas, entre os anos 1970 e 1990, período que coincidiu com o auge do vício em cocaína e álcool.
Em entrevista a Piers Morgan em 2010, ele descreveu ciclos de compulsão seguidos de momentos de detox, incluindo episódios de comer sanduíches de bacon e um pote inteiro de sorvete e depois vomitar tudo.
Já com 78 anos, ele foi ainda mais direto: “provei outras drogas, mas a droga mais difícil de largar é a comida”, já que, diferente do álcool ou da cocaína, é preciso comer pra sobreviver.
Em 1990, ele entrou em reabilitação em Chicago, tratando álcool, drogas e compulsão alimentar ao mesmo tempo, e segue sóbrio desde então.
Point fixo em Londres: The River Cafe
A relação de Elton com o restaurante vai muito além de cliente frequente: em 2026, ele e David sediaram lá um evento privado pra celebrar o lançamento do champanhe sem álcool do casal, com jantar especial na Sylvia’s (a sala privada do restaurante), preparado sob medida pela própria Ruth Rogers.
A galeria de arte que também é restaurante: La Colombe d’Or
Esse point lendário em Saint-Paul-de-Vence, na Riviera Francesa, tem uma história e tanto: desde os anos 1920, artistas como Picasso, Matisse e Chagall pagavam as contas com quadros. Hoje suas paredes guardam uma das coleções de arte moderna mais valiosas dentro de um restaurante.
O cardápio provençal, que segue quase intacto há mais de 50 anos, atrai celebridades como Elton, Madonna, Bono e Jack Nicholson.
Simplicidade é a marca do cardápio provençal do lendário La Colombe d’Or. As receitas tradicionais do sul da França se mantêm inalteradas há 50 anos.
Os queridinhos de Elton em Los Angeles
- The Ivy (Robertson Blvd): famoso pelo frango frito “Ricky’s Fried Chicken” — irônico, já que é justamente esse tipo de comida que ele admite ser uma tentação proibida hoje em dia.
- Craig’s (West Hollywood): reduto de gente como Sandra Bullock e Sylvester Stallone, onde Elton John é figurinha carimbada.
E em casa, como é?
Segundo o próprio Elton, ele mantém a cozinha ativa em sua casa em Berkshire, recebendo amigos à mesa de madeira, onde nasceram tantas memórias, inclusive aquela de descascar ervilhas com a avó. Prova de que, apesar da fama e das restrições do diabetes, a comida caseira ocupa um lugar cativo no coração do artista.
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