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Saúde da Comunicação: Vanessa Pedrosa

Como a estética ingênua dos discursos de Trump esconde uma estratégia de comunicação

Presidente dos EUA usa uma performance física caricata para esvaziar o peso e a gravidade da sua atitude

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump interferiu junto à Fifa para anular o cartão vermelho de Folarin Balogun, justificando que a jogada não era falta.
  • Trump utiliza uma comunicação performática e quase infantilizada para suavizar a gravidade de suas ações.
  • Seu discurso mistura assertividade com uma estética ingênua, criando uma estratégia de comunicação complexa.
  • A infantilização de sua postura serve como escudo, dificultando críticas e facilitando a aceitação de suas ações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trump usa uma estratégia corporal clara em seus discursos REUTERS/Jonathan Ernst — 07.07.2026

Donald Trump interferiu diretamente junto à Fifa para anular o cartão vermelho recebido pelo atacante Folarin Balogun na partida contra a Bósnia. Ao dizer que fez isso publicamente, ele afirma, com toda a propriedade, que entende do assunto e que aquela jogada específica não era para cartão vermelho.

Em seu discurso, ele fala exatamente o que quer, dita sua própria versão da regra e assume a sua postura. Caro leitor, te convido a assistir ao vídeo, observando um comportamento específico da comunicação.


O fenômeno comunicativo aqui não é a atenuação: ele usa uma performance física caricata e quase infantilizada para esvaziar o peso e a gravidade da sua atitude.

São mensagens discrepantes. Uma estratégia muito comum em seus discursos. Ao mesmo tempo em que o conteúdo da fala é assertivo e focado em ditar as cartas, a estética é ingênua, quase infantilizada. A desconstrução dessa cena revela uma engenharia corporal refinada para amortecer o impacto da audácia.


Primeiro, nota-se uma mudança nítida na projeção vocal. A voz firme e impositiva dá lugar a uma fala anteriorizada — articulada na ponta da língua e nos lábios —, que desacelera o ritmo e infantiliza a narrativa.

Em seguida, entra o pescoço torto, aquela inclinação lateral da cabeça que, biologicamente, sinaliza vulnerabilidade e submissão. Por fim, o olhar parado e fixo simula uma pureza quase paralisada, como se ele estivesse surpreso com a reação alheia.


Essa infantilização estética serve como um escudo. Ao envelopar uma postura firme ou uma interferência agressiva em uma embalagem corporal tão inofensiva e caricata, o emissor confunde os interlocutores.

Torna-se psicologicamente difícil criticar alguém que, visualmente, está performando a doçura de uma criança. A performance dócil opera como um lubrificante social para que o absurdo seja digerido sem grandes revoltas.


É por isso que se torna fundamental desenvolver um olhar consciente e afiado sobre esse tipo de comportamento. No ambiente público ou corporativo, focar apenas nas palavras de um líder é cair em uma armadilha.

Precisamos avaliar a tríade essencial da comunicação: a linguagem, a intenção e a expressividade.

Quando esses três pilares não estão congruentes — ou seja, quando o peso da intenção é violento, mas a expressividade corporal tenta vender uma leveza quase lúdica —, estamos diante de uma manipulação perceptiva.

Desenvolver a consciência sobre essas discrepâncias é o que nos impede de sermos anestesiados pelo carisma e pela encenação. Afinal, uma postura infantilizada não diminui o impacto de uma atitude madura e calculada; apenas tenta nos convencer de que o lobo, na verdade, é apenas um personagem de desenho animado.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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