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Saúde da Comunicação: Vanessa Pedrosa

O hábito que atrasa a fala do seu filho

Se você observa que seu filho demora para formar frases, tem vocabulário menor que o esperado para a idade, ou parece ‘no mundo dele’ quando você chama, vale olhar também para o outro lado da tela — o seu

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Interferência da tecnologia na interação entre pais e filhos está ligada ao atraso de linguagem infantil
Interferência da tecnologia na interação entre pais e filhos está ligada ao atraso de linguagem infantil Reprodução/Inteligência Artificial/Gemini

Quando o assunto é atraso de fala e telas, a imagem que vem à cabeça é sempre a mesma: a criança com o tablet nas mãos. Mas há uma cena igualmente comum — e muito menos discutida — acontecendo nos lares brasileiros: é o momento em que a criança tenta puxar a atenção de um adulto, aponta para algo, balbucia, espera uma resposta... e encontra do outro lado um rosto iluminado pela tela do celular. A ciência afirma que a interferência da tecnologia na interação entre pais e filhos está ligada ao atraso de linguagem infantil, assim como o uso da tela pela criança.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) leva esse hábito a sério. O Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde, atualizado em 2024, até tem um nome para ele: distração passiva — dar o celular para acalmar o bebê, parar um choro ou ganhar um minuto de silêncio. O problema é que esse tempo toma o lugar da brincadeira ativa, que a SBP considera um direito da criança nessa fase de desenvolvimento do cérebro. Nenhum aplicativo “educativo” substitui um adulto olhando nos olhos da criança, nomeando o que ela sente e esperando ela responder.


Esse tipo de troca — falar, esperar, ouvir a resposta — é que ensina a criança a se comunicar. E é exatamente ele que a tela substitui. Os estudos que avaliam a correlação entre uso de telas e atraso do desenvolvimento das crianças observam que podem ocorrer atrasos em comunicação, motricidade grossa, motricidade fina e resolução de problemas e social-pessoal. Esses resultados assustam! As crianças precisam de estímulos de verdade, interagir, correr, brincar, falar com seus pais, escutar e serem escutados.

É comum nos consultórios de fonoaudiologia observarmos que quanto mais tempo de tela, pior o vocabulário e a fala da criança. O problema persiste também na adolescência com os jogos. Boa parte das crianças maiores e adolescentes perdem muito tempo que deveria ser de aprendizado e interação, ou seja, de vida, jogando. Mas esse é assunto para um outro texto.


Quanto tempo de tela é seguro, então?

A ciência já respondeu essa pergunta. A Sociedade Brasileira de Pediatria resume em quatro faixas simples:

  • Menores de 2 anos: nenhum tempo de tela (evitar totalmente).
  • 2 a 5 anos: máximo de 1 hora por dia, sempre com supervisão de um adulto.
  • 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas por dia, com limite e supervisão.
  • 11 a 18 anos: entre 2 e 3 horas por dia de uso recreativo, sem uso de telas madrugada adentro.

Quatro mudanças que cabem em qualquer rotina

A tecnologia precisa ser devolvida para o lugar de ferramenta e não de babá.


  1. 1. Mesa sem tela. Celular, tablet e TV desligados na hora da refeição. É o único momento do dia em que a família inteira está sentada, olhando uma para a outra — não desperdice.
  2. 2. Desligar antes de dormir. 1 a 2 horas de tela a menos antes de deitar protege o sono — e sono ruim também atrapalha o desenvolvimento da linguagem.
  3. 3. Corpo em movimento, mundo real. Brincadeira ativa, parquinho, bola, conversa fiada no chão da sala. É ali, não no aplicativo “educativo”, que a fala se constrói.
  4. 4. O exemplo começa em casa. Pais e mães devem observar seu próprio comportamento diante das telas. Quanto tempo o adulto também passa de olho no próprio celular quando devia estar de olho no filho, interagindo, conversando?

Essa última pergunta não é retórica. Lembra da cena do começo deste texto — a criança tentando puxar a atenção de um adulto e encontrando um rosto iluminado por uma tela. Não existe aplicativo, vídeo “estimulante” ou boneco fofo na tela que substitua o que acontece quando você larga o celular, olha nos olhos do seu filho e espera — de verdade — a resposta dele.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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