O que o VAR nos ensina sobre falta de critérios claros e sensação de injustiça
Lance na partida entre Estados Unidos e Paraguai ilustra o que acontece no mundo corporativo
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No jogo dos Estados Unidos contra o Paraguai na Copa do Mundo, houve um lance de VAR, e não foi um lance qualquer. Após a jogada seguir, o árbitro retirou o cartão amarelo aplicado ao norte-americano Tim Ream e o aplicou ao paraguaio Miguel Almirón.
Uma decisão tardia e inadequada, segundo os critérios da Fifa. O resultado? Uma onda de críticas e uma forte sensação de injustiça. Jogadores e torcedores se sentiram prejudicados.
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Mas meu objetivo aqui não é discutir o VAR. É usar esse episódio para olhar para algo muito presente no ambiente profissional: a percepção de injustiça, e o impacto que ela gera.
Em promoções, mudanças de estratégia, distribuição de oportunidades… Alguém sempre fica frustrado. Frustração, as pessoas até conseguem processar. Mas é muito difícil racionalizar as razões quando há a sensação de injustiça.
E, na maioria das vezes, isso não tem a ver apenas com a decisão, mas com a forma como ela é comunicada. Exatamente como no VAR.
Se uma decisão não explicitar seus critérios, ela abre espaço para dúvida, desgaste de reputação e insatisfação. Por isso, a comunicação dos líderes precisa levar informação com detalhes que gerem a sensação de justiça, adequação e segurança.
Uma decisão sem compreensão dos critérios gera dúvidas de reputação e insatisfação. Isso significa que a forma como você fala deve ser avaliada e aplicada com critérios específicos e conscientes.
As pessoas avaliam justiça pelo resultado e pelo processo na tomada de decisão. Pesquisas sobre segurança psicológica mostram que ambientes com pouca clareza e transparência geram mais silêncio, mais interpretações e menos confiança.
Então, como líder, você precisa tratar sua comunicação como parte da própria decisão. Alguns princípios simples fazem toda a diferença:
1. Antecipe os critérios
Deixe claro como você vai decidir antes de anunciar a decisão. Critério que aparece depois soa como justificativa.
2. Dê visibilidade ao raciocínio
Mostre como você construiu a decisão. Quais fatores pesaram? Quais limitações existiam? O que foi priorizado? Sem isso, as pessoas preenchem as lacunas — e quase nunca a seu favor.
3. Acerte o timing
Não espere o desconforto virar ruído ou conflito. Comunicação tardia não esclarece — só tenta remediar.
Os líderes são julgados pela sensação de justiça que deixam e não só pelas decisões que tomam. E isso começa na forma como você se comunica.
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